Ethereum cai com saídas de ETFs e pressão técnica

O Ethereum recuou para a região de US$ 1.868 após perder o suporte de US$ 1.900, movimento que reforçou a pressão vendedora no mercado. Além disso, o ativo passou a operar abaixo de médias móveis importantes, o que ampliou o sentimento negativo entre traders e investidores institucionais.

Saídas de ETFs ampliam a pressão sobre o preço

Os ETFs de Ethereum à vista registraram US$ 43 milhões em saídas líquidas em 27 de fevereiro, segundo dados da SoSoValue. O ETHA, da BlackRock, respondeu sozinho pelo volume retirado, enquanto os demais fundos permaneceram estáveis. O fluxo negativo interrompeu três dias de entradas consecutivas que haviam somado mais de US$ 170 milhões.

No entanto, o movimento superou até mesmo as saídas dos ETFs de Bitcoin, que somaram US$ 27,55 milhões no mesmo período. Assim, tornou-se evidente que a redução de exposição ao Ethereum ocorre de forma mais intensa, especialmente após o rompimento de suportes recentes.

Liquidações aumentam a volatilidade


Fonte: Coinglass

O mercado de derivativos também mostrou forte ajuste. O open interest recuou 8,33%, chegando a US$ 23,73 bilhões. Além disso, o volume negociado subiu 10,97%, indo para US$ 57,84 bilhões, cenário típico de liquidações forçadas. Esse comportamento indica desmontagem acelerada de posições alavancadas.

A razão long/short na Binance permaneceu elevada, com leitura de 2,50 para contas gerais e 3,34 entre os principais traders. Portanto, o mercado manteve excesso de posições compradas, criando risco adicional caso o preço continue cedendo.

Nas últimas 24 horas, o total liquidado chegou a US$ 153,71 milhões, sendo US$ 137,01 milhões em posições compradas. Esse desequilíbrio reforça que a maior parte do mercado apostava em alta antes do movimento de queda.

Indicadores técnicos seguem apontando tendência de baixa


Fonte: TradingView

No gráfico de 4 horas, o Ethereum opera abaixo das principais médias móveis. A EMA de 20 dias está em US$ 1.960, enquanto a EMA de 50 dias permanece em US$ 1.961. As EMAs de 100 e 200 dias estão em US$ 2.010 e US$ 2.192, respectivamente. Assim, forma-se uma barreira técnica relevante acima do preço atual.

As Bandas de Bollinger mostram níveis em US$ 1.987, US$ 2.118 e US$ 1.857. O preço testa a banda inferior, que costuma funcionar como suporte, mas pode falhar diante da deterioração do fluxo institucional.

Principais níveis técnicos do momento:

  • Suporte imediato: US$ 1.857
  • Suporte crítico: US$ 1.800
  • Primeira resistência: US$ 1.960
  • Zonas de resistência: entre US$ 2.010 e US$ 2.192

O rompimento abaixo de US$ 1.900 também quebrou a consolidação entre US$ 1.900 e US$ 2.000 observada nas últimas semanas. Portanto, há espaço para teste da região entre US$ 1.857 e US$ 1.800.

Roadmap não altera o sentimento do mercado

Durante o recuo, Vitalik Buterin apresentou um novo roadmap de escalabilidade com foco em melhorias de capacidade, avanços em provas de conhecimento zero e ajustes no processamento de dados. As propostas incluem upgrades como Glamsterdam e ePBS, que devem otimizar a forma como nós validam blocos e como o armazenamento é tratado.

No entanto, o preço ignorou totalmente as atualizações e continuou pressionado. Portanto, fatores técnicos e institucionais dominam o curto prazo.

A combinação de saídas de ETFs, liquidações forçadas e perda de níveis técnicos mantém o cenário negativo. Se o ativo estabilizar entre US$ 1.857 e US$ 1.800, poderá recuperar parte das perdas, mas a persistência das saídas institucionais segue como o maior desafio imediato.