Ethereum avança com upgrade para impedir censura

O Ethereum se prepara para uma das atualizações mais relevantes de sua história com a introdução do mecanismo Fork-Choice Enforced Inclusion Lists, conhecido como FOCIL. A proposta recebeu apoio direto de Vitalik Buterin e integra o hard fork Hegota, previsto para ocorrer na segunda metade de 2026. O foco é reforçar a neutralidade da rede e eliminar riscos de censura durante o processo de validação.

O FOCIL exige que validadores incluam todas as transações válidas, evitando filtragens motivadas por pressões externas ou exigências regulatórias. Além disso, o recurso opera em sinergia com o EIP‑8141, que fortalece o papel de contas inteligentes e protocolos de privacidade dentro do ecossistema.

Impacto do FOCIL na neutralidade e segurança da rede

A proposta EIP‑7805 foi confirmada durante uma reunião All Core Devs liderada por Alex Stokes em 19 de fevereiro. Durante o encontro, participantes explicaram que o mecanismo busca reduzir riscos de centralização associados ao atual modelo de produção de blocos. No entanto, o tema ganhou força após as sanções do OFAC direcionadas ao Tornado Cash, quando validadores passaram a remover grande parte de blocos que continham interações com o protocolo.

Essa situação demonstrou vulnerabilidades importantes. Por isso, especialistas defendem que um sistema automático capaz de rejeitar blocos que ignorem transações válidas é essencial para preservar a neutralidade da camada base. Assim, a regra garante que a rede opere de forma consistente, independentemente das jurisdições onde validadores estejam localizados.

O upgrade também deve tornar mais previsível o tempo de inclusão das transações enviadas ao mempool público. Portanto, operações em ETH, interações com contas inteligentes, transações patrocinadas por gas e protocolos de privacidade passam a seguir um fluxo mais estável.

Vitalik Buterin detalha o funcionamento interno da proposta

Em uma análise recente, Vitalik Buterin destacou que o FOCIL oferece inclusão rápida e resistente à censura ao utilizar 17 atores aleatórios por slot para compor listas de transações. Além disso, ele enfatizou que a integração com o EIP‑8141 transforma protocolos de privacidade e contas inteligentes em partes estruturais da rede, permitindo desde mudanças de chave até patrocínio de gas.

Segundo Buterin, sempre que um validador ignorar transações válidas da lista, a cadeia se desvia automaticamente daquele bloco, preservando a integridade do consenso.

Essa resposta técnica aborda críticas ligadas a visões sobre soberania digital e reforça o compromisso com uma infraestrutura descentralizada e resistente a interferências externas. Observadores afirmam que a solução tende a padronizar os tempos de inclusão para qualquer transação presente no mempool.

Reação da comunidade e possíveis reflexos no mercado

A comunidade de desenvolvedores demonstra opiniões divididas sobre a complexidade do hard fork Hegota. O programador Tim Clancy argumentou que o FOCIL é essencial para manter a neutralidade do espaço de blocos. Entretanto, alguns analistas apontam possíveis tensões com reguladores dos Estados Unidos caso validadores passem a processar fundos associados a endereços sancionados.

Enquanto isso, o mercado segue reagindo de maneira moderada. O Ether permaneceu estável em meio às especulações sobre o cronograma de implementação. Antes do Hegota, a rede ainda deve passar pelo hard fork Glamsterdam, que introduzirá ajustes no modelo de separação entre proponentes e construtores de blocos.

Em meio às discussões técnicas, especialistas observam que o avanço de mecanismos focados em resistência à censura fortalece a estrutura do Ethereum e molda expectativas para o curto prazo. Além disso, o movimento tende a consolidar padrões operacionais mais previsíveis para transações de todos os tipos.

No panorama internacional, desenvolvedores avaliaram o impacto do FOCIL ao discutir como o modelo pode expandir a segurança da rede ao mesmo tempo em que reduz riscos de captura regulatória.