EUA e China criam conselho de comércio bilateral

Estados Unidos e China adotaram uma abordagem mais pragmática para suas relações econômicas. Em vez de um acordo amplo, o presidente Donald Trump e o presidente Xi Jinping decidiram criar um novo mecanismo chamado “Board of Trade”, ou conselho de comércio, durante uma cúpula bilateral recente.

Assim, a iniciativa marca uma mudança relevante na dinâmica entre as duas maiores economias do mundo. Em vez de negociações extensas, o modelo passa a focar na gestão direta de fluxos comerciais por produto. Dessa forma, os governos conseguem realizar ajustes mais rápidos e específicos.

O objetivo central é estabelecer rotas comerciais estáveis para bens autorizados. Ao mesmo tempo, produtos considerados sensíveis, como tecnologias avançadas e semicondutores de última geração, permanecem fora do escopo. Nesse sentido, a proposta busca equilibrar interesses econômicos e estratégicos.

Como funcionará o conselho de comércio

Modelo modular para tarifas e importações

A proposta surgiu durante negociações realizadas em Paris, em março. Na ocasião, autoridades dos dois países começaram a estruturar um modelo modular para administrar tarifas e importações. Desde então, o plano evoluiu para um sistema mais flexível.

De acordo com o projeto, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA e o Ministério do Comércio da China atuarão de forma conjunta. Ambos irão identificar categorias de produtos elegíveis para redução tarifária.

Estima-se que entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões em importações integrem essa fase inicial. Além disso, o modelo prevê revisões frequentes, o que amplia sua capacidade de adaptação às condições econômicas.

Ao mesmo tempo, os dois países mantêm o direito de elevar tarifas sobre itens estratégicos. Assim, cria-se um sistema híbrido, no qual abertura e restrição coexistem de maneira dinâmica, ao passo que interesses de segurança nacional são preservados.

Outro ponto relevante envolve minerais de terras raras. A China concordou em reduzir restrições recentes à exportação desses materiais, essenciais para veículos elétricos, eletrônicos e sistemas militares.

No setor de semicondutores, Pequim suspendeu medidas retaliatórias contra fabricantes americanos e continuará permitindo o comércio de chips considerados “legados”. Por outro lado, chips avançados seguem sob restrições rigorosas.

Diferenças em relação a acordos anteriores

Mais flexibilidade e menos metas rígidas

O novo modelo difere do acordo de “Fase Um” firmado anteriormente entre EUA e China. Naquele momento, o foco estava em metas de compra, com compromissos chineses de adquirir volumes específicos de produtos americanos.

No entanto, esse formato apresentou limitações. As metas eram consideradas ambiciosas, enquanto os mecanismos de fiscalização se mostraram frágeis. Além disso, eventos globais, como a pandemia, reduziram sua eficácia.

Agora, o conselho de comércio introduz uma estrutura permanente e adaptável. Em vez de metas rígidas, o sistema classifica produtos e ajusta tarifas conforme as condições evoluem. Dessa maneira, as decisões tendem a se alinhar melhor à realidade do mercado.

Especialistas em direito comercial avaliam que essa abordagem pode aumentar a previsibilidade. Como resultado, empresas que dependem do comércio bilateral ganham mais segurança para investir e planejar no longo prazo.

Impactos econômicos e no setor tecnológico

Efeitos indiretos no ecossistema digital

Os impactos diretos dependerão dos produtos incluídos nas reduções tarifárias. Ainda assim, um pacote na faixa de dezenas de bilhões de dólares pode reduzir custos para importadores americanos e, por consequência, beneficiar consumidores.

Além disso, setores ligados ao Bitcoin e ao mercado de criptomoedas podem sentir efeitos indiretos. Operações de mineração nos Estados Unidos dependem de equipamentos fabricados na China. Portanto, uma cadeia de suprimentos mais estável tende a reduzir custos operacionais.

Da mesma forma, a flexibilização nas exportações de terras raras impacta a infraestrutura tecnológica global. Esses materiais são fundamentais para data centers, equipamentos de blockchain e sistemas digitais. Assim, qualquer alívio nas restrições fortalece a base tecnológica do mercado cripto.

Por outro lado, a exclusão de semicondutores avançados reforça que a disputa tecnológica entre as duas potências continua ativa. Empresas ligadas à inteligência artificial e computação de alto desempenho ainda enfrentarão limitações relevantes.

Em conclusão, o entendimento entre Donald Trump e Xi Jinping estabelece um novo padrão de cooperação econômica. O modelo combina ajustes contínuos, reduções tarifárias seletivas e restrições estratégicas, inaugurando uma fase mais pragmática nas relações comerciais entre Estados Unidos e China.