Dinamarca: adoção de Bitcoin é 4%, mais baixa da Europa

A adoção de Bitcoin e outras criptomoedas na Dinamarca segue entre as mais baixas da Europa. Levantamento do banco central do país indica que apenas 4% da população possui ativos digitais, nível que permanece estável desde 2023, apesar do avanço do mercado em outras regiões.

O dado chama atenção porque países vizinhos apresentam taxas significativamente maiores. Enquanto o interesse global cresce, o cenário dinamarquês avança em ritmo mais lento, influenciado por fatores estruturais.

Entraves institucionais limitam crescimento

Ao longo dos últimos anos, o acesso a criptomoedas enfrentou restrições relevantes no país. Bancos locais evitaram oferecer suporte direto à compra desses ativos e, além disso, reforçaram alertas sobre riscos, o que contribuiu para um ambiente mais conservador.

Ao mesmo tempo, a estrutura tributária considerada desfavorável dificultou a entrada de novos investidores. Como resultado, parte da demanda potencial não se converteu em adoção efetiva.

O estudo do Danmarks Nationalbank confirma que a taxa de posse permanece em 4%. Em contraste, países como Noruega, Finlândia e Reino Unido superam 10% de participação.

Adoção de criptomoedas na Dinamarca

Fonte: Danmarks Nationalbank

A pesquisa ocorreu entre outubro e novembro de 2025, com mais de 3.000 participantes a partir de 15 anos. Os dados foram ajustados à demografia nacional, o que reforça a consistência estatística.

Investimento médio ainda é baixo

Embora haja participação no mercado, os valores investidos são limitados. A maioria dos dinamarqueses detém menos de 10.000 coroas dinamarquesas em criptomoedas, cerca de US$ 1.570.

No agregado, o volume total investido varia entre US$ 317 milhões e US$ 847 milhões. Em contrapartida, a exposição indireta, via ações e produtos negociados em bolsa, soma aproximadamente US$ 211 milhões, o equivalente a 0,4% do total aplicado em ações no país.

Distribuição de investimentos em criptomoedas

Fonte: Danmarks Nationalbank

O uso de criptomoedas como meio de pagamento permanece raro. Em geral, investidores tratam esses ativos como reserva de valor ou instrumento especulativo, o que limita sua presença no cotidiano.

Outro ponto relevante envolve a custódia. Entre 70% e 75% dos usuários mantêm seus ativos em plataformas de terceiros, enquanto apenas 20% a 30% utilizam carteiras próprias. Além disso, a adoção se concentra em jovens com renda mais alta e diminui significativamente entre pessoas acima de 60 anos.

BTC sendo negociado a US$ 74.388 no gráfico de 24 horas: TradingView

Bancos e regulação indicam possível mudança

Apesar das limitações, surgem sinais de transformação. O Danske Bank, maior banco da Dinamarca, passou a oferecer exposição a Bitcoin e Ether por meio de produtos negociados em bolsa, facilitando o acesso de investidores tradicionais.

Segundo a instituição, cresce a demanda por ativos digitais como parte de portfólios diversificados. Além disso, a regulamentação europeia MiCA trouxe maior clareza jurídica, o que tende a ampliar a atuação de instituições financeiras.

No entanto, ainda não há evidências de que essas mudanças resultarão em crescimento rápido da adoção. Por ora, os 4% refletem um mercado mais impactado por barreiras institucionais do que por desinteresse.

Perspectivas para o mercado

O cenário indica um mercado ainda concentrado em pequenos investidores. Ainda assim, a expansão de serviços bancários e o avanço regulatório podem estimular a participação ao longo do tempo.

Em conclusão, a Dinamarca permanece entre os países mais conservadores da Europa em relação ao Bitcoin, embora as bases para uma possível expansão já comecem a se formar.