Ethereum enfrenta instabilidade após upgrade Fusaka

O Ethereum tem passado por um período de instabilidade desde o upgrade Fusaka, especialmente no processamento de blocos que carregam volumes elevados de dados. As análises divulgadas pela MigaLabs mostram que a rede apresenta dificuldades crescentes diante da expansão de informações enviadas por soluções de camada 2, tendência observada desde outubro de 2025. Além disso, os resultados sugerem que o sistema ainda não assimilou totalmente as alterações estruturais implementadas.

O hard fork Fusaka foi projetado para ampliar o espaço dedicado ao consumo de dados, permitindo que blockchains de camada 2 transmitissem mais blobs. Essa estrutura é fundamental para rollups que dependem de dados temporários armazenados na rede principal. Portanto, a expectativa inicial era de que a ampliação dos limites reduzisse os custos e impulsionasse a escalabilidade das soluções integradas ao ecossistema.

Rede registra mais falhas em blocos com alta carga de dados

No entanto, a pesquisa revela que blocos com maior concentração de blobs têm uma probabilidade muito superior de falhar durante a validação. As atualizações Blob-Parameter-Only, criadas para elevar ainda mais esses limites, não resultaram na utilização consistente da capacidade expandida. Conforme o levantamento, a mediana de uso caiu após o primeiro ajuste BPO, mesmo com o novo alvo de 14 blobs por slot. Além disso, picos elevados, como 16 blobs ou mais, surgiram raramente entre os mais de 750 mil slots avaliados. Assim, quando esses eventos ocorrem, o impacto no desempenho da rede se torna evidente.

O estudo mostra que slots com até 15 blobs mantêm taxa de falha próxima de 0,5%. Entretanto, quando a contagem supera esse patamar, o índice sobe de 0,77% até quase 1,8%, dependendo da carga. Em cenários mais extremos, com 21 blobs, a taxa registrada ficou acima do triplo da média, indicando um gargalo estrutural que merece atenção.

Amanhã: Fusaka
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ethereum.org/roadmap/fusaka/

Fonte: Ethereum@ethereum no X

Aumento da demanda pode pressionar ainda mais a rede

Grande parte dos blobs processados vem de redes como Arbitrum e Base, que utilizam a disponibilidade de dados do Ethereum para garantir segurança operacional. Portanto, caso a demanda dessas camadas secundárias cresça, tornando comuns os blocos com grandes volumes de blobs, a taxa de falhas pode aumentar de forma acumulada e elevar a pressão sobre a estabilidade geral do ecossistema.

Segundo a MigaLabs, embora os casos mais extremos ainda representem pequena parcela das operações, a consistência dos números exige cautela imediata. A empresa recomenda que novas ampliações na capacidade de blobs sejam interrompidas até que as taxas retornem aos níveis normais e a utilização real se aproxime dos limites atuais. Além disso, a equipe destaca que decisões apressadas podem comprometer o equilíbrio entre escalabilidade e segurança.

A discussão surge enquanto a Ethereum Foundation intensifica iniciativas voltadas à segurança pós-quantum, formando um grupo especializado e destinando US$2 milhões ao desenvolvimento de novas soluções. Esse movimento é liderado por pesquisadores que atuam em frentes estratégicas do ecossistema, reforçando o compromisso com a evolução de longo prazo. Assim, o cenário aponta para um momento de ajustes importantes, tanto na camada de execução quanto na camada de dados.

No curto prazo, as evidências reunidas indicam que o Ethereum ainda enfrenta dificuldades técnicas relacionadas ao crescimento do volume de dados transportados pelos blobs. Apesar de o Fusaka e as atualizações subsequentes ampliarem a capacidade teórica da rede, o comportamento dos blocos mais pesados sugere que o sistema ainda não incorporou totalmente essas mudanças. Portanto, especialistas defendem prudência antes de aplicar novos aumentos estruturais que possam pressionar ainda mais a rede.