Ethereum resiste após hacks de US$ 606 mi em abril

O mês de abril de 2026 se consolida como um dos períodos mais críticos para a segurança do mercado de criptomoedas. Em apenas 18 dias, as perdas com ataques superaram US$ 606 milhões. Como resultado, o total anual já alcança cerca de US$ 771,8 milhões. Ainda assim, o Ethereum contrariou expectativas e manteve sua valorização acima de US$ 2.300.

Em primeiro lugar, dois grandes ataques concentram a maior parte do prejuízo registrado. O primeiro ocorreu em 1º de abril, quando o Drift Protocol sofreu um exploit estimado entre US$ 280 milhões e US$ 285 milhões. Nesse caso, os invasores utilizaram engenharia social combinada com transações de nonce duráveis na rede Solana.

Posteriormente, em 18 de abril, o KelpDAO enfrentou um ataque ainda mais expressivo, com perdas próximas de US$ 292 milhões. Conforme análises, a vulnerabilidade estava ligada à infraestrutura de mensagens cross-chain da LayerZero. Assim, o episódio evidenciou riscos relevantes nas integrações entre diferentes redes blockchain.

Concentração dos ataques e suspeitas de origem

Somados, esses dois incidentes representam cerca de 95% das perdas do mês. Além disso, equivalem a aproximadamente 75% de todo o valor roubado em 2026. Investigações apontam possíveis ligações com grupos associados à Coreia do Norte, o que reforça preocupações sobre o uso estratégico de ciberataques por Estados.

Ao mesmo tempo, a magnitude desses eventos não provocou o impacto esperado sobre os preços. Em ciclos anteriores, episódios semelhantes desencadearam quedas abruptas e liquidações em massa. Desta vez, contudo, o comportamento do mercado foi diferente.

Ethereum mantém tendência mesmo sob pressão

Apesar do cenário negativo, o Ethereum demonstrou resiliência. O ativo saiu de cerca de US$ 2.000 e avançou para níveis acima de US$ 2.300 durante o período dos ataques. Dessa forma, o movimento sugere um possível amadurecimento do mercado de criptomoedas.

Gráfico Ethereum

Fonte: @MerlijnTrader no X

Segundo o analista Merlijn The Trader, esse comportamento pode estar relacionado à formação técnica conhecida como “triângulo dourado”. Esse padrão acompanha o ativo desde 2017 e já resistiu a eventos extremos, como a crise da COVID-19 e o mercado de baixa de 2022.

Atualmente, o preço se aproxima de um ponto decisivo dentro dessa estrutura. Caso ocorra um rompimento acima de US$ 4.350, o modelo projeta um alvo de longo prazo próximo de US$ 10.000. Por outro lado, uma queda abaixo de US$ 1.950 indicaria a quebra de uma tendência que persiste há quase uma década.

Pressão latente e disputa no mercado

Apesar da estabilidade aparente, surgem sinais claros de tensão. O Ethereum se aproxima de uma zona com elevada concentração de posições compradas alavancadas. Nesse sentido, uma queda moderada pode desencadear liquidações em cascata.

Ao mesmo tempo, posições vendidas começam a se acumular próximas de US$ 2.440. Assim, forma-se um cenário de equilíbrio delicado entre compradores e vendedores, que costuma anteceder movimentos mais intensos.

Mercado dividido entre maturidade e risco

O mercado parece comprimido, com forças opostas se acumulando enquanto eventos negativos recentes não impactaram significativamente o preço.

Esse comportamento divide analistas. Por um lado, pode indicar maior maturidade, com investidores menos sensíveis a notícias negativas. Por outro, pode sinalizar uma calmaria temporária antes de um aumento relevante na volatilidade.

Em conclusão, mesmo diante de perdas superiores a US$ 600 milhões e da suspeita de atuação de grupos ligados à Coreia do Norte, o Ethereum segue acima de US$ 2.300. O desempenho sugere um mercado mais resiliente, embora ainda exposto a riscos estruturais relevantes.