EUA pressionam Venezuela e impulsionam interesse no Bitcoin
O Bitcoin voltou ao centro das atenções após a operação dos EUA que levou à captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. O episódio elevou a tensão nos mercados globais e reacendeu o debate sobre o papel das criptomoedas na economia da Venezuela. Além disso, mesmo com a forte queda do petróleo, o mercado cripto manteve desempenho positivo.
Segundo autoridades americanas, a ação está relacionada a novas acusações contra Maduro por corrupção e tráfico de drogas. No entanto, a expectativa é de que ele compareça ao tribunal federal de Manhattan ainda nesta segunda-feira, o que ampliou a incerteza geopolítica.
Enquanto isso, os contratos futuros do petróleo WTI recuaram para US$ 56,6 por barril, atingindo o menor valor desde fevereiro de 2021. Portanto, analistas discutem como os EUA podem administrar os recursos energéticos venezuelanos após o afastamento do líder. A Chevron registrou alta de 11% nas ações, movimento que, segundo análises do Kobeissi Letter em plataforma externa, reflete a expectativa de maior controle americano sobre o fornecimento energético venezuelano.
No mercado cripto, o cenário seguiu na direção oposta. Bitcoin e Ethereum avançaram cerca de 1%, enquanto a capitalização global atingiu US$ 3,2 trilhões, conforme dados do CoinGecko. Assim, investidores perceberam resiliência no setor mesmo diante da forte volatilidade no petróleo.
Criptos ganham força na economia venezuelana
O uso de criptoativos na Venezuela não é novo. Com anos de hiperinflação, instabilidade política e sanções econômicas, a população passou a utilizar Bitcoin e stablecoins como alternativas ao sistema bancário local. Em 2018, Maduro lançou o petro, supostamente lastreado em petróleo, mas o projeto fracassou e acabou abandonado.
Stablecoins atreladas ao dólar também se tornaram essenciais no comércio interno. Além disso, especialistas alertam que o governo pode ter usado esses mecanismos para contornar sanções internacionais. Empresas de inteligência em blockchain relatam que o regime acumulou grandes quantias de Bitcoin e stablecoins por meio de transações envolvendo commodities fora do sistema bancário. Estimativas sugerem que essas reservas podem alcançar US$ 60 bilhões.
Acusações e possíveis impactos nas transações digitais
A promotoria americana afirma que Maduro teria liderado um esquema narcoterrorista envolvendo o Cartel de Los Soles e as FARC. O documento cita uso de instituições estatais e militares para traficar cocaína para os EUA. Embora não haja menção direta ao uso de criptomoedas, especialistas afirmam que isso não exclui a possibilidade de que os ativos tenham desempenhado papel indireto na rede financeira paralela do governo.
Ari Redbord, da TRM Labs, explica que criptomoedas e stablecoins cumprem dupla função na Venezuela. Por um lado, servem como ferramenta financeira essencial em meio ao colapso econômico. Por outro, oferecem rotas alternativas de liquidação para operações estatais impedidas de acessar bancos tradicionais devido às sanções.
Mercados avaliam efeitos da captura de Maduro
Redbord afirma que momentos de instabilidade costumam acelerar mudanças nos fluxos de pagamento. Assim, quando rotas tradicionais são interrompidas, cresce o uso de stablecoins. Ao mesmo tempo, governos e empresas reforçam mecanismos de controle e monitoramento.
Entre os sinais de mudança estão variações na demanda por stablecoins, migração entre intermediários e alterações no comportamento das transações no blockchain, como maior rotatividade de carteiras. Portanto, esses indicadores podem mostrar como o mercado responderá às tensões recentes.
A captura de Maduro mantém o foco no Bitcoin devido à influência que possui na economia venezuelana. Além disso, a estabilidade recente do mercado cripto, mesmo diante da queda acentuada do petróleo, reforça a relevância desses ativos em períodos de crise.