Ethereum precisa avançar em stablecoins descentralizadas

O debate sobre stablecoins realmente descentralizadas ganhou força após novas declarações de Vitalik Buterin. O cofundador da Ethereum afirmou que o ecossistema precisa de modelos mais seguros, sustentáveis e resistentes a riscos macroeconômicos. As observações surgem em meio às críticas de Gabriel Shapiro, fundador da MetaLeX, que aponta uma diferença crescente entre o foco da rede e o restante do mercado cripto financiado por capital de risco.

Shapiro argumenta que empresas tradicionais do setor priorizam soluções centralizadas, como CeDeFi, apostas e stablecoins custodiadas. Além disso, ele afirma que boa parte desses projetos se aproxima de serviços bancários digitais, enquanto a Ethereum busca fortalecer ferramentas de autonomia individual. Assim, a falta de uma stablecoin descentralizada forte se torna um desafio estratégico para o futuro da rede.

Desafios para criar uma stablecoin realmente segura

Buterin explica que a primeira barreira é definir qual referência de valor a stablecoin deve acompanhar. No curto prazo, seguir o dólar continua conveniente. No entanto, ele alerta para os riscos estruturais de longo prazo ao depender exclusivamente do US$. Segundo ele, mudanças econômicas profundas poderiam comprometer essa paridade, prejudicando a estabilidade do ativo.

Portanto, Buterin defende que o setor precisa considerar índices mais diversificados no futuro. Essa abordagem permitiria que uma stablecoin atravessasse cenários globais adversos sem depender de um único parâmetro de preço.

Outro desafio envolve governança e oráculos. Ele afirma que um oráculo descentralizado deve resistir a ataques financeiros de grande escala. Caso contrário, surgiría um risco contínuo para os usuários, com perdas e extração de valor decorrentes de ataques relativamente baratos. Além disso, modelos de governança focados apenas em participação financeira criam mercados internos de influência que ameaçam a segurança do protocolo.

Governança, staking e impacto econômico

Buterin também destaca que a dinâmica econômica da rede cria obstáculos para stablecoins descentralizadas. O staking de ETH compete diretamente com o uso de ETH como colateral, já que o fornecedor perde os rendimentos ao travar seus ativos em um sistema de stablecoin. Assim, o custo de oportunidade reduz o incentivo para participar dessas soluções.

Ele sugere caminhos para mitigar esses problemas. Entre eles estão a redução gradual do retorno do staking, a criação de uma categoria de staking com menor risco de corte e o desenvolvimento de mecanismos que permitam combinar staking e uso como garantia sem comprometer a segurança. Além disso, Buterin aponta que o risco de corte não depende apenas de má conduta, mas também de quedas na participação da rede, o que pode gerar perdas e incentivar tentativas de censura.

A discussão inclui ainda o funcionamento das liquidações. De acordo com Buterin, uma stablecoin não deve depender de uma quantidade fixa de ETH, porque quedas bruscas de preço exigiriam ajustes frequentes. Além disso, mecanismos que integram rendimento de staking precisam considerar como esses retornos se comportam em períodos de estresse, quando podem diminuir ou até cessar.

No momento das declarações, o ETH era negociado a US$ 3.118. O preço se manteve dentro de uma zona técnica relevante, indicando estabilidade enquanto o mercado debate o futuro das stablecoins descentralizadas.

Ethereum price chart

Fonte: TradingView

As declarações de Buterin reforçam a urgência de repensar governança, liquidações, colateralização e rendimento dentro da Ethereum. Além disso, mostram que a criação de uma stablecoin descentralizada não é apenas uma necessidade técnica, mas também um fator que pode influenciar diretamente a competitividade e a autonomia do ecossistema nos próximos anos.