Empresário investigado liga-se à mineração de Bitcoin nos EUA

O empresário Ricardo Andrade Magro, citado em investigações fiscais como um dos maiores devedores do Brasil, foi associado a uma operação de mineração de Bitcoin nos Estados Unidos. A informação surgiu após apuração conduzida pela revista Piauí, que detalha uma estrutura internacional ligada ao empresário.

A operação estaria localizada em McAlester, no estado de Oklahoma. Segundo estimativas mencionadas por especialistas, a atividade pode gerar cerca de US$ 600 mil por mês, com margens próximas de 30%. Ainda que esses números não tenham confirmação oficial independente, eles indicam o potencial financeiro da mineração.

Estrutura internacional levanta questionamentos

A empresa associada à operação é a Minefficiency, registrada em Delaware em 2021. Em seu site, a companhia informa um endereço em São Francisco, Califórnia. No entanto, a investigação aponta inconsistências sobre a existência física desse local, o que levanta dúvidas sobre a transparência da estrutura.

Além disso, documentos do estado do Texas indicam que a Minefficiency é controlada pela J. Global Energy Holdings Inc. Essa empresa, por sua vez, aparece ligada a Ricardo Magro e a negócios relevantes no Brasil e no exterior. Dessa forma, o encadeamento societário sugere uma possível integração internacional das operações.

Apesar do monitoramento da Receita Federal, não há confirmação pública de que a atividade de mineração de Bitcoin tenha sido formalmente identificada pelo órgão. Ainda assim, autoridades investigam se ativos mantidos fora do país podem estar relacionados a práticas de sonegação ou ocultação patrimonial.

Investigações fiscais e possíveis estruturas offshore

A Receita Federal, em conjunto com outros órgãos, acompanha as movimentações do empresário. Nesse sentido, investigações consideram o uso de estruturas offshore com o objetivo de organizar ou eventualmente ocultar patrimônio. Além disso, há apurações que avaliam possíveis indícios de lavagem de dinheiro.

Ao mesmo tempo, autoridades buscam dimensionar o patrimônio global associado a Magro. Embora não exista confirmação oficial sobre todos os ativos, o volume estimado reforça a complexidade do caso. Assim, a mineração de criptomoedas surge como mais um elemento relevante dentro desse contexto.

Quem é Ricardo Andrade Magro

Ricardo Andrade Magro é um empresário paulista conhecido por atuar no setor de combustíveis, com ligação ao grupo da refinaria Refit. Ao longo dos últimos anos, seu nome aparece em diferentes investigações relacionadas a questões tributárias.

Dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional indicam que a Refit acumula mais de R$ 25 bilhões em débitos inscritos na dívida ativa. Quando consideradas outras empresas associadas, o valor ultrapassa R$ 28 bilhões, o que evidencia a dimensão das disputas fiscais.

Em documentos oficiais, autoridades descrevem o conjunto de operações com termos severos, apontando indícios de práticas como simulação de transações, uso de empresas de fachada e inconsistências contábeis. Também há suspeitas relacionadas à ocultação de beneficiários finais.

Setor de combustíveis e posicionamento da defesa

Investigações conduzidas por órgãos como a Receita Federal, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e Ministérios Públicos estaduais apontam um possível esquema envolvendo combustíveis. A hipótese inclui a importação de produtos semiacabados declarados como matéria-prima, com impacto tributário reduzido.

Por outro lado, a defesa de Ricardo Magro nega irregularidades. Segundo seus advogados, os débitos estão sendo discutidos na Justiça e as operações seguem a legislação vigente. Além disso, afirmam que as estruturas societárias estão devidamente declaradas.

Em conclusão, a possível ligação com uma fazenda de mineração de Bitcoin amplia o escopo das investigações em curso. Como resultado, autoridades seguem acompanhando a evolução patrimonial e financeira do empresário em diferentes jurisdições.