Ethereum lidera disputa por blockchains institucionais
O terceiro trimestre de 2026 começa com uma mudança estrutural no setor de blockchain. Em vez de outra disputa focada no varejo, as principais redes ajustam suas bases para atender à demanda institucional. Atualmente, mais de US$ 30 bilhões em ativos do mundo real tokenizados circulam em blockchains públicas, o que expõe gargalos de capacidade, liquidação, conformidade e confiabilidade.

Nesse cenário, Ethereum, Solana, Base e Avalanche redesenham partes centrais de suas infraestruturas. Embora cada rede ataque gargalos diferentes, todas buscam o mesmo objetivo: sustentar atividade financeira em escala institucional. Assim, a qualidade da infraestrutura tende a superar a velocidade bruta como principal vantagem competitiva entre 2026 e 2027.
Redes ajustam arquitetura para finanças reguladas
Em primeiro lugar, o debate sobre atualização de blockchains já não gira apenas em torno de desempenho. Bancos e instituições exigem previsibilidade na liquidação, conformidade regulatória e execução contínua. Como resultado, várias plataformas deixaram ajustes graduais em segundo plano e passaram a reformular sua arquitetura.
O Ethereum aparece na linha de frente dessa transição. O desenvolvimento do Glamsterdam avançou no fim de 2025, enquanto devnets ativos surgiram no início de 2026. A versão para mainnet tinha janela no primeiro semestre de 2026 e deve elevar o limite de gas de cerca de 60 milhões para 200 milhões.
Além disso, a atualização introduz PBS, mecanismo associado à separação entre propositores e construtores, incorporado à base de código do Ethereum. O pacote também inclui listas de acesso em nível de bloco. Dessa forma, a rede pretende ampliar a capacidade de liquidação e preparar execuções paralelas em linha com o Lean roadmap.
Em termos práticos, o Ethereum busca expandir capacidade sem abrir mão da robustez exigida por operações financeiras reguladas. Nesse sentido, a rede mantém vantagem por concentrar a maior fatia dos ativos tokenizados e da emissão de stablecoins. Ademais, essa posição se apoia em padrões de conformidade mais maduros, liquidez mais profunda e infraestrutura de liquidação já estabelecida.
Solana reduz latência e busca maior confiabilidade
Por outro lado, a Solana atua sobre um problema distinto. Em vez de priorizar apenas a expansão de capacidade, a rede redesenha seu mecanismo de consenso com o Alpenglow. O projeto entrou em fase de produção em 2025, avançou por testnets entre o primeiro e o segundo trimestres de 2026 e tem implementação em mainnet prevista para o segundo semestre de 2026.

Com o Alpenglow, o tempo de finalidade cai de 12,8 segundos para cerca de 100 a 150 milissegundos. Além disso, a proposta remove as transações de voto, que hoje consomem perto de 75% dos recursos de rede da Solana. Assim, a combinação dessas mudanças busca tornar a operação mais confiável durante períodos de uso institucional intenso e prolongado.
Base e Avalanche reforçam conformidade e operação contínua
Depois de melhorar liquidação e execução, as redes precisam suportar atividade financeira regulada. Por isso, a disputa se desloca para mecanismos de conformidade. Na Base, esse movimento aparece no desenvolvimento do Beryl, iniciado no fim de 2025 e com implantação prevista para o terceiro trimestre de 2026.
Além de novos métodos para sequenciar informações e fornecer acesso a esses dados, o Beryl inclui o padrão de token B20. Esse padrão busca acomodar stablecoins emitidas sob condições regulatórias, tokenização de outros tipos de ativos e até emissão de participação societária por meio de mecanismos compatíveis embutidos no protocolo.

Ao mesmo tempo, a Avalanche destaca o Octane, intensificado no primeiro trimestre de 2026 após a atualização Etna. As implantações seguem do meio do segundo trimestre ao terceiro trimestre de 2026. Com efeito, o pacote busca elevar a velocidade de processamento e reduzir o custo de implantação de aplicações empresariais, abrindo espaço para blockchains institucionais desenhadas para operar por longos períodos.

Bitcoin também entra na discussão técnica
Mesmo o Bitcoin, tradicionalmente visto como o caminho mais conservador do setor, entra nessa discussão. O OP_CAT ganhou tração em 2025 e segue em testes pela comunidade ao longo de 2026. O cronograma aponta ativação para o fim de 2026 ou o início de 2027. Em vez de reconstruir a rede, o OP_CAT amplia a capacidade de scripting sem alterar o modelo de segurança do Bitcoin.
Dados acompanhados pela RWA.xyz mostram que a pressão sobre redes públicas cresce à medida que os ativos tokenizados avançam. Portanto, a exigência institucional já não se limita a throughput. Ela envolve resiliência operacional, continuidade de serviço e compatibilidade regulatória.
Escala institucional deve premiar execução real
A corrida por infraestrutura entra agora em sua fase mais decisiva. As atualizações técnicas importam, mas a liderança de longo prazo deve depender da capacidade de provar desempenho real em ambiente operacional. Em outras palavras, o capital institucional tende a migrar para redes que entreguem liquidação confiável, conformidade e serviço contínuo, sobretudo em momentos de estresse de mercado.
Nesse contexto, a Base reforça o posicionamento do ecossistema do Ethereum ao simplificar a emissão regulada de ativos por meio de sua estrutura compatível. Enquanto isso, a Solana reduz a distância com o avanço das stablecoins e a melhora da finalidade. Da mesma forma, a Avalanche segue atraindo instituições interessadas em ambientes dedicados de blockchain.
Ainda assim, esses avanços não indicam substituição imediata das redes que já lideram a adoção institucional. Afinal, a escala financeira exige histórico operacional, liquidez e padrões de conformidade já testados. Por conseguinte, Ethereum, Solana, Base e Avalanche entram em 2026 e 2027 sob uma métrica mais exigente: entregar infraestrutura funcional, e não apenas promessas de maior velocidade.