Ethereum: disputa por US$ 300 mi vai à Justiça de NY

Uma disputa judicial envolvendo cerca de US$ 300 milhões em Ethereum ganhou novos desdobramentos nos Estados Unidos. O caso envolve 30.766 ETH congelados após o ataque ao Kelp DAO, ocorrido em abril de 2026. Agora, a decisão está nas mãos de um tribunal distrital de Nova York, que deverá definir se os fundos permanecem bloqueados ou se serão liberados para ressarcir as vítimas.

Ao mesmo tempo, o impasse mobiliza grandes participantes do mercado de criptomoedas e levanta questões sobre propriedade digital, responsabilidade legal e governança descentralizada. Por isso, o caso se tornou um dos mais relevantes do setor em 2026.

Disputa judicial pressiona protocolos DeFi

O protocolo DeFi Aave apresentou uma moção emergencial em um tribunal de Nova York. O objetivo é anular uma ordem restritiva que impede a Arbitrum DAO de movimentar os ativos congelados.

Além disso, caso não haja uma decisão rápida, os advogados da Aave solicitaram que o escritório Gerstein Harrow LLP deposite uma garantia de US$ 300 milhões. Segundo a empresa, essa medida reduziria riscos de perdas adicionais decorrentes do bloqueio prolongado.

Até o momento, não há data definida para audiência. Ainda assim, o caso já impacta o ecossistema DeFi, pois muitos usuários utilizavam esses ativos como garantia em operações financeiras.

O escritório Gerstein Harrow LLP representa clientes que acumulam mais de US$ 877 milhões em decisões judiciais relacionadas à Coreia do Norte. A tese apresentada sugere que os hackers responsáveis pelo ataque ao Kelp DAO teriam ligação com o país.

Com efeito, essa interpretação abriria caminho para que esses clientes reivindiquem os ativos congelados. Contudo, a Aave contesta a alegação e afirma que não há provas concretas que vinculem o ataque à Coreia do Norte.

 

Argumentos jurídicos e efeitos no mercado

Segundo a equipe jurídica da Aave, as acusações são especulativas e baseadas em publicações online, não em evidências formais verificáveis. Ainda assim, o bloqueio prolongado pode gerar efeitos mais amplos no mercado.

Isso porque o capital travado reduz a liquidez e afeta operações alavancadas. Como resultado, investidores podem sofrer perdas indiretas. Por outro lado, o Gerstein Harrow sustenta que segue precedentes jurídicos adotados em casos anteriores.

Entre eles, estão o ataque à Heco Bridge em 2023 e o exploit da Bybit em 2025, nos quais estratégias semelhantes foram utilizadas.

Votação da Arbitrum DAO depende da Justiça

O ataque ao Kelp DAO ocorreu em 18 de abril de 2026 e resultou em perdas estimadas em US$ 292 milhões. Desde então, a Arbitrum DAO analisa uma proposta para liberar os fundos congelados.

A iniciativa prevê direcionar os ativos para o projeto DeFi United, com o objetivo de compensar detentores de rsETH e restaurar a estabilidade do ativo. No entanto, a ordem judicial interrompe qualquer movimentação.

Atualmente, a votação da comunidade segue até 7 de maio. Ainda assim, a decisão final dependerá do tribunal. Nesse sentido, a governança descentralizada enfrenta limites impostos por autoridades legais.

Relatos indicam que a Arbitrum DAO está em posição delicada. Qualquer tentativa de movimentar os fundos pode resultar em desacato judicial. Portanto, mesmo com apoio da comunidade, a execução da proposta permanece suspensa.

ETH sendo negociado a US$ 2.379. Gráfico: TradingView

Decisão pode definir precedentes no setor

Com cerca de 30.766 ETH ainda bloqueados, o caso segue sem definição. Enquanto a Aave pressiona pela liberação dos fundos, o escritório Gerstein Harrow mantém sua estratégia jurídica.

Ao mesmo tempo, a ausência de decisão amplia a incerteza no mercado de criptomoedas, já que investidores dependem de previsibilidade para gerir riscos.

Em conclusão, o desfecho desse processo tende a influenciar futuras disputas envolvendo ativos digitais. Dessa forma, investidores, protocolos e reguladores acompanham o caso de perto.