eToro lança cripto em Nova York após BitLicense
A eToro passou a oferecer negociação de criptomoedas para residentes de Nova York, após obter a BitLicense do Departamento de Serviços Financeiros do estado (NYDFS). Embora a aprovação tenha ocorrido em fevereiro de 2023, o lançamento efetivo só foi implementado anos depois, o que evidencia a complexidade de operar sob um dos regimes regulatórios mais rigorosos dos Estados Unidos.
Apesar de a licença ser um marco relevante, sua execução prática costuma exigir ajustes técnicos e estruturais significativos. Afinal, menos de 40 empresas conseguiram essa autorização até hoje, o que reforça o alto nível de exigência do estado.
Entrada em Nova York reforça estratégia nos EUA
Com a liberação, a eToro amplia sua presença no mercado regulado norte-americano. Dessa forma, a empresa passa a atender 48 estados, ficando de fora apenas Havaí e Nevada devido a exigências específicas. Ao mesmo tempo, a entrada em Nova York fortalece seu posicionamento institucional.
Inicialmente, a plataforma disponibiliza cerca de 20 tokens no estado. Em contrapartida, outras regiões contam com aproximadamente 115 ativos. Ainda assim, a empresa sinaliza que pretende ampliar gradualmente essa oferta, desde que obtenha novas aprovações regulatórias.
Esse movimento ocorre em um cenário desafiador. Dados recentes indicam que a atividade da empresa nos Estados Unidos caiu cerca de 36% em base anual até fevereiro de 2026. Portanto, a chegada a Nova York pode ser interpretada mais como um avanço estratégico do que um impulsionador imediato de volume.
Oferta inicial limitada deve evoluir
Embora o portfólio inicial seja restrito, a eToro aposta em expansão progressiva. Nesse sentido, a inclusão de novos ativos depende diretamente da análise e aprovação do NYDFS.
Esse processo rigoroso indica que o crescimento tende a ocorrer de forma mais lenta em comparação com outras jurisdições. Ainda assim, a estratégia privilegia conformidade regulatória e segurança operacional.
BitLicense impõe alto nível de exigência
Criada em 2015, a BitLicense é considerada uma das estruturas regulatórias mais rigorosas do país. Ela permite custódia, negociação e transmissão de criptomoedas, mas exige padrões elevados de governança.
Entre os requisitos estão a criação de uma entidade legal específica, comprovação contínua de capital e políticas robustas de combate à lavagem de dinheiro. Além disso, o regulador mantém supervisão constante das operações.
A licença da eToro foi concedida em um contexto de maior escrutínio do setor, após eventos como o colapso da FTX. Consequentemente, o processo regulatório se tornou mais detalhado e criterioso.
“Estávamos próximos da linha de chegada quando tudo aconteceu, o que naturalmente aumentou o nível de diligência e análise”, afirmou Andrew McCormick, chefe da eToro nos EUA.
Integração regulatória prolongou cronograma
Embora a aprovação tenha ocorrido em 2023, a implementação exigiu mais tempo. Isso porque a empresa também detém uma licença de transmissor de dinheiro em Nova York, o que demandou a integração entre operações fiduciárias e cripto sob diferentes regras.
Inicialmente, a expectativa era lançar o serviço ainda naquele ano. No entanto, ajustes estruturais e tecnológicos estenderam o cronograma. Assim, o caso ilustra como a conformidade vai além da autorização formal.
Staking e competitividade seguem no radar
A eToro também planeja oferecer staking para usuários em Nova York. Contudo, o serviço ainda depende de aprovação regulatória após atualização do plano de negócios, o que mantém sua implementação incerta no curto prazo.
Ao mesmo tempo, a ampliação da lista de tokens será decisiva para a competitividade da plataforma. Afinal, concorrentes com maior variedade tendem a atrair mais usuários.
Em conclusão, a entrada da eToro em Nova York marca um avanço relevante em sua estratégia nos Estados Unidos. Ainda que o início seja limitado, a expansão gradual e a adaptação regulatória devem definir o ritmo de crescimento no estado.