Empresas cripto buscam licença no Banco Central do Brasil
O Banco Central do Brasil registrou, até o momento, setembro de 2026, os primeiros cinco pedidos de autorização de empresas de criptomoedas para operar legalmente no país. O movimento faz parte das novas regras de regulamentação do setor, que estabelecem o dia 30 de outubro de 2026 como o prazo limite para que as corretoras em atividade protocolem seus pedidos de licença.
Atualmente, o mercado brasileiro conta com cerca de 200 corretoras ativas, mas poucas se anteciparam ao prazo. Dos cinco processos iniciados no regulador, quatro empresas seguem em análise e uma teve o pedido negado devido a falhas documentais ou capital insuficiente.
Nenhuma das empresas é uma das mais conhecidas do mercado
A lista reúne Wynx Exchange, Onda Finance, W Brasil Comércio, Masterpay e PFPay. As consultas ao sistema da autarquia permitiram associar os processos às respectivas companhias.
Enquanto a Wynx Exchange aparece com o status “Em Agenda”, Onda Finance e W Brasil Comércio constam como “Em Exame”. Já Masterpay e PFPay figuram na etapa “Aguardando recebimento”. Por sua vez, a base pública não informa os critérios usados em cada classificação.
No entanto, os registros não permitem concluir qual companhia está mais próxima de receber autorização. Por isso, os diferentes status não representam necessariamente uma ordem de avanço. Até então, os pedidos eram conhecidos, mas a associação consolidada entre processos e empresas não estava disponível publicamente.
Autorizações avançam no mercado brasileiro
Entre as cinco companhias, a Onda Finance também apareceu em uma publicação formal do Banco Central. Na segunda-feira, 21 de setembro, o Comunicado nº 45.986 apresentou três pessoas indicadas para a diretoria da empresa. Com isso, a companhia avançou em uma das etapas do processo de autorização.
Além disso, o documento abriu um prazo de 15 dias para eventuais objeções aos administradores indicados. Nesse documento, a autarquia classificou a Onda Finance como uma “instituição em processo de autorização”. Contudo, a publicação não representa a concessão definitiva de uma licença.
Conforme o levantamento, a Onda Finance foi a única prestadora de serviços de ativos virtuais citada em 203 comunicados desse tipo. Desde novembro de 2025, o Departamento de Organização do Sistema Financeiro publicou esses documentos. Assim, a companhia ganhou destaque entre as empresas com processos identificados.
Fila de pedidos cresceu nas últimas semanas
Em 31 de julho, Wynx Exchange e Onda Finance já constavam na base de processos abertos. Por outro lado, as consultas de fevereiro e maio não registravam pedidos de prestadoras de serviços de ativos virtuais. Logo, os dados indicam que a fila começou a se formar nos meses seguintes.
Na base de 31 de agosto, W Brasil Comércio, Masterpay e PFPay ainda não apareciam. Posteriormente, as três companhias surgiram na consulta mais recente. Embora seus processos tenham números superiores, o Banco Central não informa se a numeração segue uma ordem cronológica.
Wynx Exchange e Onda Finance estão sob responsabilidade da Gerência Técnica em São Paulo, uma subunidade do Deorf. Da mesma forma, Masterpay e PFPay aparecem nessa unidade e possuem processos praticamente sequenciais. Já a W Brasil Comércio está vinculada a outra divisão do departamento.
Novas regras estabelecem prazo até outubro
O avanço dos processos ocorre durante a implementação da nova regulação para empresas de criptomoedas no Brasil. Em novembro de 2025, o Banco Central publicou as Resoluções BCB nº 519 , 520 e 521. As normas definiram regras de autorização e funcionamento e entraram em vigor em fevereiro de 2026.
As regras entraram em vigor em 2 de fevereiro. Empresas cripto que já operavam naquela data podem solicitar autorização até 30 de outubro e continuar funcionando enquanto o BC analisa o processo. Depois do prazo, ainda será possível pedir autorização, mas novos entrantes só poderão começar a operar após receber o aval, processo que pode levar de dois a três anos.
A diretriz é diferente para bancos, corretoras de valores e outras instituições que já são autorizadas pelo Bancen. Ao invés de novo processo de autorização, elas seguem um rito de comunicação, pelo qual informam ao regulador a prestação dos serviços com ativos virtuais e apresentam a documentação e as certificações exigidas pelas regras.
O Mercado Bitcoin (MB), plataforma de investimentos em ativos digitais líder na América Latina, corretora de criptomoedas, tokenizadora de ativos e banco digital, optou pela primeira diretriz. Apesar de já ter uma CTVM autorizada, pretende pedir a licença para a exchange original, que já operava antes da entrada em vigor das novas regras.
Segundo a ABToken, mais de 30 associadas pretendem solicitar autorização até o fim do prazo. Em contrapartida, algumas empresas deixaram o mercado brasileiro ou reduziram suas atividades diante do novo cenário. Ao longo de 2026, Bitnuvem, NovaDAX, Digitra e Coinext encerraram operações de varejo, geralmente citando dificuldades regulatórias.
Setor pode passar por nova reorganização
Portanto, os cinco processos representam um retrato inicial da reorganização do setor no Brasil. Com a proximidade do prazo de outubro, a fila de pedidos tende a aumentar. Dessa forma, os registros poderão indicar quais empresas pretendem permanecer no país sob supervisão direta do Banco Central.
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