Exchanges tiveram US$ 188 bi em exposição de alto risco

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Um levantamento da Global Ledger identificou US$ 187,75 bilhões em exposição a fundos de alto risco em 99 exchanges entre 2021 e 2025. De acordo com o estudo, dez plataformas concentraram 90,9% das entradas sinalizadas no período. A análise considerou depósitos e saques de Bitcoin, Ethereum e USDT na rede Tron.

O estudo avaliou US$ 36,28 trilhões em transações e rastreou conexões com fontes e destinos de alto risco por até cinco transferências. Ao todo, US$ 90,55 bilhões entraram nas exchanges a partir de fontes sinalizadas. Enquanto isso, US$ 97,21 bilhões saíram para destinos classificados como arriscados.

Uma exchange não identificada somou US$ 70,84 bilhões em exposição combinada. Esse valor incluiu 41,3% de todas as entradas de risco registradas. Contudo, o relatório apresentou uma ressalva sobre a interpretação desses números.

“A exposição representa proximidade com entidades identificadas como de alto risco, e não prova de que uma exchange ou seus clientes participaram conscientemente de atividade ilícita.”

Dez plataformas concentraram 90,9% das entradas

As dez maiores receptoras e remetentes de recursos sinalizados acumularam US$ 167,66 bilhões em exposição combinada. Já as outras 89 exchanges responderam por US$ 20,09 bilhões. Ainda assim, valores absolutos elevados não significaram taxas proporcionalmente maiores de exposição.

Entre as dez plataformas, as entradas arriscadas variaram de 0,07% a 2,25% dos depósitos. Por sua vez, a referência do setor calculada pelo estudo ficou em 0,68%. Na amostra completa, as taxas individuais chegaram a 7,79% nas entradas e 24,78% nas saídas.

A exposição anual recuou de US$ 60,80 bilhões em 2021 para US$ 23,85 bilhões em 2023. Depois, o montante voltou a subir e alcançou US$ 34,61 bilhões em 2025. Como o volume transacionado cresceu mais rapidamente, a atividade sinalizada perdeu participação percentual.

Em 2025, entradas arriscadas representaram 0,50% dos depósitos, enquanto as saídas equivaleram a 0,21% dos saques. Para comparação, a referência das saídas durante os cinco anos ficou em 0,42%. Nesse cenário, o Bitcoin respondeu por cerca de 40% de todos os depósitos naquele ano.

Sanções e USDT na Tron ganharam relevância

As sanções se tornaram a maior categoria de exposição, com US$ 74,09 bilhões durante os cinco anos. Em 2025, elas responderam por 62,2% das entradas arriscadas e 53,8% das saídas. Em contraste, fraudes e hacks forneceram mais de quatro quintos das entradas sinalizadas em 2021.

As entradas ligadas a fraudes caíram para US$ 4,16 bilhões em 2025, enquanto os hacks somaram US$ 1,51 bilhão. No mesmo ano, as entradas associadas a sanções atingiram US$ 11,02 bilhões. Além disso, o USDT na Tron representou 68% das entradas e 80,4% das saídas de risco.

A participação do Bitcoin nas entradas sinalizadas caiu de 83,1% em 2021 para 11% em 2025. Em julho de 2025, o relatório registrou US$ 2,48 bilhões em entradas associadas a sanções. Esse total correspondeu a aproximadamente 84% dos depósitos arriscados daquele mês.

Grandes transferências concentraram os valores

O estudo encontrou 5.878 depósitos acima de US$ 1 milhão, responsáveis por US$ 33,77 bilhões. Portanto, essas operações concentraram 37,24% do valor total dos depósitos sinalizados. Porém, elas corresponderam a apenas 0,02% das transações de depósito classificadas como arriscadas.

O valor médio de uma transação arriscada subiu de US$ 392 em 2021 para US$ 5.237 em 2025. Ao mesmo tempo, a quantidade de operações caiu de aproximadamente 155 milhões para 6,6 milhões. A distância média ponderada entre exchanges e entidades sinalizadas avançou de 1,51 para 2,73 transferências.

A metodologia alertou que mixers, pontes, serviços de privacidade e carteiras não identificadas podem apagar a atribuição original dos fundos. Além do mais, o levantamento desconsiderou conexões posteriores à quinta transferência. Dessa forma, a queda da exposição identificada não comprova uma redução equivalente da atividade subjacente.

Ações contra Garantex reduziram fluxos sinalizados

Após a interrupção da infraestrutura da Garantex, em março de 2025, as entradas diárias sinalizadas ligadas à plataforma caíram 98,9%. As saídas recuaram 99,7%, conforme o levantamento. O Departamento de Justiça dos EUA informou que autoridades apreenderam três domínios da Garantex em 6 de março de 2025.

No dia seguinte, o departamento anunciou a operação. Paralelamente, autoridades alemãs e finlandesas apreenderam servidores, enquanto os Estados Unidos congelaram mais de US$ 26 milhões. Posteriormente, o Tesouro dos EUA apontou a Grinex como sucessora que recebeu clientes e fundos da Garantex.

O estudo também detectou menor exposição após as designações da Grinex e da A7A5, em agosto de 2025. Por outro lado, a exposição diária média aumentou após a designação da Bitpapa, em março de 2024. Esses resultados mostram que as medidas produziram efeitos diferentes entre as plataformas analisadas.

Em uma análise separada sobre a Coreia do Norte, o relatório registrou US$ 544,40 milhões em exposição combinada nas exchanges. Nesse recorte, a metodologia excluiu saques que representavam o furto original em ataques atribuídos a atores norte-coreanos. Assim, o cálculo se concentrou nas demais conexões identificadas pelo rastreamento.

Licenças ajudaram a estimar a exposição regional

Entre dez exchanges avaliadas quanto a licenças, o estudo estimou US$ 52,33 bilhões em exposição ligada às jurisdições onde mantinham registros. Para isso, os pesquisadores usaram a distribuição geográfica das visitas aos sites das plataformas. A estimativa buscou relacionar a atividade às regiões atendidas por cada exchange.

Por último, 17 exchanges autorizadas pela regulamentação europeia MiCA até agosto de 2026 registraram US$ 83,18 bilhões em exposição histórica. O valor abrangeu o período entre 2021 e 2025. Apesar disso, o relatório reforçou que exposição não equivale à participação consciente em atividades ilícitas.

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