Executivo admite vender ferramentas sigilosas por cripto

O caso envolve um executivo australiano que declarou-se culpado nos Estados Unidos após negociar ferramentas cibernéticas sigilosas pertencentes a um contratante de defesa do governo norte-americano. O episódio ganhou atenção porque as transações foram realizadas em cripto e envolveram um intermediário russo, ampliando preocupações sobre segurança nacional.

Negociações secretas e pagamentos em cripto

Peter Williams, de 39 anos, atuava como gerente em uma empresa contratada pelo governo dos EUA. Segundo as autoridades, ele teve acesso legítimo à rede segura da companhia e, assim, copiou softwares sensíveis e ferramentas de exploração cibernética. Além disso, os investigadores explicaram que pelo menos oito desses componentes eram destinados a operações de inteligência dos EUA e de aliados selecionados.

As investigações mostram que Williams transferiu os arquivos por canais criptografados antes de encaminhá-los ao intermediário russo, que dizia fornecer tecnologia para governos estrangeiros. As transações ocorreram entre 2022 e 2025. No entanto, mesmo após tomar conhecimento de que o FBI havia iniciado uma investigação, ele continuou as tratativas até julho de 2025.

O Departamento de Justiça afirmou que cada acusação pode resultar em até dez anos de prisão e multa de até US$ 250 mil. Promotores solicitaram pena de nove anos, restituição superior a US$ 35 milhões e três anos de liberdade supervisionada.

Uso do dinheiro e contratos envolvendo cripto

As autoridades detalharam que Williams recebeu mais de US$ 1,26 milhão em cripto pelos materiais roubados. Além disso, os contratos estabelecidos com o intermediário previam pagamentos adicionais que poderiam alcançar US$ 4 milhões, dependendo da continuidade das entregas e do suporte técnico fornecido.

A investigação indica que Williams movimentou esses valores por meio de transações anonimizadas antes de convertê-los em dinheiro. Assim, utilizou os recursos para adquirir veículos de luxo, joias, viagens internacionais e até pagar um adiantamento de US$ 1,5 milhão por um imóvel em Washington.

A Justiça dos EUA afirmou que a sentença será divulgada na próxima semana, após avaliação final conduzida por promotores federais em Washington e pelo escritório do FBI em Baltimore.

Riscos à segurança nacional e impacto global

Os promotores ressaltaram que parte das ferramentas desviadas incluía capacidades zero-day desenvolvidas para missões sigilosas. Além disso, algumas delas também eram utilizadas pelos países da aliança Five Eyes, composta por Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

Segundo os investigadores, a exposição desse tipo de tecnologia pode permitir que grupos estrangeiros a utilizem diretamente ou até a revendam. Portanto, o vazamento ampliou riscos globais, especialmente porque tais ferramentas fortalecem operações ofensivas e defensivas em ambientes digitais estratégicos.

A empresa afetada teve prejuízo superior a US$ 35 milhões, enquanto a divulgação das ferramentas comprometeu a integridade de missões conjuntas de inteligência. Assim, o caso reforça como o uso de cripto pode facilitar transferências clandestinas de tecnologia sensível, ampliando ameaças à segurança nacional e aos aliados dos EUA.