Dólar à R$ 5,70 com saída de Sergio Moro; Paulo Guedes pode ser o próximo?

Moro pede demissão por intervenção do presidente, Jair Bolsonaro, na autonomia da Polícia Federal.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, deu entrevista coletiva nessa sexta-feira (24) para anunciar sua demissão após exoneração do diretor da Polícia Federal, Maurício Valeixo.

O ex-ministro ressalta em coletiva que quando chamado para o cargo em 2018, o presidente havia prometido carta-branca, de modo a não interferir no trabalho do ministro.

“No final de 2018, eu recebi um convite do presidente eleito, Jair Bolsonaro, e isso eu já falei publicamente diversas vezes. É fácil repetir essa história porque é uma historia verdadeira. E fui convidado para ser ministro. O que foi conversado com o presidente é que nós tínhamos um compromisso contra a corrupção, o crime organizado. Foi me prometido carta-branca para nomear todos os assessores, inclusive nestes órgãos, Polícia Rodoviária Federal e e a própria Polícia Federal.”

Moro ainda completa que pede demissão porque Bolsonaro está interferindo na autonomia da Polícia Federal:

“Presidente me disse mais de uma vez que ele queria ter uma pessoa do contato pessoal dele [na Polícia Federal], que ele pudesse ligar, colher relatórios de inteligência. Realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação. As investigações têm que ser preservadas. Imaginem se durante a própria Lava Jato, o ministro, um diretor-geral, presidente, a então presidente Dilma, ficassem ligando para o superintendente em Curitiba para colher informações sobre as investigações em andamento. A autonomia da Polícia Federal como um respeito à autonomia da aplicação da lei, seja a quem for isso, é um valor fundamental que temos que preservar no estado de direito.”

E continua:

“É certo que o governo da época [da ex-presidente Dilma Rousseff] tinha inúmeros defeitos, aqueles crimes gigantescos de corrupção que aconteceram naquela época. Mas foi fundamental a manutenção da autonomia da Polícia Federal para que fosse possível realizar esse trabalho. Seja de bom grado ou seja pela pressão da sociedade, essa autonomia foi mantida e isso permitiu que os resultados fossem alcançados. Isso é até um ilustrativo da importância de garantir Estado de direito, “rule of law“, autonomia das instituições de controle e de investigação.”

Bolsonaro em resposta a demissão e declarações do ex-ministro vai dar coletiva às 17:00, hoje, para trazer sua “verdade” sobre os fatos.

Dólar dispara com demissão de Sergio Moro e Guedes pode ser o próximo

O dólar veio subindo com a especulação da saída do ministro desde ontem (23). Com a demissão de Sergio Moro veio uma grande instabilidade política e o dólar atingiu novo recorde histórico no valor de R$ 5,71 até o momento da escrita.

Temos nomes de relevância saindo do governo em meio a uma crise sanitária e econômica global, como foi o caso do ex-ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta e agora do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro. Resta a expectativa da manutenção do ministro da Economia, Paulo Guedes. Guedes é contra a impressão de dinheiro pelo Banco Central e o “Plano Marshall” proposto pelo ministro da Casa Civil, Braga Netto, passa por cima de sua autoridade.

O governo federal decidiu retomar o Programa de Aceleração do Crescimento, que marcou a gestão da ex-presidente Dilma Rousseff, renomeando o mesmo de ‘Pró-Brasil’. Este novo ‘Plano Marshall’ representa uma derrota decisiva para o modelo neoliberal de Paulo Guedes, que é incapaz de oferecer saídas para a crise econômica. O programa Pró-Brasil, que o governo anuncia como a solução para a recuperação econômica do país após a pandemia do coronavírus, foi lançado nesta quarta-feira (22) pelo ministro da Casa Civil, general Braga Netto. Guedes não participou do anúncio, deixando claro como o atual ministro da Economia está sendo colocado de lado.

Liberais brasileiros, como Fernando Ulrich e Raphaël Lima estranham medida desenvolvimentista do governo.

Será que ainda teremos a queda de Guedes?

Foto de Bruno Lugarini
Foto de Bruno Lugarini O autor:

Estudante de Sistema da Informação, técnico de informática, apaixonado por tecnologia, entusiasta das criptomoedas e Nerd.