EUA miram Bitcoin e USDT em ofensiva contra o Irã

Scott Bessent, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, falou durante o Reagan National Economic Forum. Segundo ele, Washington já apreendeu cerca de US$ 1 bilhão em criptomoedas ligadas ao Irã. A medida integra uma ofensiva mais ampla para sufocar redes financeiras de Teerã e interromper canais de financiamento associados ao regime.

As declarações vieram em uma das fases mais tensas do Oriente Médio nas últimas décadas. Em 27 de fevereiro de 2026, Estados Unidos e Israel lançaram a Operation Epic Fury. A campanha coordenada de ataques aéreos mirou instalações nucleares do Irã, infraestrutura militar e centros de comando da Guarda Revolucionária.

Em resposta, o Irã realizou ataques com mísseis balísticos em vários pontos da região. Os alvos atingiram Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos e Iraque. Ainda assim, Estados Unidos e Irã negociaram um cessar-fogo frágil no início de abril, que segue em implementação. Ao mesmo tempo, a disputa econômica avançou em paralelo ao confronto militar.

Ofensiva financeira amplia pressão sobre Teerã

Nesse contexto, o governo de Donald Trump colocou em prática a chamada Operation Economic Fury. O Departamento do Tesouro conduz a operação com o objetivo de desmontar sistematicamente as rotas financeiras que ainda sustentam Teerã. A estratégia combina sanções, congelamento de contas e ações diretas sobre carteiras de ativos digitais, como Bitcoin.

Desde o início da operação, o Office of Foreign Assets Control, o OFAC, sancionou mais de 1.000 entidades ligadas ao Irã. O órgão também bloqueou contas bancárias mantidas por empresas associadas à Guarda Revolucionária. Além disso, Bessent afirmou que a ofensiva alcançou carteiras de criptomoedas vinculadas a essas estruturas.

A maior ação individual conhecida até aqui ocorreu no fim de abril. Na ocasião, a Tether confirmou o congelamento de US$ 344 milhões em USDT. Os valores estavam distribuídos em dois endereços da blockchain Tron ligados ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, o IRGC. A identificação ocorreu depois que a empresa de análise on-chain Chainalysis detectou padrões compatíveis com carteiras militares iranianas já conhecidas.

USDT na Tron concentrou a maior apreensão conhecida

Uma dessas carteiras concentrava cerca de US$ 213 milhões. A outra armazenava US$ 131 milhões. Desde então, o montante total apreendido ou congelado passou de US$ 500 milhões. Agora, pelas falas mais recentes do secretário do Tesouro, esse valor já se aproxima de US$ 1 bilhão.

“Vamos rastrear os recursos que Teerã tenta transferir urgentemente para o exterior e atingir todas as vias financeiras ligadas ao regime”, disse Scott Bessent.

Em publicação na rede X, a Bitcoin Magazine citou Scott Bessent dizendo que o governo dos Estados Unidos tomou o controle das carteiras. Segundo a publicação, alguns envolvidos talvez ainda nem tenham percebido que os endereços foram capturados.

Bitcoin Magazine no X.

Estreito de Ormuz amplia risco para Bitcoin

Em abril, também surgiram relatos de que o Irã pretendia exigir pagamentos em Bitcoin de embarcações que atravessassem o Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo temporário com os Estados Unidos. A proposta teria como objetivo contornar sanções e a infraestrutura bancária tradicional. Dessa forma, o país buscaria uma alternativa para arrecadar receitas enquanto mantém influência sobre uma das rotas mais estratégicas do comércio global de petróleo.

Essa possibilidade levou o Bitcoin a um novo patamar de exposição geopolítica. Além disso, ampliou os riscos operacionais e jurídicos para empresas de navegação. A medida também mostrou como ativos digitais podem entrar em rotas comerciais sob controle soberano durante crises internacionais.

Como resultado, a campanha americana passou a combinar pressão militar, sanções do OFAC, congelamento de US$ 344 milhões em USDT na Tron e rastreamento de carteiras digitais. Ao relacionar a apreensão de quase US$ 1 bilhão em criptomoedas ao bloqueio de transferências externas do regime iraniano, Bessent reforçou o papel direto dos ativos digitais na disputa financeira entre Estados Unidos e Irã. Nesse quadro, os relatos sobre possíveis tarifas em Bitcoin no Estreito de Ormuz indicam uma nova frente de tensão para o mercado de criptomoedas.