ETFs de Bitcoin perdem US$ 729 milhões em dois dias
Investidores dos Estados Unidos retiraram US$ 729 milhões dos ETFs de Bitcoin à vista em dois dias. O movimento ocorreu na quarta-feira e na quinta-feira e pressionou o preço da principal criptomoeda. Antes disso, os fundos haviam registrado uma breve retomada das compras na terça-feira.
Produtos administrados por BlackRock, Fidelity, Morgan Stanley e ARK 21Shares concentraram retiradas relevantes nos dois pregões. Ao todo, os fluxos indicaram uma mudança na postura dos investidores americanos. Assim, a pressão vendedora voltou a influenciar o mercado após o intervalo positivo.
No início da semana, investidores venderam quase US$ 90 milhões em cotas desses fundos. Contudo, as entradas chegaram a quase US$ 119 milhões na terça-feira. Depois, as retiradas voltaram a predominar e apagaram a recuperação anterior.
Juros e conflitos aumentam a pressão sobre o mercado
As saídas ocorreram após notícias de que o Federal Reserve poderia elevar as taxas de juros. Além disso, o petróleo Brent avançou após novos ataques a petroleiros no Estreito de Ormuz. Com isso, investidores reduziram a exposição a segmentos considerados mais arriscados.
Ao mesmo tempo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou que as conversas com o Irã não avançavam. Dessa forma, o mercado passou a considerar a continuidade da guerra no Oriente Médio. A perspectiva reforçou as preocupações geopolíticas que afetam o Bitcoin neste ano.
Na ocasião, a cotação do Bitcoin permanecia pouco acima de US$ 82.688. A criptomoeda acumulava uma queda superior a 3% em sete dias. Apesar disso, o preço avançava quase 2% nas últimas 24 horas.
Na semana anterior, o Bitcoin chegou perto de US$ 90.000 durante uma rápida valorização. Enquanto isso, investidores aguardavam retornos consistentes no período conhecido como Uptober. Historicamente, outubro costuma apresentar resultados favoráveis aos especuladores de Bitcoin.
Alta do petróleo influencia as expectativas para os juros
Neste ano, o preço do Bitcoin demonstrou sensibilidade aos riscos geopolíticos. Sobretudo, a reação ganhou força depois que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. Como consequência, os preços do petróleo registraram alta.
Em geral, a valorização do petróleo amplia as preocupações com a inflação. Por sua vez, esse cenário leva investidores a considerarem novos aumentos de juros pelo Federal Reserve. Juros mais altos reduzem a liquidez disponível para sustentar a demanda por Bitcoin.
Portanto, a relação entre petróleo, inflação e política monetária ajuda a explicar a cautela recente. Porém, esse efeito não ocorre de maneira uniforme em todos os períodos. Outros fatores também podem influenciar o comportamento dos investidores e o preço da criptomoeda.
Bitcoin permanece abaixo da máxima histórica
No mês anterior, o Federal Reserve adotou um discurso mais duro contra a inflação. Além disso, o banco central americano elevou os juros em 0,25 ponto percentual. Mesmo assim, o Bitcoin avançou nos dias seguintes à decisão.
Na ocasião mencionada, o Bitcoin permanecia 34% abaixo da máxima histórica de US$ 126.080, alcançada em outubro. Ainda assim, a recuperação das últimas 24 horas amenizou parte das perdas semanais. O desempenho mostrou que a reação do mercado aos juros pode variar conforme o contexto.
Durante a maior parte de 2026, a criptomoeda atravessou um mercado de baixa. Já as recuperações registradas em agosto e setembro alteraram parcialmente essa percepção. Analistas passaram a identificar mais evidências de um mercado de alta, apesar da distância em relação ao recorde.
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