ETFs de Bitcoin reduzem saídas após queda de 40%
Os ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos caminham para reverter as saídas acumuladas em 2026, mesmo após uma queda de cerca de 40% no preço do ativo nos últimos seis meses. Ainda assim, o movimento chama atenção, pois sugere uma resiliência acima do esperado em comparação com outras classes de ativos em períodos de forte correção.
Conforme dados compartilhados pelo analista de ETFs da Bloomberg, Eric Balchunas, os fluxos agregados voltaram a crescer nas últimas semanas. Atualmente, o saldo negativo no ano gira em torno de US$ 140 milhões. No entanto, o ritmo recente de entradas indica que esse valor pode ser neutralizado em breve.
Além disso, apenas no último mês, os ETFs de Bitcoin registraram entradas de aproximadamente US$ 2,59 bilhões. Dessa forma, o comportamento dos investidores indica uma mudança relevante mesmo diante da volatilidade recente do mercado.
Entradas ganham força apesar da volatilidade
IBIT lidera recuperação entre os fundos
No centro desse movimento está o IBIT, ETF da BlackRock. O fundo acumula cerca de US$ 1,32 bilhão em entradas líquidas no ano. Assim, posiciona-se entre os ETFs com melhor desempenho em fluxos no período. Além disso, somente no último mês, o IBIT recebeu cerca de US$ 2,23 bilhões, enquanto na última semana adicionou mais US$ 212 milhões.
Em contrapartida, outros produtos ainda enfrentam pressão. O FBTC, da Fidelity, registra saídas de aproximadamente US$ 1,13 bilhão no acumulado anual. Já o ARKB, da ARK Invest, apresenta retirada de US$ 193 milhões, enquanto o GBTC, da Grayscale, soma saídas de cerca de US$ 730 milhões.

Fonte: X @EricBalchunas
Apesar disso, o quadro geral mostra melhora. Produtos como BITB, BTC e HODL já apresentam entradas positivas no ano. Além disso, ETFs menores, como EZBC e BRRR, adicionaram dezenas de milhões de dólares em demanda líquida. Como resultado, o mercado absorveu a pressão inicial de vendas e se aproxima de um ponto de equilíbrio.
Resiliência chama atenção no mercado
Comparação com ouro destaca comportamento distinto
Segundo Eric Balchunas, esse comportamento é incomum diante de uma queda de aproximadamente 40% em seis meses. De fato, os ETFs já acumulam cerca de US$ 2,5 bilhões em entradas no mês. Assim, mais alguns dias positivos podem zerar as perdas registradas no ano.
“É uma demonstração impressionante de resistência diante de uma queda de 40% em seis meses e de um ambiente de forte pressão negativa na mídia”, afirmou o analista.
Além disso, Balchunas comparou o movimento com o ouro em um período semelhante. Na ocasião, quando o metal recuou em magnitude comparável, cerca de um terço dos investidores reduziu exposição. Por outro lado, os investidores em ETFs de Bitcoin demonstraram maior tolerância à volatilidade.
No entanto, essa diferença não indica que o Bitcoin seja mais estável que o ouro. Em vez disso, sugere perfis distintos de investidores. Em outras palavras, trata-se de um ativo com características híbridas dentro dos portfólios.
De acordo com o analista, a correlação do Bitcoin com ações gira em torno de 0,45. Portanto, o ativo não se comporta integralmente como renda variável nem como reserva de valor tradicional. Ainda assim, ambos os ativos tendem a ser avaliados sob uma perspectiva de longo prazo.

Fonte: TradingView
No momento da publicação, o Bitcoin era negociado próximo de US$ 71.322. Em conclusão, os dados indicam que, apesar da forte correção recente, os ETFs voltaram a atrair capital. Isso reduz as perdas no ano e reforça o papel crescente desses produtos no mercado institucional.