ETF de Bitcoin da BlackRock supera S&P 500 por pouco
O ETF de Bitcoin da BlackRock superou por margem estreita o desempenho do S&P 500 desde seu lançamento. No entanto, os investidores do fundo enfrentaram uma queda quase três vezes maior no período. A comparação mostra que retornos semelhantes podem esconder níveis de risco bastante diferentes.
O iShares Bitcoin Trust, conhecido pela sigla IBIT, rendeu 67,74% entre sua estreia, em 11 de janeiro de 2024, e 31 de agosto de 2026. Já o Vanguard S&P 500 ETF, ou VOO, acumulou retorno de 66,14%. Portanto, a vantagem do produto da BlackRock ficou em apenas 1,60 ponto percentual.
Os cálculos consideram o retorno total, com reinvestimento de dividendos, conforme os dados comparativos. Dessa maneira, a análise incorpora os ganhos distribuídos pelos fundos ao longo de todo o intervalo.
Retornos próximos escondem trajetórias muito diferentes
A vantagem reduzida surgiu após o Bitcoin atingir uma máxima histórica e devolver boa parte dos ganhos durante uma queda prolongada. Assim, os dois fundos chegaram ao fim do período com resultados próximos. Ainda assim, os cotistas enfrentaram experiências muito distintas.
Em 1º de setembro, Eric Balchunas, analista sênior de ETFs da Bloomberg, afirmou no X que considerava surpreendente a liderança do IBIT. O especialista também destacou que a diferença entre os produtos permanecia pequena.
“É difícil acreditar que o IBIT está superando o VOO desde o início, mas é verdade.”
Balchunas comparou a trajetória do IBIT até um ganho próximo de 70% à montanha-russa El Toro, do Six Flags Great Adventure. Por outro lado, ele descreveu a valorização do VOO como um passeio no parque. A comparação ilustra a forte oscilação enfrentada pelos investidores do fundo de Bitcoin.
O analista considerou o resultado ainda mais surpreendente diante do sentimento pessimista que dominou o Bitcoin entre outubro de 2025 e julho de 2026. Por isso, o retorno acumulado não representa sozinho a experiência dos cotistas. O risco assumido durante o período também precisa entrar na comparação.
Queda máxima do IBIT chegou a 53,30%
A diferença aparece com mais clareza nas quedas máximas dos dois ETFs. O IBIT recuou 53,30% entre 6 de outubro de 2025 e 30 de junho de 2026. Enquanto isso, a maior queda do VOO no intervalo comparado foi de 18,69%.
O recuo do fundo da Vanguard ocorreu entre 19 de fevereiro e 8 de abril de 2025. Na prática, a queda máxima do IBIT foi quase três vezes maior. Seus investidores, portanto, precisaram suportar uma perda superior à metade do valor registrado no pico.
Embora os retornos finais tenham ficado próximos, o histórico de preços do Bitcoin explica a diferença de volatilidade. O BTC era negociado perto de US$ 47.000 quando os ETFs spot estrearam nos Estados Unidos, em janeiro de 2024. Depois, o preço avançou para uma máxima histórica próxima de US$ 126.000 em 2025.
A valorização ocorreu após a vitória eleitoral de Donald Trump. Contudo, o Bitcoin caiu para cerca de US$ 58.000 em 2026, antes de se recuperar para aproximadamente US$ 77.000. Com isso, a reversão eliminou grande parte da vantagem construída pelo IBIT durante a escalada até o recorde.
IBIT e VOO operam em escalas e mercados distintos
Apesar da volatilidade, Wall Street ampliou de forma substancial a infraestrutura financeira em torno do Bitcoin. A BlackRock recomendou uma alocação de 2% em BTC para investidores interessados em diversificação e potencial de retorno no longo prazo. Além do risco, a comparação envolve fundos em estágios de maturidade muito diferentes.
O IBIT, atualmente o maior ETF spot de Bitcoin, administra cerca de US$ 60 bilhões em ativos. Desde sua estreia, o produto da BlackRock recebeu aproximadamente US$ 63 bilhões em entradas. Em menos de três anos, o fundo alcançou uma escala obtida por poucos ETFs recém-lançados.
Em contraste, o VOO opera em outra dimensão no mercado de ações. O fundo da Vanguard acompanha o S&P 500 e oferece exposição ampla a empresas americanas de grande capitalização. Dessa forma, ele representa uma carteira diversificada, enquanto o IBIT acompanha diretamente o desempenho do Bitcoin.
Em junho de 2026, o VOO ultrapassou US$ 1 trilhão em ativos líquidos. Com essa marca, tornou-se o primeiro ETF a alcançar esse patamar. A comparação reforça que o retorno do período foi semelhante, mas a volatilidade e a estrutura dos produtos permaneceram muito diferentes.