Ethereum cai apesar de forte demanda, diz CryptoQuant

O Ethereum voltou a recuar na sexta-feira, 22 de maio, após vários dias de consolidação. Como resultado, a segunda maior criptomoeda caiu cerca de 6,2%, formando um fundo local próximo de US$ 2.020.

Apesar de uma estrutura técnica aparentemente baixista, dados on-chain recentes apontam atividade relevante de compra. Ainda assim, o preço segue pressionado. Nesse sentido, diferentes indicadores ajudam a explicar por que a demanda não tem sido suficiente para impulsionar a valorização.

Compradores atuam, mas preço não reage

Em análise publicada na CryptoQuant, o analista on-chain Carmelo Alemán detalhou os fatores por trás da fraqueza recente. Segundo ele, a queda não decorre de falta de interesse no mercado à vista.

Em primeiro lugar, o indicador Spot Taker CVD mostra predominância de compradores agressivos. Em outras palavras, há mais ordens de compra sendo executadas do que de venda. Ainda assim, o preço não respondeu de forma consistente.

Preço do Ethereum

Fonte: CryptoQuant

Enquanto o indicador apontava força compradora, o Ethereum caiu de US$ 2.339 em 11 de maio para cerca de US$ 2.065 em 22 de maio. Dessa forma, fica evidente um desalinhamento entre demanda e preço.

Além disso, o volume de negociações no mercado à vista apresentou queda relevante. Desde 11 de maio, o volume recuou de 470.770 ETH para 256.963 ETH, uma retração superior a 45%.

Em termos financeiros, a redução foi ainda mais expressiva. O volume caiu de US$ 1,10 bilhão para US$ 521,4 milhões, equivalente a uma queda de aproximadamente 52,65%. Portanto, mesmo com compradores ativos, a menor liquidez limita movimentos de alta.

Excesso de oferta mantém pressão

Segundo Alemán, a principal explicação está no excesso de oferta disponível. Ou seja, a pressão vendedora ainda supera a demanda, mesmo diante de compras consistentes.

Assim, o mercado absorve as ordens de compra sem gerar impacto positivo relevante no preço. Esse cenário reforça a predominância de curto prazo da tendência de baixa.

Derivativos e fluxo em exchanges mostram divergência

No mercado de derivativos, os sinais são mistos. Por um lado, o Open Interest do Ethereum permaneceu praticamente estável, passando de US$ 15,43 bilhões para US$ 15,54 bilhões, alta de apenas 0,69%.

Por outro lado, o Futures CVD indica predominância de posições compradas. Além disso, as taxas de financiamento seguem positivas desde 11 de maio, indicando que investidores comprados pagam para manter suas posições.

No entanto, o preço não acompanha esse otimismo, o que sugere fragilidade estrutural no curto prazo.

Outro dado relevante envolve o fluxo líquido nas exchanges. O Ethereum registrou Exchange Netflow negativo acumulado de cerca de -80.507 ETH, indicando retirada de ativos das corretoras.

Em geral, esse movimento reduz a pressão de venda e tende a ser positivo. Contudo, neste caso, o efeito não se refletiu no preço, indicando que outros fatores continuam predominando.

Níveis técnicos e possíveis cenários

De acordo com o analista, o Ethereum precisa recuperar volume no mercado à vista e romper resistências relevantes para reverter o quadro atual.

Até que o Ethereum recupere volume no mercado à vista, rompa resistências e confirme uma expansão saudável nos derivativos, a pressão baixista deve continuar predominante. No curto prazo, o preço pode testar o suporte em US$ 1.984 e, se esse nível for perdido, o próximo alvo pode ser US$ 1.937.

No momento da redação, o Ethereum é negociado a US$ 2.114, com alta superior a 2% nas últimas 24 horas. Ainda assim, o cenário permanece cauteloso.

Em conclusão, embora haja presença consistente de compradores e retirada de ETH das exchanges, fatores como queda no volume spot, estabilidade no Open Interest e excesso de oferta seguem limitando a recuperação. Como resultado, o mercado mantém um equilíbrio frágil, com viés baixista no curto prazo.