Ethereum destaca Zodiac para tesourarias onchain

A Ethereum Foundation destacou nesta quarta-feira, 16 de setembro de 2026, uma transmissão sobre a Zodiac, segurança de operações onchain, testes de tesouraria contra ameaças reais e configuração como código. O post saiu no perfil oficial da fundação no X às 16:01, no horário de Brasília, e citou os perfis @jchaskin22, @jfschwarz e @jo_moormann como cofundadores da @zodiaceco.

O tema interessa a DAOs, protocolos DeFi e empresas que mantêm recursos em contratos inteligentes. Em vez de tratar custódia apenas como guarda de chaves, a discussão leva o foco para permissões operacionais, limites de execução e caminhos usados por operadores, bots ou equipes para movimentar fundos.

A transmissão abordou como a Zodiac protege operações onchain, como uma tesouraria pode ser testada contra ameaças do mundo real e como montar um setup como código.  A postagem não anunciou token, captação, airdrop ou pré-venda. Portanto, o ponto jornalístico está na infraestrutura de segurança para gestão de ativos digitais.

Segurança operacional ganha espaço no ecossistema

A Zodiac se apresenta como uma camada operacional sobre contas Safe. Em sua documentação, o projeto afirma que o Roles Modifier dá poder limitado a endereços sobre uma Safe. Cada função autorizada fica ligada a um papel, e o contrato checa as chamadas onchain antes de encaminhar a transação.

Na prática, esse modelo tenta reduzir danos quando uma equipe precisa delegar tarefas sem entregar controle amplo sobre uma tesouraria. Assim, uma DAO pode permitir que um operador execute swaps, pagamentos ou rebalanceamentos apenas dentro de regras previamente definidas.

Além disso, a própria Zodiac afirma que sua tese de segurança parte de uma premissa operacional. Para o projeto, perdas em cripto nem sempre vêm de falhas no código principal. Muitas vezes, elas envolvem painéis comprometidos, permissões excessivas, assinantes enganados ou rotinas internas mal controladas.

Por isso, a proposta busca colocar políticas diretamente no contrato, e não apenas em processos fora da cadeia. Nesse desenho, parte dos controles deixa de depender exclusivamente de planilhas, instruções manuais ou serviços centralizados para barrar transações fora do escopo.

O que a Zodiac adiciona às contas Safe

As contas Safe ocupam papel importante em DAOs e em estruturas de autocustódia institucional. A documentação da Safe descreve módulos como extensões capazes de adicionar funcionalidades a uma conta inteligente sem alterar o contrato principal.

A Zodiac atua justamente nesse ponto. O projeto usa módulos, modificadores e regras para permitir que diferentes agentes operem uma conta sem exigir assinatura dos donos a cada transação. No entanto, essas permissões precisam respeitar limites programados.

De acordo com o FAQ da Zodiac, os ativos permanecem na Safe do usuário, sob suas próprias chaves. O projeto também afirma que não toma custódia dos fundos e que cada organização implanta e controla seus contratos de permissão.

Esse desenho interessa a tesourarias que operam em vários protocolos DeFi. No cotidiano, equipes precisam aprovar transações, mover stablecoins, interagir com pools, executar estratégias e reagir a eventos de mercado. Contudo, permissões amplas demais aumentam o impacto de uma chave comprometida.

Configuração como código melhora a revisão

A menção da Ethereum Foundation a setup como código conecta a pauta a um avanço importante na governança técnica. A documentação da Zodiac mostra um fluxo em que configurações podem ser descritas em arquivos, comparadas com o estado onchain e revisadas antes da assinatura.

Esse processo não elimina risco. Porém, ele melhora a auditabilidade das mudanças. Quando permissões ficam expressas em código e passam por uma diferença revisável, equipes conseguem enxergar quais papéis, limites e contratos serão alterados.

Também há contexto recente para esse debate no mercado cripto. A TRM Labs afirmou que os hacks cripto chegaram a 207 incidentes no primeiro semestre de 2026, enquanto as perdas somaram US$ 972 milhões. A empresa também apontou que compromissos operacionais e de infraestrutura responderam pela maior parte do valor roubado.

Já a CertiK relatou perdas superiores a US$ 1,31 bilhão em 344 incidentes no mesmo período. No recorte da empresa, comprometimento de carteiras foi a categoria mais destrutiva em valor, com mais de US$ 444 milhões.

Portanto, a pauta não se resume a uma ferramenta específica. Ela mostra como a Ethereum vem ampliando o debate sobre controles operacionais, especialmente em ambientes onde grandes saldos dependem de múltiplos signatários, interfaces, automações e integrações DeFi.

Nesse contexto, a segurança onchain passa a envolver não apenas auditorias isoladas, mas processos contínuos. Tesourarias precisam definir quem pode agir, em quais contratos, com quais limites e sob quais condições verificáveis na própria blockchain.

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