Disputa cresce após críticas à estratégia da Metaplanet

A Metaplanet voltou ao centro das discussões do mercado após uma sequência de críticas anônimas que colocaram em dúvida sua transparência e sua estratégia focada em Bitcoin. A publicação sugeria ocultação de perdas e uso de operações arriscadas com opções.

A análise anônima afirmou que a empresa omitiu detalhes de compras feitas perto de topos locais e de contratos de empréstimo lastreados em Bitcoin. Além disso, o autor alegou que operações com opções de venda poderiam ter gerado perdas adicionais, caso o preço do ativo recuasse.

Metaplanet rebate críticas e esclarece processos internos

O CEO Simon Gerovich negou qualquer irregularidade. Segundo ele, todas as compras realizadas no período foram divulgadas individualmente, sempre após sua finalização, conforme exigido pela regulação japonesa. Além disso, um painel público exibe saldos e endereços da companhia, garantindo acompanhamento em tempo real.

Gerovich destacou que a estratégia corporativa não se baseia em previsões de curto prazo. Ele reforçou que o plano da empresa prioriza acumulação contínua, independentemente das oscilações. Assim, variações momentâneas não influenciam decisões operacionais.

O executivo também refutou insinuações sobre atrasos deliberados nas divulgações. Segundo ele, cada comunicação foi registrada após decisões definitivas e dentro dos limites regulatórios aplicáveis.

Discussões sobre opções e críticas ao risco

As operações com opções foram outro ponto de controvérsia. No entanto, Gerovich explicou que a venda de opções de venda busca otimizar custos. Como exemplo, ele citou que uma opção de venda vendida a US$ 80.000, com prêmio de US$ 10.000, reduziria o custo final de aquisição para US$ 70.000 caso fosse exercida. Portanto, a metodologia melhora a eficiência sem apostar na direção do mercado.

Apesar disso, críticos argumentam que a prática pode ampliar perdas caso o Bitcoin caia abaixo do preço de exercício. Porém, para a empresa, a abordagem faz parte de um plano de longo prazo já comunicado anteriormente.

Dados financeiros, empréstimos e impacto do mercado

Em relação às perdas divulgadas nas demonstrações financeiras, Gerovich afirmou que os números refletem apenas ajustes não realizados das reservas de Bitcoin. Além disso, o lucro operacional atingiu 6,2 bilhões de ienes, resultado que representa forte avanço anual.

O CEO explicou também que a criação de uma linha de crédito foi anunciada em outubro, com saques informados posteriormente. A ausência de detalhes sobre a contraparte e taxas ocorreu a pedido do credor, segundo o executivo, e respeita os limites regulatórios.

A queda das ações da companhia ganhou destaque no debate. No entanto, Gerovich afirmou que os papéis acompanham a volatilidade natural do Bitcoin ao longo do ano. Assim, ele considera normal que oscilações afetem os resultados trimestrais e a percepção do mercado.

O executivo ressaltou ainda que, como acionista relevante, sente diretamente o impacto desses movimentos. Portanto, reforçou que a estratégia permanece focada no acúmulo de longo prazo e na gestão eficiente dos recursos disponíveis.

Com as explicações, a empresa busca reforçar sua posição e reduzir ruídos interpretativos. Além disso, procura reafirmar que oscilações recentes refletem movimentos normais do mercado e não erros de execução.