Engie pode minerar Bitcoin em maior usina solar no Brasil

Com investimento de R$ 3,3 bilhões, Engie sofre com cortes de energia do ONS

A Engie Brasil Energia (EGIE3) avalia novas estratégias para implantação de sistemas de armazenamento de energia ou um centro de mineração de Bitcoin em sua usina solar Assu Sol de 895 MWp, no nordeste do Brasil. Essa iniciativa visa mitigar o impacto da limitação na receita do projeto. Desde 2023, os projetos solares e eólicos do Brasil enfrentam pressões de limitação devido à capacidade insuficiente da rede, ao rápido crescimento das instalações renováveis e à expansão da energia solar distribuída. A Engie está explorando o uso localizado de energia, incluindo mineração ou armazenamento, para aumentar as taxas de utilização.

Assú Sol enfrenta desafios com energia desperdiçada

Para minimizar prejuízos decorrentes dos cortes de geração que afetam seu maior complexo solar no Brasil, a Engie identificou que parte significativa da energia produzida não chega ao sistema devido às restrições operacionais aplicadas em horários de sobreoferta.

A segunda etapa dessa análise avaliou alternativas capazes de aproveitar a eletricidade que hoje é descartada. Entre elas, destaca-se o uso de mineração de Bitcoin como demanda local dentro do próprio empreendimento solar.

O complexo Assú Sol, localizado no Rio Grande do Norte, tornou-se o maior projeto solar da companhia francesa no mundo. O parque recebeu investimentos de R$ 3,3 bilhões e alcançou 753 megawatts de capacidade instalada. Além disso, conta com mais de 1,5 milhão de módulos fotovoltaicos, suficientes para suprir aproximadamente 850 mil consumidores.

No entanto, apesar da alta capacidade, parte da produção não é utilizada devido aos curtailments. Essas ordens de corte ocorrem para evitar sobrecarga ou excesso de energia na rede durante períodos de baixa demanda. Portanto, a rentabilidade do projeto foi diretamente afetada.

De acordo com Eduardo Sattamini, country manager da Engie no Brasil, os cortes têm impacto relevante sobre os resultados operacionais. Ele explicou que grandes empresas conseguem absorver esse problema com mais facilidade, mas companhias menores sofrem perdas mais significativas.

“Isso está impactando o retorno do projeto. Mas para nós, uma grande companhia com muitas tecnologias de geração, o impacto não é tão grande quanto para as menores”, disse, em conversa com jornalistas.

O cenário revela uma situação mais ampla no setor de renováveis. Desde 2023, usinas solares e eólicas enfrentam prejuízos bilionários devido ao crescimento acelerado de novos projetos e à dificuldade do sistema elétrico em absorver a oferta concentrada durante o dia. Assim, as restrições tornaram-se frequentes.

Mineração de Bitcoin surge como alternativa viável

Para contornar o problema, a Engie avalia duas soluções principais. A primeira é instalar sistemas de armazenamento em baterias, que seguram a energia produzida em horários de menor consumo. A segunda envolve a criação de data centers focados na mineração de Bitcoin, capazes de operar dentro do parque solar e consumir a energia excedente localmente.

Sattamini afirmou que a empresa já examina possíveis parceiros que possam viabilizar a infraestrutura necessária para esse tipo de operação. No entanto, ele destacou que a implementação exige acordos específicos e tempo de construção.

A adoção da mineração traria flexibilidade ao complexo Assú Sol, pois os data centers podem ajustar seu consumo conforme a disponibilidade energética. Além disso, a demanda local reduz a necessidade de escoamento da energia para o sistema, evitando novos cortes.

A empresa também indicou que não pretende expandir novos projetos solares enquanto o problema estrutural dos curtailments não for solucionado. Portanto, os investimentos futuros dependem de mudanças que garantam melhor aproveitamento da geração diurna.

Estratégias devem melhorar eficiência e reduzir perdas

As análises mostram que a combinação entre sobreoferta, limites operacionais e perdas financeiras pressiona o setor solar. Assim, tecnologias como baterias e mineração de Bitcoin aparecem como opções concretas para melhorar o uso da energia produzida.

Se a Engie adotar alguma dessas soluções, o complexo Assú Sol poderá operar de forma mais eficiente e com menor desperdício, fortalecendo a competitividade da empresa no mercado livre brasileiro.