DeFi: sete erros comuns de quem está começando

•

Entrar nas finanças descentralizadas ficou mais fácil. No entanto, essa facilidade traz riscos, pois geralmente não há banco para interromper operações nem assessor para alertar o usuário.

Por isso, erros de iniciantes em DeFi podem causar perdas financeiras difíceis de reverter. A boa notícia é que os problemas mais recorrentes podem ser identificados antes da primeira operação.

Nesse contexto, conhecer os riscos ajuda o usuário a tomar decisões mais cuidadosas. A seguir, veja sete erros comuns e as medidas que podem reduzir a exposição a eles.

Cuidados essenciais antes de operar em DeFi

1. Proteger mal a frase de recuperação

O primeiro erro pode ocorrer antes mesmo da primeira transação. Muitos iniciantes armazenam de forma inadequada a frase de recuperação da carteira.

Por exemplo, alguns fazem capturas de tela, enviam a frase por e-mail ou a registram nas notas do celular. Esses ambientes permanecem conectados à internet e podem ficar expostos a invasões, vazamentos ou acessos indevidos.

Assim, o usuário deve registrar a frase em um suporte físico durável e mantê-la em um local seguro. Também é importante protegê-la contra perdas, incêndios, umidade e acesso de terceiros.

Caso a carteira fique inacessível e não exista uma cópia da frase, os fundos podem ser perdidos definitivamente. Em contrapartida, qualquer pessoa que obtenha essas palavras poderá assumir o controle da carteira.

2. Assinar transações sem verificar a autorização

Outro erro surge quando a carteira solicita a aprovação de uma operação. Nesse momento, o usuário pode confirmar o pedido por hábito, sem compreender o que está autorizando.

Muitos golpes em DeFi dependem justamente de uma permissão concedida pela própria vítima. Em vez de invadir a carteira, o criminoso induz o usuário a aprovar uma operação capaz de movimentar seus fundos.

Antes de confirmar, é necessário identificar o protocolo, verificar o endereço acessado e entender a finalidade da solicitação. Afinal, páginas falsas podem imitar plataformas legítimas e apresentar pedidos maliciosos.

3. Perseguir os maiores rendimentos

O terceiro deslize ocorre quando retornos elevados ofuscam a análise de risco. Um iniciante pode encontrar uma taxa anual muito acima do mercado e depositar recursos sem investigar sua origem.

Todo rendimento precisa de uma fonte econômica. Portanto, retornos muito altos podem depender de incentivos temporários, baixa liquidez ou projetos frágeis.

Além disso, a rentabilidade pode desaparecer quando o elemento usado para pagar as recompensas perde valor. Um retorno moderado, sustentado por atividade real, tende a oferecer uma base mais compreensível para avaliação.

Riscos operacionais e decisões apressadas

4. Confiar em projetos anônimos por medo de ficar de fora

A ansiedade para não perder uma oportunidade também pode levar a decisões ruins. Dessa forma, algumas pessoas depositam dinheiro em projetos recentes apenas porque eles ganharam popularidade.

Equipes anônimas, ausência de auditorias e promessas grandiosas criam um ambiente favorável a fraudes. Ainda assim, o anonimato isoladamente não comprova que um projeto seja fraudulento.

Antes de transferir recursos, convém verificar há quanto tempo o protocolo opera e se seu funcionamento pode ser analisado. Também é necessário avaliar a existência de auditorias, sem tratá-las como garantia absoluta de segurança.

5. Não testar primeiro com valores pequenos

Esse está entre os erros mais caros e mais fáceis de evitar. O problema aparece quando alguém movimenta todo o capital na primeira operação em um ambiente que ainda não domina.

Transações registradas em blockchain costumam ser irreversíveis. Consequentemente, um endereço incorreto ou uma rede incompatível pode dificultar ou impedir a recuperação dos recursos.

Na prática, o usuário deve começar com uma quantia pequena e concluir todas as etapas do processo. Depois, poderá repetir a operação com um valor maior, caso confirme que endereços, rede e protocolo estão corretos.

6. Fornecer liquidez sem compreender os efeitos

O sexto erro aparece quando as taxas e recompensas atraem o iniciante para um pool de liquidez. Contudo, ele pode depositar seus recursos sem compreender a perda impermanente.

Esse fenômeno ocorre quando a variação de preço dos itens depositados altera a composição da posição. Como resultado, o usuário pode terminar com um valor inferior ao que teria se apenas mantivesse os mesmos recursos.

Apesar disso, a perda impermanente não significa que ninguém deva fornecer liquidez. O ponto central é entender o mecanismo, comparar possíveis ganhos e considerar os demais riscos do protocolo.

Custódia própria exige conhecimento e responsabilidade

7. Achar que manter fundos em uma exchange já é DeFi

O último erro é conceitual, mas influencia todos os demais. Manter criptomoedas em uma exchange centralizada não representa participação direta em protocolos descentralizados.

Enquanto a empresa custodiar os fundos, o usuário continuará dependente desse intermediário. Para interagir diretamente com DeFi, ele precisa usar uma carteira própria e conectá-la a um protocolo.

Entretanto, a custódia própria transfere ao usuário a responsabilidade pela segurança, pelas permissões e pelas transações. Essa autonomia exige atenção maior do que a simples manutenção de recursos em uma plataforma centralizada.

Em resumo, os sete erros podem ser reduzidos com uma postura cautelosa. O usuário deve agir devagar, compreender cada etapa e desconfiar de atalhos que prometem retornos desproporcionais.

As finanças descentralizadas ampliam o controle direto sobre os recursos. Ao mesmo tempo, esse controle exige responsabilidade, conhecimento e critérios de segurança antes de qualquer operação.

Google Notícias

Receba nossas últimas notícias em primeira mão.   Adicione-nos como sua fonte preferida no Google    e toque em “Favorito” para priorizar nossas atualizações.