Estrategista Yardeni vê ouro e S&P 500 em 10.000 até 2029
Edward Yardeni, estrategista veterano de Wall Street e responsável pela Yardeni Research, reiterou uma das projeções mais ambiciosas do mercado tradicional para o fim da década. Para ele, o ouro e o S&P 500 podem alcançar a marca de 10.000 até o fim de 2029.
Para o ouro, a estimativa implicaria mais do que dobrar em relação ao patamar citado na análise, próximo de US$ 4.500 por onça. Já o S&P 500, em níveis historicamente elevados, ainda precisaria avançar cerca de 30% a 40%, conforme o ponto de partida considerado.
Em nota enviada a clientes em 3 de dezembro de 2025, Yardeni manteve os dois alvos. Além disso, a avaliação integra sua tese mais ampla chamada “Roaring 2020s”. Desde cerca de 2020, essa leitura combina expansão econômica sustentada, crescimento dos lucros corporativos e ambiente favorável para ativos de risco.
Lucros corporativos sustentam a meta do índice
A meta de 10.000 pontos para o S&P 500 se apoia em dois pilares centrais. Em primeiro lugar, Yardeni projeta lucro por ação acima de US$ 450 até o fim da década. Em segundo lugar, ele considera a manutenção de um múltiplo preço/lucro de 22 vezes.
Além disso, o estrategista detalhou marcos intermediários para sustentar essa trajetória. Segundo sua projeção, o S&P 500 pode encerrar 2026 em 7.700 pontos. Assim, esse patamar funcionaria como uma etapa relevante antes de uma eventual chegada aos cinco dígitos.
Yardeni preservou essa visão otimista mesmo em meio a ruídos do cenário macroeconômico e político. Ainda assim, as projeções atravessaram o ciclo eleitoral dos Estados Unidos em 2024 e o período seguinte. A tese também resistiu a mudanças nas expectativas para a política monetária do Federal Reserve e a episódios de tensão geopolítica.
Por outro lado, a projeção para o ouro chama ainda mais atenção. Embora metas elevadas para índices acionários sejam comuns em Wall Street, a previsão de que o metal também chegue a US$ 10.000 por onça no mesmo período torna a tese menos convencional. Em termos percentuais, a alta representaria ganho superior a 120% em relação ao nível citado na análise.
Ouro ganha espaço na tese de Edward Yardeni
Na leitura de Edward Yardeni, a relação cíclica tradicionalmente inversa entre ouro e ações perdeu força ou passou por uma transformação. De acordo com o trabalho da Yardeni Research, há forte correlação entre as tendências de alta dos dois grupos de ativos. A expectativa é que esse comportamento continue nos próximos anos.
Na prática, o estrategista não enxerga necessariamente uma disputa direta entre proteção e risco no ciclo atual. Em vez disso, ele aponta para um cenário em que ações e ouro podem avançar ao mesmo tempo. Esse movimento dependeria de condições macroeconômicas favoráveis dentro da tese estrutural para os anos 2020.
Projeção também interessa ao mercado cripto
A análise também chama atenção pelo que deixa de fora. Não há menção a Bitcoin, criptomoedas ou ativos digitais na estrutura apresentada por Yardeni. Essa ausência é relevante porque, nos últimos anos, o Bitcoin passou a disputar com o ouro a narrativa de reserva de valor.
Nesse sentido, se o ouro realmente estiver a caminho de US$ 10.000, parte dos investidores do mercado de criptomoedas tende a questionar o que esse movimento poderia sinalizar para a trajetória do Bitcoin. Embora Yardeni não faça essa ponte de forma explícita, a comparação pode ganhar espaço entre gestores e investidores que acompanham ativos alternativos.
Outro ponto observado pelo mercado deve ser o marco projetado para 2026. Caso o S&P 500 atinja 7.700 pontos até o fim do ano, esse resultado reforçaria a tese mais ampla da Yardeni Research. Além disso, indicaria que as condições macroeconômicas usadas para sustentar os alvos do índice e do ouro seguem válidas.
Dessa forma, a projeção combina dois movimentos expressivos até 2029. De um lado, Yardeni vê o S&P 500 em 10.000, com lucro por ação acima de US$ 450 e múltiplo de 22 vezes. De outro, projeta o ouro em US$ 10.000 por onça, partindo de uma faixa próxima de US$ 4.500, conforme reiterado na nota a clientes de 3 de dezembro de 2025.