Ethereum pode chegar a US$ 40 mil, diz Standard Chartered

O Standard Chartered reiterou sua tese otimista para o Ethereum e manteve a projeção de US$ 4 mil para o fim de 2026. Além disso, o banco vê potencial para o ETH alcançar US$ 40 mil até o fim da década.

Na avaliação dos analistas, o preço atual do ETH, na faixa de US$ 2 mil, ainda não reflete a atividade da rede. Também não incorpora o tamanho do ecossistema de finanças descentralizadas construído sobre o protocolo.

Para o banco, existe um descompasso relevante entre o desempenho do token e os fundamentos on-chain do Ethereum. Em outras palavras, o mercado estaria subprecificando o ativo, apesar do avanço em transações, DeFi, stablecoins e ativos do mundo real tokenizados.

Rede mantém força mesmo com ETH longe do topo

O Standard Chartered comparou o momento do Ethereum ao da Amazon após o estouro da bolha das empresas de tecnologia, em 2001. Na época, mesmo com a queda das ações, Jeff Bezos defendia a companhia com base na melhora dos indicadores operacionais.

Assim, o banco vê uma dinâmica semelhante no ETH. O preço segue pressionado, enquanto os dados estruturais da rede apontam para uma atividade mais robusta.

Os números citados pelos analistas reforçam essa divergência. O Ethereum processou mais de 200 milhões de transações no primeiro trimestre de 2026, um recorde para a atividade trimestral da rede.

Ao mesmo tempo, o valor total travado em DeFi no Ethereum está entre US$ 43 bilhões e US$ 45 bilhões. Esse montante representa cerca de 53% de toda a liquidez global do setor, segundo métricas da DeFiLlama.

Esse quadro contrasta com o comportamento recente do token. O ETH segue cerca de 60% abaixo da máxima registrada em agosto de 2025, quando chegou perto de US$ 4.953.

Já o Bitcoin acumula correção de aproximadamente 42% desde o topo histórico próximo de US$ 126 mil até a região de US$ 72.800. Portanto, para o banco, a queda mais intensa do Ethereum não encontra justificativa proporcional em seus fundamentos.

Banco vê preço abaixo do valor econômico da rede

Na nota, os analistas afirmaram que o preço do ativo tem espaço significativo para alcançar seus próprios indicadores internos. Na prática, o Standard Chartered entende que a cotação do ETH ainda não reflete adequadamente a relevância econômica da rede.

Além disso, o banco considera que a infraestrutura do protocolo segue central para diversas aplicações do mercado de criptomoedas. Essa leitura sustenta a visão de que o Ethereum pode recuperar parte do prêmio perdido em relação ao Bitcoin.

DeFi, stablecoins e tokenização reforçam a tese

A tese de valorização apresentada pelo banco se apoia em dois dos segmentos que mais crescem no mercado cripto: stablecoins e tokenização de ativos do mundo real. À medida que instituições tradicionais avançam sobre trilhos digitais, o Ethereum tende a se beneficiar por atuar como infraestrutura dessa atividade.

O mercado de stablecoins soma atualmente cerca de US$ 320 bilhões em capitalização. O Ethereum abriga uma parcela importante desse volume.

Ao mesmo tempo, os ativos do mundo real tokenizados têm projeção de atingir entre US$ 4 trilhões e US$ 5 trilhões até 2030. Se mesmo uma fração desse fluxo passar pela rede, a demanda por ETH pode crescer de forma expressiva.

Essa demanda viria tanto do uso do ETH como combustível de transações quanto de sua função como colateral. Por isso, o banco relaciona a expansão desses mercados ao potencial de valorização do ativo.

Outro ponto destacado é a posição dominante do protocolo nas finanças descentralizadas. Mais do que participar do setor, o Ethereum concentra a maior parte da liquidez global em DeFi.

Com 53% do total bloqueado, a rede segue distante dos concorrentes na disputa para se consolidar como camada padrão de liquidação desse mercado.

Essa liderança, segundo o banco, cria um efeito cumulativo difícil de romper. Desenvolvedores tendem a construir onde está a liquidez. Por consequência, a liquidez tende a permanecer onde os desenvolvedores constroem.

Dessa forma, esse ciclo fortalece a posição do Ethereum. Também ajuda a explicar por que a instituição trabalha com um preço-alvo tão ambicioso em relação aos níveis atuais.

Staking e menor oferta entram na conta

O Standard Chartered também incluiu na análise a dinâmica de oferta do ETH. Mais de 36 milhões de unidades, cerca de 30% do suprimento total, estão atualmente bloqueadas em contratos de staking.

Assim, a quantidade disponível para negociação diminui. Esse fator pode ampliar movimentos de preço caso a demanda aumente.

O banco ainda considera o efeito deflacionário associado ao EIP-1559 e ao The Merge. Com parte das taxas retirada de circulação e uma emissão mais enxuta, a oferta disponível tende a encolher em um cenário de uso crescente da rede.

Para os analistas, essa combinação entre menor oferta circulante e maior utilização reforça o viés positivo para o ativo.

Como o banco chega ao alvo de US$ 40 mil

O Standard Chartered não tratou a meta de US$ 40 mil para o Ethereum como um número arbitrário. A projeção depende, principalmente, de uma recuperação da relação ETH/BTC para 0,08.

Esse patamar foi visto pela última vez durante a forte alta do mercado em 2021. Com a relação em 0,08, o ETH chegaria a US$ 40 mil se o Bitcoin alcançasse US$ 500 mil até o fim da década.

O próprio banco reconhece que essa hipótese exige um cenário favorável. Afinal, o Bitcoin precisaria manter demanda institucional robusta, ambiente regulatório favorável e avanço contínuo da adoção como reserva de valor.

No caso do Ethereum, a recuperação da relação frente ao Bitcoin exigiria uma reavaliação mais ampla do papel do ativo. Essa mudança teria de superar a leitura de que o ETH seria apenas uma alternativa menor ao BTC.

Em contrapartida, o alvo de curto prazo em US$ 4 mil até o fim de 2026 parece mais plausível para os analistas. Esse nível representa uma alta de cerca de 100% sobre os preços atuais e recoloca o token perto de sua máxima anterior.

Riscos podem limitar a valorização

Apesar do cenário construtivo, o Standard Chartered apontou fatores que podem limitar a valorização. Um dos principais é a incerteza regulatória, especialmente sobre a gestão de stablecoins na União Europeia e nos Estados Unidos.

Caso reguladores imponham regras que desestimulem a emissão desses ativos em blockchains públicas, a vantagem competitiva do Ethereum nesse segmento pode perder relevância.

Outro risco importante envolve falhas e ataques em protocolos de DeFi. O setor já perdeu bilhões de dólares ao longo dos anos por causa de invasões e vulnerabilidades em contratos inteligentes.

Assim, um incidente de grande escala na rede Ethereum poderia afetar a confiança dos participantes. Também poderia provocar uma migração temporária de liquidez.

Os analistas também mencionaram o debate sobre as redes de segunda camada. Esses protocolos construídos sobre o Ethereum vêm absorvendo parte das taxas que antes ficavam na mainnet.

Embora essas soluções ainda liquidem operações na rede principal e utilizem ETH como ativo base, permanece a discussão sobre como o valor econômico é capturado. Ainda assim, o Standard Chartered adota a visão de que essas camadas ampliam o mercado total endereçável.

Para investidores, o principal indicador a acompanhar é a relação ETH/BTC. Hoje, ela permanece bem abaixo do nível de 0,08 projetado pelo banco.

Se essa razão subir de forma consistente, o movimento pode indicar uma reprecificação do Ethereum em relação ao Bitcoin. Por outro lado, se permanecer estagnada ou continuar em queda, a tese dos US$ 40 mil fica mais difícil de sustentar.

O percentual de ETH em staking também merece atenção. Com cerca de 30% da oferta já bloqueada, qualquer avanço relevante pode apertar ainda mais o volume disponível para negociação.

Como resultado, os movimentos de preço podem ganhar intensidade, tanto nas altas quanto nas quedas. Ao reiterar a projeção de US$ 4 mil para o fim de 2026 e de US$ 40 mil até o fim da década, o Standard Chartered baseou sua análise em quatro pilares: recorde de transações, valor travado em DeFi, participação de 53% da liquidez global do setor e mais de 36 milhões de ETH em staking.