Ethereum: 100 mil ETH saem da BitGo para baleias
O Ethereum segue em consolidação abaixo de US$ 2.400 nas últimas semanas. Ainda assim, o ativo forma uma base técnica relevante, o que sustenta expectativas de rompimento. Ao mesmo tempo, dados on-chain recentes ajudam a refinar a leitura do mercado.
Dados da Arkham Intelligence indicam que três carteiras recém-criadas, possivelmente ligadas à Bitmine, receberam 100.000 ETH da custodiante institucional BitGo. O montante equivale a cerca de US$ 233,7 milhões em uma única movimentação, o que chama atenção tanto pelo volume quanto pelo contexto estratégico.
Movimentações dessa magnitude raramente ocorrem de forma isolada. Como resultado, transferências para carteiras novas costumam indicar aquisições estruturadas, e não simples rebalanceamentos. Além disso, o volume representa parcela relevante da oferta líquida, sobretudo porque a Bitmine já mantém posição expressiva em staking.
Nesse sentido, o fluxo institucional pode influenciar a estrutura de mercado. Enquanto o preço testa níveis técnicos importantes, investidores monitoram o destino e o uso desses ativos.
Bitmine amplia exposição ao Ethereum
Em 19 de abril de 2026, a Bitmine detinha aproximadamente 4.976.485 ETH, o equivalente a cerca de 4,12% da oferta circulante. Com isso, a empresa figura como a maior tesouraria corporativa de Ethereum.
Staking sustenta geração de receita
Desse total, cerca de 3.334.637 ETH estão alocados em staking por meio da rede de validadores MAVAN. Como resultado, a empresa gera uma receita anual estimada em US$ 221 milhões. Assim, a estratégia vai além da valorização do ativo, incorporando renda recorrente via infraestrutura.
Além disso, o ritmo recente de aquisições reforça a tese de longo prazo. Enquanto outras tesourarias reduziram exposição diante da volatilidade, a Bitmine acelerou compras e ultrapassou 100.000 ETH adquiridos em apenas uma semana, o maior volume semanal de 2026.
Segundo o chairman Tom Lee, o atual ciclo de baixa pode estar próximo do fim. Ele argumenta que, historicamente, quedas mais profundas no mercado cripto coincidem com correções mais intensas no mercado de ações, cenário que ainda não se confirmou.
Caso esse ritmo seja mantido, a empresa pode atingir a marca de 5% da oferta total de Ethereum até meados de 2026. Como consequência, a liquidez disponível no mercado tende a diminuir.
Ethereum enfrenta zona crítica de resistência
Do ponto de vista técnico, o Ethereum tenta se sustentar acima de US$ 2.300 após meses de volatilidade. Desde fevereiro, quando recuou até US$ 1.800, o ativo apresenta recuperação gradual no gráfico semanal.
Níveis técnicos orientam próximos movimentos
Desde então, o ativo passou a formar mínimas mais altas, um padrão típico de acumulação inicial. No entanto, a tendência ainda carece de confirmação mais robusta.

Atualmente, o preço enfrenta resistência entre US$ 2.300 e US$ 2.600, faixa onde se concentram as médias móveis de 100 e 200 semanas. Historicamente, esse intervalo define mudanças de tendência, já que tentativas anteriores resultaram em rejeição.
Além disso, o volume recente levanta cautela. Enquanto a queda de fevereiro ocorreu com forte pressão vendedora, a recuperação apresenta menor intensidade. Isso sugere menor convicção compradora no curto prazo.
Por outro lado, se o Ethereum sustentar níveis acima de US$ 2.300, o próximo alvo técnico se aproxima de US$ 2.800. Em contrapartida, a perda desse suporte recoloca a região de US$ 2.000 no radar.
Em conclusão, a combinação entre acumulação institucional e teste de resistências técnicas coloca o Ethereum em um ponto decisivo. O comportamento dessas grandes posições tende a influenciar diretamente os próximos movimentos do mercado.