Economia dos EUA lembra 1929, diz Henrik Zeberg
O estrategista macro Henrik Zeberg afirmou que a economia dos EUA se parece mais com 1929 do que com os períodos anteriores às crises de 2000 e 2007-2008. Na avaliação dele, uma bolha acionária impulsionada pela inteligência artificial cresce enquanto importantes indicadores econômicos enfraquecem. Assim, o cenário combina ativos valorizados com consumidores, mercado de trabalho e setor imobiliário sob pressão.
Zeberg considera que essa combinação aproxima o ambiente atual do período anterior à Grande Depressão. A declaração apareceu em uma publicação no X em 28 de setembro. Além disso, o estrategista argumentou que a bolha atual supera aquela observada antes da crise financeira de 2007-2008.
A situação atual da economia se parece mais com 1929 do que com 2007-2008 ou 2000-2001. Há uma bolha insana no mercado de ações, muito maior do que em 2007, mas uma economia pior, considerando mercado de trabalho, consumidores e habitação, do que em 2000-2001.
Henrik Zeberg, no X.
Indicadores sustentam o alerta econômico
Em sua análise, o criador do Zeberg Macro Navigation Framework comparou dados econômicos e financeiros de 1929, 2000 e 2026. Para sustentar a avaliação, ele destacou condições semelhantes às registradas antes do colapso de 1929. Nesse sentido, Zeberg apontou uma desconexão entre a valorização dos ativos e a deterioração dos fundamentos econômicos.
Ao mesmo tempo, o estrategista identificou as ações ligadas à inteligência artificial como a principal narrativa especulativa do mercado. Esse movimento remete ao entusiasmo tecnológico que marcou outros ciclos de forte valorização. Ainda assim, Zeberg observou que a taxa de poupança pessoal está próxima de 3%, enquanto o crescimento real dos salários permanece fraco.
De acordo com a análise, as famílias enfrentam uma pressão financeira crescente. Também há indicadores de confiança do consumidor próximos das mínimas registradas em vários anos. Com isso, aproximadamente dois terços dos domicílios vivem de salário em salário, enquanto a insegurança alimentar permanece elevada.
Habitação, emprego e crédito mostram fragilidade
No setor habitacional, a atividade desacelerou de forma significativa. Enquanto isso, as vendas de imóveis existentes continuam perto das menores marcas observadas em várias décadas. Já no mercado de trabalho, Zeberg considera a criação de vagas mais fraca do que antes das recessões de 2001 e 2008.
Além do emprego em geral, o especialista citou um crescimento mais brando das vagas em tempo integral. Por isso, ele também vê sinais de pressão crescente nos mercados de crédito privado. Para o estrategista, esses elementos revelam uma base econômica frágil sob dados agregados aparentemente mais resistentes.
Outro ponto central envolve a concentração do crescimento econômico. Atualmente, famílias de renda mais alta respondem por uma parcela cada vez maior dos gastos dos consumidores. Dessa forma, esse grupo sustenta parte dos principais indicadores, apesar das dificuldades financeiras enfrentadas por muitos americanos.
Bolha de IA amplia risco de correção
Embora os fundamentos mostrem fragilidade, empresas relacionadas à inteligência artificial continuam atraindo volumes expressivos de capital. Segundo Zeberg, esse fluxo eleva as avaliações das companhias e amplia a distância entre os preços e a economia real. Consequentemente, ele afirmou que apenas 1929 reuniu uma bolha tecnológica tão extrema e uma fraqueza econômica tão disseminada.
O estrategista também alertou que o mercado de alta tecnológico, iniciado no começo dos anos 2000, pode estar próximo de sua etapa final. Ainda assim, ele reconheceu que uma nova rodada de valorização permanece possível. Contudo, os riscos de recessão e de uma forte correção acionária estariam aumentando.
Nesse cenário, a perda de impulso econômico reforça a comparação com o período anterior ao colapso de 1929. A combinação de ativos caros e fundamentos enfraquecidos pode elevar a vulnerabilidade dos mercados. Portanto, a avaliação de Zeberg indica que a aparente resiliência econômica pode esconder pressões mais amplas.
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