DEXs atingem 19,5% do spot após queda das CEXs
As DEXs alcançaram uma participação recorde de 19,5% no volume combinado de negociações à vista de criptomoedas em julho. O avanço ocorreu porque as corretoras centralizadas, conhecidas como CEXs, perderam volume em ritmo mais intenso. Portanto, o recorde não representa uma expansão generalizada da atividade on-chain.
As CEXs registraram US$ 727 bilhões em negociações à vista no mês, queda de 31,2%. Esse foi o menor total mensal desde outubro de 2023. Enquanto isso, as DEXs movimentaram US$ 176 bilhões, com recuo menor de 9,82%.
Corretoras descentralizadas ampliam participação
O ranking de plataformas de negociação de julho da BlockBeats mostrou uma retração de 35,5% no volume spot das principais CEXs. Já o volume de futuros perpétuos caiu 19,6%. Dessa forma, o mercado à vista apresentou a maior fraqueza entre os segmentos analisados nas plataformas centralizadas.
Ao mesmo tempo, o tráfego nos sites das grandes CEXs cresceu 3%, embora os downloads de aplicativos tenham recuado 2,1%. O contraste sugere maior cautela dos usuários, mas não permite identificar para onde o volume migrou.
O aplicativo da Robinhood registrou US$ 18 bilhões em negociações de criptomoedas no segundo trimestre, segundo seus resultados trimestrais. O montante caiu 35% na comparação anual. Em contrapartida, o volume nocional de ações avançou 85%, enquanto a atividade com opções aumentou 50%.
Por sua vez, a Coinbase informou uma queda anual de 38% no volume spot de criptomoedas entre consumidores durante o trimestre. Derivativos e mercados de previsões compensaram parte da retração, conforme o documento enviado à SEC. A TRM Labs também estimou uma contração anual de 11% na atividade global orientada ao varejo.
Segundo o índice global de adoção da TRM Labs, essa atividade somou US$ 979 bilhões no primeiro trimestre. O resultado marcou a segunda contração trimestral consecutiva. Ainda assim, os dados não demonstram uma migração direta do varejo para plataformas descentralizadas.
Varejo não explica sozinho a diferença
A fraqueza do varejo ajuda a explicar a queda nas CEXs, mas não esclarece toda a diferença de desempenho. A própria Coinbase indicou que outros produtos absorveram parte do fluxo. Assim, nem toda redução no mercado à vista representa saída definitiva de usuários.
Um estudo acadêmico sobre arbitragem identificou 7,2 milhões de operações entre CEXs e DEXs no Ethereum. A análise cobriu o período entre agosto de 2023 e março de 2025. Nesse intervalo, 19 grandes participantes extraíram cerca de US$ 233,8 milhões.
Três participantes concentraram aproximadamente 75% do volume e do valor total identificado. Com isso, o levantamento mostra que uma parcela relevante do fluxo on-chain possui perfil profissional. Ele não permite concluir que o varejo responda pela maior parte das negociações nas DEXs.
Também existe atividade varejista on-chain, sobretudo na Solana e em plataformas de lançamento de tokens. Contudo, a Galaxy Research descreveu as taxas da rede como fortemente dependentes de negociações especulativas. Formadores de mercado automatizados proprietários e bots de execução participam desse fluxo.
Com dados públicos, permanece difícil diferenciar uma carteira varejista de um bot que direciona ordens pelo mesmo pool. Logo, a alta da participação das DEXs não comprova que usuários abandonaram as CEXs. O movimento reflete, sobretudo, a queda mais acentuada do volume centralizado.
Agregadores sustentam o volume on-chain
Operadores profissionais e sistemas de roteamento ajudaram as DEXs a preservar uma parcela maior do volume. A DefiLlama registrou US$ 73,2 bilhões em operações por agregadores durante 30 dias. Jupiter, OKX DEX, 0x, DFlow, KyberSwap e LiquidMesh apareceram entre as principais plataformas.
Essas estruturas distribuem ordens entre diferentes pools para buscar melhores condições de execução. Por isso, elas atendem tanto operações maiores quanto trocas ocasionais. Entre as redes, a Solana liderou a atividade on-chain de julho, com cerca de US$ 49,5 bilhões.
BNB Chain, Ethereum e Base apareceram em seguida. Pares de stablecoins responderam por aproximadamente US$ 31,5 bilhões do volume mensal. No entanto, a plataforma responsável pela descoberta de preços varia conforme o ativo negociado.
Bitcoin e Ethereum ainda dependem das CEXs
Pesquisas que comparam Binance e Uniswap indicam que as corretoras centralizadas ainda lideram a descoberta de preços do Ethereum. Essa liderança ganhou força nos períodos mais voláteis de 2024, conforme uma pesquisa acadêmica sobre liquidez. Mesmo assim, determinadas ordens on-chain podem transmitir informações relevantes ao mercado.
Um artigo da Review of Financial Studies, publicado em 2026, analisou operações que pagam taxas prioritárias elevadas. Segundo o trabalho, essas ordens carregam um fluxo desproporcionalmente informativo. Operadores bem informados pagam mais para antecipar a execução.
Outra pesquisa de 2026, publicada na Management Science, apontou maior competitividade das DEXs conforme aumenta o tamanho da operação. As taxas de gas exercem um peso proporcionalmente maior sobre transações pequenas. Desse modo, os custos ajudam a criar um mercado segmentado.
O Bitcoin ainda forma preços principalmente em corretoras centralizadas, ETFs e futuros da CME. A liquidez nativa de BTC nas DEXs representa uma parcela pequena do mercado global. Os principais pares de Ethereum também continuam acompanhando as plataformas centralizadas.
Em contrapartida, tokens de menor capitalização, lançamentos nativos da Solana e memecoins podem negociar on-chain antes de chegar às CEXs. Nesses casos, as plataformas descentralizadas assumem primeiro a formação de preços. O mercado, portanto, apresenta estruturas diferentes para cada grupo de ativos.
Participação das DEXs depende do mercado spot
O cenário otimista considera avanços em agregadores, Solana, Base e execução de grandes operações. Nesse caso, a participação das DEXs poderia chegar a uma faixa entre 22% e 25% do volume spot combinado. Mais ativos também poderiam formar preços primeiro on-chain.
No cenário-base, o spot das CEXs permanece fraco, enquanto as DEXs mantêm resiliência sem expansão explosiva. A participação ficaria entre 18% e 21%. As plataformas centralizadas continuariam liderando nos principais ativos, enquanto as descentralizadas avançariam entre projetos menores.
Já o cenário pessimista prevê uma recuperação mais rápida do spot centralizado após uma alta consistente de Bitcoin ou Ethereum. Historicamente, o varejo costuma retornar primeiro aos aplicativos centralizados durante períodos de maior apetite por risco. Nessa hipótese, a participação das DEXs poderia recuar para uma faixa entre 14% e 16%.
| Cenário | Fator determinante | Participação estimada das DEXs | Descoberta de preços |
|---|---|---|---|
| Otimista | Avanço de agregadores, Solana, Base e grandes operações | 22% a 25% | Mais ativos formam preços primeiro on-chain |
| Base | Spot centralizado fraco e resiliência das DEXs | 18% a 21% | CEXs lideram os principais ativos |
| Pessimista | Recuperação do spot de Bitcoin e Ethereum nas CEXs | 14% a 16% | O recorde de julho se mostra temporário |
| Mercado dividido | Bitcoin e Ethereum permanecem nas CEXs, enquanto novos projetos negociam nas DEXs | Elevada, mas desigual | A formação de preços varia por tipo de ativo |
O recorde de julho confirma que o volume spot centralizado encolheu mais rapidamente do que as negociações on-chain. Porém, o dado isolado não revela onde todo o mercado define seus preços. A resposta continua diferente para Bitcoin, Ethereum e ativos de menor capitalização.