ETFs de Bitcoin podem triplicar ETFs de ouro

Os ETFs de Bitcoin podem alcançar três vezes o volume de ativos administrados pelos ETFs de ouro. A projeção é de Eric Balchunas, analista sênior de ETFs da Bloomberg. Segundo ele, investidores mais jovens poderão impulsionar essa mudança conforme ampliarem seu patrimônio. Atualmente, a volatilidade do Bitcoin ainda limita essa expansão, mas o comportamento pode mudar com o amadurecimento do mercado.

Fundos de Bitcoin ganharam espaço desde 2024

Os ETFs de Bitcoin à vista estrearam nos Estados Unidos em 2024, após uma década de recusas da Comissão de Valores Mobiliários, a SEC. Desde então, os produtos registraram o lançamento mais bem-sucedido da história do setor de ETFs. Juntos, eles administram quase US$ 100 bilhões, conforme os dados da Coinglass. Para Balchunas, esse crescimento pode continuar à medida que o Bitcoin amadurecer no mercado financeiro.

“Acredito que os ETFs de Bitcoin vão triplicar o ouro em ativos. À medida que investidores jovens tiverem mais dinheiro e crescerem com o Bitcoin como reserva de valor, acredito que os ETFs de Bitcoin triplicarão o ouro em ativos.”

O analista comparou o estágio atual do Bitcoin ao de um adolescente diante da longa história do ouro. Conforme Balchunas, o metal tem 5 mil anos e recebeu 450 menções na Bíblia. Por outro lado, o Bitcoin tem apenas 17 anos. Portanto, ele considera que a tecnologia ainda atravessa uma fase inicial de sua trajetória como reserva de valor.

Investidores jovens podem acelerar a mudança

Balchunas também relacionou a possível adoção do Bitcoin aos gastos governamentais elevados e ao aumento do custo de vida. Na visão dele, integrantes da Geração Z respondem aos déficits públicos e à inflação apoiando políticos socialistas. Contudo, o analista argumenta que o Bitcoin pode representar uma alternativa porque o governo não consegue confiscá-lo. Essa afirmação reflete a avaliação de Balchunas sobre as características de resistência à censura da tecnologia.

Ao mesmo tempo, investidores parecem priorizar a possível proteção oferecida pelo Bitcoin contra a desvalorização das moedas. Essa estratégia, chamada de operação de desvalorização monetária, ganhou força em 2025 e voltou a se popularizar em 2026. Nesse contexto, investidores compram instrumentos sem rendimento, como ouro e Bitcoin, enquanto o dólar perde força. Assim, ambos passam a disputar espaço nas estratégias voltadas à preservação de patrimônio.

Menor volatilidade pode atrair instituições

Balchunas destacou que o Bitcoin registrou em 2025 o ano menos volátil de sua curta história. Ainda assim, suas oscilações continuam relevantes para instituições que avaliam o uso do ativo como reserva de valor. Conforme a volatilidade e a correlação se aproximarem dos padrões do ouro, o analista espera maior interesse institucional. Esse movimento poderia ampliar significativamente os recursos destinados aos ETFs de Bitcoin.

“Quando essa volatilidade e correlação se aproximarem das do ouro, atenção”, afirmou Balchunas. Para o analista, esse seria um ponto de inflexão na avaliação das grandes instituições. Dessa forma, o Bitcoin poderia ganhar reconhecimento como reserva de valor confiável e possível porto seguro. A projeção, porém, depende do amadurecimento do mercado e da redução consistente das oscilações.

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