eToro compra Zengo por US$ 70 mi e integra custódia
A plataforma de trading eToro anunciou a aquisição da carteira de autocustódia Zengo por US$ 70 milhões, em um acordo pago majoritariamente em dinheiro. Com isso, a empresa avança na integração entre sua base de mais de 40 milhões de usuários registrados e a infraestrutura de custódia baseada em computação multipartidária.
Ao mesmo tempo, o movimento ocorre em um ambiente de competição crescente entre corretoras e fintechs. Nesse contexto, empresas do setor têm optado por adquirir soluções próprias de custódia, em vez de apenas licenciá-las, já que o desenvolvimento interno exige alto grau técnico e prazos longos.
Além disso, a operação acompanha a expansão mais ampla do sistema financeiro tradicional em direção às criptomoedas. Plataformas consolidadas vêm ampliando o acesso a ativos como Bitcoin e Ethereum, reforçando a convergência entre finanças reguladas e o ecossistema descentralizado.
“Temos novidades. A Zengo está unindo forças com a eToro, líder global em negociação de ações e criptomoedas. Desde 2018, nossa missão é elevar os padrões de custódia no ecossistema on-chain.”
Aquisição fortalece controle tecnológico da eToro
Com a compra, a eToro passa a controlar diretamente uma camada crítica da sua operação. Em outras palavras, a empresa internaliza a infraestrutura de custódia, reduz dependências externas e amplia sua capacidade de desenvolver novos produtos.
De fato, esse movimento reflete uma tendência clara do setor. Corretoras buscam autonomia tecnológica para oferecer soluções mais sofisticadas, enquanto a segurança da custódia se consolida como diferencial competitivo essencial.
Segundo dados públicos, a Zengo atende mais de 2 milhões de usuários em mais de 180 países. A empresa também levantou cerca de US$ 24 milhões em investimentos, incluindo uma rodada Série A de US$ 20 milhões em 2021. Assim, o valor de US$ 70 milhões indica uma valorização relevante sobre sua base operacional.
Modelo sem frase-semente ganha relevância
Fundada em 2018, a Zengo desenvolveu uma carteira baseada em computação multipartidária, tecnologia que elimina a necessidade de frases-semente. Nesse modelo, o controle das chaves privadas é distribuído entre diferentes partes, reduzindo riscos associados a falhas únicas.
Como resultado, a abordagem chamada de “sem chave” aumenta a segurança e melhora a experiência do usuário. Além disso, simplifica processos de recuperação de contas, um dos principais pontos críticos no uso de carteiras digitais.
Anteriormente, a empresa ampliou sua atuação ao adquirir a carteira Minke, focada em stablecoin. Dessa forma, expandiu sua presença no ambiente on-chain e diversificou sua oferta de produtos.
Integração abre caminho para novos produtos
Após a conclusão do negócio, a Zengo deve seguir operando como produto independente. Ainda assim, sua tecnologia e equipe serão integradas à estrutura da eToro, o que deve acelerar o lançamento de novos recursos.
Entre as iniciativas previstas estão acesso a mercados de previsões, contratos perpétuos e instrumentos de rendimento. Assim, a eToro busca diversificar seu portfólio e atrair diferentes perfis de investidores.
Além disso, a aquisição reforça o foco em soluções escaláveis. O modelo de custódia sem frase-semente já demonstrou eficiência em larga escala, o que sustenta a aposta da empresa não apenas na base de usuários da Zengo, mas principalmente em sua tecnologia.
Em conclusão, a operação combina escala global com inovação em segurança digital. Com isso, a eToro fortalece sua posição no mercado de criptomoedas e avança no controle direto da custódia de ativos digitais, um dos pilares estratégicos do setor.