EUA sancionam Nobitex e miram rede cripto do Irã

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sancionou a Nobitex, maior corretora de criptomoedas do Irã, e ampliou a ofensiva contra a infraestrutura financeira digital do país. A medida também atingiu Wallex, Bitpin e Ramzinex, além de quatro executivos ligados à Nobitex. Entre eles estão o CEO Seyed Ali Khoee e o chairman Amir Hossein Rad.

Segundo o governo americano, a ação integra a campanha Economic Fury, conduzida pela administração Trump contra as redes financeiras de Teerã. As autoridades afirmam que as exchanges iranianas sancionadas permitiram transações com entidades já bloqueadas, incluindo a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã e outros atores sob sanções.

Nobitex concentrava a liquidez cripto no Irã

O peso da Nobitex no ecossistema local ajuda a explicar o alcance da decisão. Conforme o material citado pelo Tesouro, a plataforma respondeu por mais de 50% de todas as entradas de ativos digitais no Irã em 2025. Além disso, movimentou mais de US$ 2,45 bilhões em volume no período.

Assim, a corretora ocupava o centro da liquidez doméstica e da circulação de criptomoedas no país. Na avaliação das autoridades dos EUA, a exchange atuou deliberadamente para ajudar instituições militares e financeiras apoiadas pelo Estado iraniano a contornar restrições impostas pelo Ocidente.

A acusação inclui a facilitação de operações ligadas à Guarda Revolucionária Islâmica e ao Banco Central do Irã. Dessa forma, a estrutura teria permitido a continuidade de fluxos financeiros mesmo em um ambiente de forte pressão externa. Ao mesmo tempo, o bloqueio amplia o risco de isolamento para empresas e carteiras associadas à plataforma.

O comunicado do Tesouro detalha a inclusão da Nobitex e das outras exchanges iranianas na lista de bloqueios. Além disso, a medida tende a restringir o acesso internacional a capital, liquidez e serviços de conformidade para estruturas vinculadas aos endereços sancionados.

Fonte: @USTreasury no X

Restrições atingem carteiras e contas

Com a decisão, os EUA ampliam a pressão sobre a liderança que opera a infraestrutura digital iraniana. Nesse sentido, o efeito não deve se limitar às empresas listadas. Contas vinculadas, carteiras relacionadas e estruturas de conformidade conectadas aos endereços bloqueados também podem enfrentar restrições imediatas.

Na avaliação das autoridades americanas, a Nobitex não era apenas uma plataforma dominante em volume. Em vez disso, ela também funcionava como instrumento relevante para a evasão de sanções. A acusação central afirma que a corretora ajudou instituições ligadas ao Estado iraniano a preservar e movimentar riqueza soberana fora do alcance das restrições ocidentais.

Impacto no mercado de criptomoedas e no Irã

A medida também aponta reflexos mais amplos no mercado internacional de ativos digitais. Entre os ativos citados estão XRP e Dogecoin (DOGE), diante do endurecimento dos processos de conformidade e do bloqueio de contas aninhadas associadas a endereços do Oriente Médio colocados na lista negra.

Ao mesmo tempo, analistas macro e investidores institucionais acompanham os efeitos geopolíticos e regulatórios em mercados de previsões como a Kalshi. De fato, participantes institucionais vêm usando esses instrumentos para buscar proteção diante do aumento dos riscos em mercados emergentes, principalmente quando eventos regulatórios alteram rapidamente a percepção de risco.

Washington também intensificou sua estratégia de pressão máxima contra ativos ligados ao Irã. De acordo com a reportagem, os EUA apreenderam recentemente quase US$ 1 bilhão em ativos de criptomoedas associados ao país em diferentes partes do mundo. Portanto, o episódio reforça o endurecimento da fiscalização sobre fluxos financeiros digitais considerados ilícitos.

Banco Central do Irã reage após sanções

Em resposta direta às sanções americanas, o Banco Central do Irã impôs restrições emergenciais de negociação. As autoridades fecharam todas as plataformas domésticas de criptomoedas com o objetivo de conter uma possível saída em larga escala de capital. Como resultado, o sistema financeiro alternativo online de Teerã sofreu um choque imediato, com efeitos percebidos em poucas horas.

Esse fechamento repentino tende a alterar a dinâmica de liquidez local e ampliar a pressão sobre participantes que dependiam dessas plataformas para operar no mercado iraniano. Além disso, operadores de derivativos já observam a possibilidade de maior volatilidade em contratos futuros de criptomoedas diante da escalada geopolítica e regulatória.

A reportagem também menciona que parte do capital global está deixando pools de liquidez considerados vulneráveis. Por isso, liquidações de contratos entraram no centro das atenções de traders e gestores. Em paralelo, reguladores bancários internacionais enfrentam pressão adicional para reforçar controles no setor de ativos digitais, diante do risco de exposição indireta a entidades sancionadas.

O caso reúne sanções financeiras, fiscalização sobre criptomoedas, pressão sobre infraestrutura digital e reação emergencial do Banco Central do Irã. Entre os principais dados estão o bloqueio de Nobitex, Wallex, Bitpin e Ramzinex, a sanção a quatro executivos da maior exchange do país e o volume superior a US$ 2,45 bilhões processado pela Nobitex em 2025, equivalente a mais de metade das entradas iranianas de ativos digitais no período.