ETFs de Bitcoin têm saída de US$ 82,2 mi após Fed
Os ETFs spot de Bitcoin negociados nos Estados Unidos fecharam 17 de junho com saída líquida de US$ 82,2 milhões. Ainda assim, os dados por fundo mostraram um mercado mais seletivo. A Farside Investors mostrou que parte dos emissores perdeu recursos, enquanto outros ainda atraíram capital no mesmo pregão.
O ARKB liderou as saídas, com US$ 43,5 milhões. Em seguida, vieram IBIT, com US$ 30,8 milhões, e GBTC, com US$ 15,5 milhões. Além disso, BTCO perdeu US$ 6,4 milhões, enquanto HODL registrou retirada de US$ 4,1 milhões. Por outro lado, FBTC recebeu US$ 14 milhões e MSBT captou US$ 4,1 milhões. Dessa forma, o saldo consolidado negativo não refletiu uma fuga uniforme de toda a categoria.
Fed mantém juros e endurece projeções para 2026
O pano de fundo macroeconômico pesou sobre os fluxos. O Federal Reserve manteve a faixa-alvo dos Fed funds entre 3,50% e 3,75% em 17 de junho. Ao mesmo tempo, o banco central reconheceu que a inflação segue elevada em relação à meta de 2%.
Contudo, a principal mudança apareceu nas projeções oficiais. O Summary of Economic Projections de junho elevou a mediana da taxa de juros para 2026 a 3,8%, acima dos 3,4% estimados em março. Além disso, a projeção mediana para a inflação PCE em 2026 subiu de 2,7% para 3,6%.
Em termos práticos, esse ajuste reduz o apelo de ativos de risco. Quando o mercado espera política monetária mais frouxa, os ETFs spot de Bitcoin costumam ganhar tração. Afinal, esses produtos oferecem acesso regulado ao ativo em contas tradicionais. No entanto, quando a trajetória de juros fica mais rígida, eles podem virar o canal mais rápido para reduzir exposição.
Preço do Bitcoin reforça leitura cautelosa
O próprio Bitcoin já operava em ambiente mais fraco. Em 18 de junho, o ativo era negociado perto de US$ 63.918, com queda de 1,14% em 24 horas. Além disso, o valor de mercado rondava US$ 1,28 trilhão, enquanto a dominância atingia 58,2%. Nesse sentido, a distribuição dos fluxos entre emissores ajuda mais do que o número agregado a medir o real apetite do investidor.
| Fundo | Fluxo líquido em 17 de junho | Direção |
|---|---|---|
| ARKB | -US$ 43,5 milhões | Saída |
| IBIT | -US$ 30,8 milhões | Saída |
| GBTC | -US$ 15,5 milhões | Saída |
| BTCO | -US$ 6,4 milhões | Saída |
| HODL | -US$ 4,1 milhões | Saída |
| FBTC | +US$ 14,0 milhões | Entrada |
| MSBT | +US$ 4,1 milhões | Entrada |
| Total | -US$ 82,2 milhões | Saída líquida |
Demanda por ETFs de Bitcoin se divide entre emissores
Os números também evidenciam uma mudança rápida de humor. Em 16 de junho, o grupo havia registrado entrada líquida de US$ 10,2 milhões. Um dia depois, porém, o saldo virou para saída de US$ 82,2 milhões. Ainda assim, a pressão se concentrou principalmente em ARKB e IBIT, enquanto o GBTC continuou perdendo recursos.
Ao mesmo tempo, FBTC e MSBT fecharam o dia no positivo, enquanto vários outros produtos ficaram estáveis. Assim, o quadro difere de sessões em que todos os ETFs perdem recursos ao mesmo tempo. Em vez de uma retirada homogênea da classe, os dados apontam seletividade por produto, emissor e canal de distribuição.
Essa fragmentação também enfraquece uma leitura baseada apenas em taxas. É verdade que o GBTC cobra 1,50%, valor bem acima de muitos concorrentes. Ainda assim, em 17 de junho, as saídas não se limitaram ao fundo mais caro. Pelo contrário, ETFs com taxas menores apareceram dos dois lados do balanço. IBIT e ARKB caíram, enquanto FBTC e MSBT avançaram.
Rotação entre produtos ganha força
Portanto, a diferenciação entre os fundos vai além do custo. A preferência do investidor pode refletir o emissor, a liquidez, a plataforma de distribuição ou o canal de acesso na conta de investimento. Em outras palavras, o mercado de ETFs de Bitcoin reagiu de forma assimétrica ao estresse macroeconômico gerado pela nova sinalização do Federal Reserve.
Outro ponto central envolve a mecânica dos resgates. Desde que a Securities and Exchange Commission aprovou, em julho de 2025, criações e resgates in-kind para produtos negociados em bolsa ligados a criptoativos, o processo ficou mais próximo do modelo usado em outros ETPs de commodities.
Com isso, nem todo resgate exige venda imediata em dinheiro do ativo subjacente no mesmo dia. Em alguns casos, o processo pode ocorrer in-kind, embora os emissores ainda possam vender Bitcoin quando a estrutura do fundo exigir. Assim sendo, o fluxo diário continua relevante para medir apetite ou aversão ao risco. Porém, ele não equivale automaticamente a pressão de venda idêntica no mercado spot.
Por fim, o resultado de 17 de junho indica mais um teste de resistência da demanda do que uma prova direta de liquidação generalizada. Se as próximas sessões ampliarem as saídas para FBTC, MSBT e fundos hoje estáveis, a leitura ficará mais negativa. No entanto, se a pressão continuar concentrada em alguns emissores, o cenário apontará rotação entre produtos sob juros projetados mais altos e inflação PCE em alta.