EUA ampliam impasse regulatório sobre Bitcoin
O cenário regulatório dos EUA, que ganhou nova atenção nesta semana, expõe novamente a falta de alinhamento entre órgãos federais. Embora alguns setores do governo reconheçam a necessidade de modernizar normas para o mercado de cripto, persistem divergências sobre ética, fiscalização e custódia. Além disso, o Bitcoin permanece no centro das disputas políticas, especialmente diante das incertezas que antecedem as eleições.
Tensões políticas impulsionam debate
O deputado Ritchie Torres reacendeu discussões sensíveis ao preparar um projeto de lei que limita a participação de autoridades públicas em mercados de previsão. A proposta ganhou força após a divulgação de apostas relacionadas à suposta captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, o que levantou questionamentos sobre acesso privilegiado a informações.
O Public Integrity in Financial Prediction Markets Act of 2026 busca impedir que funcionários federais negociem contratos atrelados a resultados políticos ou decisões governamentais quando houver risco de uso de dados não divulgados. Além disso, o projeto responde ao rápido crescimento de mercados de previsão operados em redes descentralizadas. Essas plataformas ampliam a transparência, mas também mostram fragilidades nas regras de integridade exigidas de agentes públicos.
No entanto, mesmo com maior atenção, legisladores ainda enfrentam dilemas inéditos nesse tipo de negociação. As estruturas descentralizadas revelam conflitos de interesse que as normas federais não contemplam, pressionando o Congresso a acelerar definições.
Venda de Bitcoin pelo DOJ amplia críticas
A venda de 57 Bitcoin pelo Departamento de Justiça dos EUA intensificou questionamentos sobre coerência regulatória. A operação envolveu ativos apreendidos de desenvolvedores da Samourai Wallet e foi executada pela Coinbase Prime, contrariando uma ordem executiva que determina o envio de Bitcoins confiscados à Strategy Bitcoin Reserve.
Assim, a diferença entre a ordem presidencial e a prática do DOJ reacendeu críticas sobre a falta de coordenação entre órgãos federais. Para muitos atores do setor, esse tipo de ação reforça a percepção de que as autoridades priorizam medidas punitivas e ainda não possuem diretrizes claras para tratar o Bitcoin como ativo estratégico.
Além disso, a operação fortalece preocupações sobre interpretações divergentes de políticas sobre cripto em diferentes áreas do governo, o que gera insegurança para empresas e investidores.
Atrasos legislativos dificultam avanços
A indefinição regulatória também se repete no Congresso. A TD Cowen avaliou que as eleições legislativas de 2026 podem empurrar a aprovação de um marco regulatório abrangente para 2027 ou mais tarde. O presidente do Comitê Bancário do Senado, Tim Scott, estabeleceu 15 de janeiro como novo prazo para avanço do projeto, indicando frustração com negociações prolongadas.
No entanto, parte dos democratas prefere adiar mudanças estruturais antes do período eleitoral. Além disso, discussões envolvendo conflitos de interesse continuam emperrando o debate.
Estados avançam enquanto o Congresso mantém impasse
Enquanto Washington enfrenta atrasos, estados como Wyoming seguem inovando. O lançamento da stablecoin estadual demonstra o ritmo acelerado fora do governo federal. Além disso, bancos comunitários pressionam o Congresso para revisar o que consideram uma brecha regulatória relacionada às recompensas de stablecoins.
Assim, aumenta a distância entre a evolução tecnológica e a formulação de políticas federais. No curto prazo, a falta de coordenação entre agências e os bloqueios políticos ampliam dúvidas sobre a capacidade dos EUA de acompanhar o ritmo do mercado de cripto. Esse cenário torna as divergências regulatórias ainda mais visíveis, especialmente quando decisões conflitantes envolvem o Bitcoin.