EUA acusam 10 estrangeiros por lavagem de dinheiro com criptomoedas
Autoridades dos Estados Unidos acusaram dez cidadãos estrangeiros ligados a quatro empresas de serviços financeiros de envolvimento em lavagem de dinheiro com criptomoedas, chamado de “wash trading”, prática que simula negociações para manipular o mercado de criptomoedas. Em geral, o esquema inflava artificialmente volumes e preços, criando uma percepção enganosa de demanda entre investidores.
Segundo os promotores, os acusados manipulavam dados de negociação com o objetivo de atrair novos participantes. Como resultado, investidores compravam tokens com valores inflados, acreditando em interesse legítimo. Além disso, a investigação envolveu múltiplas agências federais, que realizaram prisões, extradições, confissões de culpa e apreensão de ativos digitais.
Empresas e estrutura do esquema
As acusações foram formalizadas por um grande júri federal na Califórnia. O caso envolve executivos e funcionários das empresas Gotbit, Vortex, Antier e Contrarian. Conforme documentos judiciais, os suspeitos coordenavam operações nas quais atuavam simultaneamente como compradores e vendedores.
Dessa forma, criavam uma aparência de atividade legítima no mercado. Ao mesmo tempo, os dados inflados levavam investidores a interpretar uma demanda consistente. Assim, o esquema ganhou escala e alcance internacional.
Ademais, a apuração contou com uma operação disfarçada conduzida pelo Federal Bureau of Investigation (FBI) e pela divisão criminal da Receita Federal dos EUA (IRS-CI). Durante a investigação, as autoridades criaram tokens próprios para monitorar padrões suspeitos. Com efeito, a estratégia permitiu documentar práticas recorrentes de manipulação.
Segundo os promotores, o padrão seguia uma lógica repetitiva. Primeiro, os envolvidos inflavam métricas de negociação. Em seguida, vendiam ativos a preços artificialmente elevados. Como consequência, investidores eram prejudicados ao confiar em dados distorcidos.
Modelo operacional e impacto no mercado
De acordo com os investigadores, o modelo era estruturado para gerar volume fictício e legitimar ativos de baixa liquidez. Posteriormente, os operadores exploravam o interesse criado para obter lucros rápidos.
Embora o mercado de criptomoedas opere de forma descentralizada, práticas como o wash trading têm sido alvo crescente de fiscalização. Nesse sentido, autoridades avaliam que esse tipo de conduta compromete a integridade do setor e afeta investidores globalmente.
Prisões e andamento judicial
Três acusados, incluindo dois executivos, foram presos em Singapura e posteriormente extraditados para os Estados Unidos, onde compareceram ao tribunal federal em Oakland. Além disso, outros envolvidos foram detidos anteriormente em aeroportos norte-americanos, como o John F. Kennedy, em Nova York, e o de San Francisco.
Registros judiciais indicam que parte dos réus já admitiu culpa. O cidadão taiwanês Antoine Tsao, ligado à Gotbit, confessou participação em conspiração para fraude eletrônica e foi condenado na Califórnia em junho de 2025.
Da mesma forma, o sérvio Nemanja Popov também se declarou culpado, com sentença definida em fevereiro de 2026. Além deles, outros dois réus em processos separados já receberam condenações relacionadas ao caso.
Enquanto isso, executivos associados às empresas Antier, Vortex e Contrarian permanecem sob custódia federal. Paralelamente, as investigações continuam para identificar possíveis desdobramentos do esquema.
Penas podem chegar a 20 anos
Os dez acusados enfrentam acusações de fraude eletrônica e conspiração para fraude, conforme a legislação federal dos Estados Unidos. Segundo os promotores, o objetivo central era enganar investidores ao apresentar atividades manipuladas como legítimas.
Caso sejam condenados, cada réu pode enfrentar até 20 anos de prisão, além de multas que podem chegar a US$ 250 mil por infração. Ainda assim, as autoridades ressaltam que todos são considerados inocentes até prova em contrário.
O caso foi detalhado pelo Departamento de Justiça dos EUA, que divulgou as acusações e os desdobramentos da operação.
Em conclusão, o episódio reforça a atuação das autoridades contra práticas de manipulação no mercado cripto. Além disso, evidencia os riscos associados a dados inflados, que podem distorcer preços e comprometer a confiança dos investidores.