ETFs de Bitcoin atraem US$ 1 bi; BlackRock lidera

Os ETFs de Bitcoin atraíram mais de US$ 1 bilhão em novos aportes durante três dias. Com isso, a cotação da criptomoeda manteve a alta e se aproximou de US$ 73 mil.

Os fluxos para esses produtos negociados em bolsa reforçaram o avanço do mercado. Ao mesmo tempo, o movimento coincidiu com uma melhora relevante no sentimento dos investidores.

BlackRock lidera entradas nos fundos de Bitcoin

Dados da Farside Investors mostram um forte crescimento dos aportes em ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos. Somente na quarta-feira, produtos administrados por BlackRock, Fidelity e Grayscale receberam mais de US$ 500 milhões.

Essas empresas estão entre as principais gestoras dos ETFs vinculados ao preço à vista do Bitcoin. Os produtos começaram a operar no mercado norte-americano após a aprovação regulatória concedida no início de 2024.

Entre os fundos, o iShares Bitcoin Trust, da BlackRock, concentrou a maior parcela das entradas semanais. Desde segunda-feira, o fundo recebeu US$ 588,5 milhões em novos recursos.

Por sua vez, produtos operados por outras instituições também registraram volumes expressivos de negociação. O Bitcoin Trust da Morgan Stanley apareceu entre eles, mas os dados não detalharam o valor de suas entradas.

Bitcoin avança enquanto sentimento melhora

Na quinta-feira, o preço do Bitcoin chegou brevemente a US$ 72.659. Depois, a cotação recuou para US$ 72.606, mas preservou grande parte do avanço recente.

O desempenho representou uma valorização de 10% nas 24 horas anteriores. Ainda assim, o Bitcoin permanecia mais de 40% abaixo da máxima histórica de US$ 126.080, registrada em outubro de 2025.

Enquanto os aportes cresciam, o sentimento dos investidores mudou para uma direção mais positiva. O Índice de Medo e Ganância mostrou a saída da zona de medo e o avanço para uma faixa mais otimista.

Nesse contexto, as entradas nos ETFs indicaram uma recuperação da demanda institucional. Contudo, os fluxos diários podem variar e não garantem a continuidade da valorização.

Clarity Act ganha espaço no debate regulatório

Na quarta-feira, o presidente Donald Trump recebeu executivos do setor de criptomoedas e autoridades regulatórias na Casa Branca. Entre os participantes estavam Brian Armstrong, CEO da Coinbase, e Paul Atkins, presidente da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos.

Durante o encontro, os participantes discutiram o Clarity Act. O projeto busca estabelecer diretrizes legais mais claras para os ativos digitais nos Estados Unidos.

Após a reunião, Trump classificou a proposta como uma legislação “muito, muito poderosa”. Também pediu que o Congresso avance com sua aprovação.

A proposta pretende estabelecer critérios para enquadrar ativos digitais como valores mobiliários, commodities ou stablecoins de pagamento. Dessa forma, o texto busca reduzir incertezas regulatórias enfrentadas pelas empresas do setor.

Trump pediu aos parlamentares que aprovem o Clarity Act e destacou a importância de regras claras para o mercado de criptomoedas.

A Câmara dos Representantes aprovou a legislação no ano passado. No entanto, a tramitação perdeu ritmo neste ano, e uma nova votação é esperada para setembro.

Empresas de criptomoedas defendem há anos uma estrutura regulatória mais clara no país. Para essas companhias, regras definidas podem estimular a inovação e facilitar a conformidade legal.

Minidicionário: Clarity Act é um projeto de lei dos Estados Unidos voltado à criação de um marco regulatório para ativos digitais. A proposta estabelece critérios para categorias como valores mobiliários, commodities e stablecoins de pagamento.

Recompras de dívida favorecem Bitcoin e ouro

O mercado também reagiu aos planos do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos para ampliar as recompras de dívida pública. A expectativa é que a medida reduza os rendimentos dos títulos do Tesouro de longo prazo.

Quando esses rendimentos recuam, instrumentos que não pagam juros podem se tornar mais atraentes. Por essa razão, Bitcoin e ouro registraram valorização após o anúncio.

Além do impacto sobre os títulos, o dólar americano perdeu força no período. Esse movimento ofereceu suporte adicional aos investimentos de maior risco, incluindo o mercado de criptomoedas.

Assim, o avanço do Bitcoin ocorreu em meio a uma combinação de fatores institucionais, regulatórios e macroeconômicos. As entradas nos ETFs, porém, permaneceram como o principal destaque dos três dias.