Experimento quântico reacende debate sobre Bitcoin

A segurança do Bitcoin voltou ao debate após um experimento recente com computação quântica. O pesquisador independente Giancarlo Lelli conquistou um prêmio de 1 BTC ao quebrar uma pequena chave criptográfica com hardware quântico, reacendendo discussões sobre os limites atuais da proteção da rede.

À primeira vista, o resultado pode parecer alarmante, sobretudo porque o Bitcoin protege bilhões de dólares com mecanismos avançados de cripto. No entanto, uma análise mais detalhada mostra que o experimento ainda está distante de representar uma ameaça prática. Ainda assim, o avanço técnico chama atenção pelo ritmo de evolução observado.

Avanço técnico ainda distante da realidade da rede

O teste ocorreu durante o Q-Day Prize, promovido pela Project Eleven. Nesse contexto, Lelli utilizou um computador quântico acessível ao público, com cerca de 70 qubits, a fim de quebrar uma chave de apenas 15 bits baseada em criptografia de curva elíptica, o mesmo modelo matemático que sustenta a segurança do Bitcoin.

Para alcançar o resultado, o pesquisador aplicou uma variação do algoritmo de Shor, conhecido por resolver problemas criptográficos complexos em ambientes quânticos. O processo levou aproximadamente 45 minutos. Em comparação, o recorde anterior, registrado em setembro de 2025, havia quebrado uma chave de 6 bits. Assim, o salto para 15 bits representa um aumento de complexidade de cerca de 512 vezes.

Além disso, o uso de hardware acessível reduz a barreira de entrada. Como resultado, mais pesquisadores podem replicar ou ampliar esse tipo de experimento. Ainda que o cenário permaneça controlado, a tendência indica progresso contínuo.

Exposição de chaves levanta preocupação futura

Estimativas da Project Eleven indicam que cerca de 6,9 milhões de BTC estão armazenados em endereços com chaves públicas já expostas na blockchain. Entre eles, aproximadamente 1,1 milhão de BTC pertencem ao criador do Bitcoin, Satoshi Nakamoto. Nesse sentido, esses endereços poderiam se tornar alvos caso a tecnologia quântica avance significativamente.

Além disso, especialistas destacam o conceito de “colher agora, descriptografar depois”. Ou seja, agentes podem coletar dados atualmente e aguardar avanços tecnológicos para explorá-los no futuro. Portanto, mesmo com risco imediato baixo, o cenário de longo prazo exige atenção.

Computação quântica ainda não ameaça o Bitcoin

Apesar do progresso, a segurança do Bitcoin não foi comprometida. O experimento envolveu uma chave de 15 bits, enquanto a rede utiliza chaves de 256 bits. Em outras palavras, a diferença de complexidade é exponencial e ainda intransponível com a tecnologia atual.

Mesmo com avanços rápidos, a distância entre testes laboratoriais e ataques reais permanece enorme. Ainda assim, especialistas apontam que a velocidade da evolução merece monitoramento. O CEO da Project Eleven, Alex Pruden, afirmou que os requisitos técnicos estão diminuindo gradualmente, o que pode tornar esses ataques mais viáveis no futuro.

Estimativas mostram avanço, mas ainda fora do alcance

Um estudo publicado pelo Google em abril de 2026 sugeriu que menos de 500 mil qubits físicos poderiam ser suficientes para quebrar chaves de 256 bits. Posteriormente, pesquisas conduzidas pelo California Institute of Technology (Caltech) e pela Oratomic indicaram que esse número pode cair para cerca de 10 mil qubits em arquiteturas específicas. Ainda assim, esses níveis permanecem fora da realidade prática atual.

Além disso, nem todas as carteiras apresentam o mesmo nível de risco. Endereços cujas chaves públicas não foram expostas permanecem mais protegidos. Por outro lado, aqueles já visíveis na blockchain podem se tornar mais vulneráveis em um cenário de evolução quântica.

Bitcoin
BTC sendo negociado a US$ 77.760 no gráfico diário | Fonte: BTCUSDT no TradingView

Em conclusão, o experimento de Giancarlo Lelli representa um avanço técnico relevante na aplicação da computação quântica contra sistemas de cripto. No entanto, a segurança do Bitcoin permanece amplamente superior ao demonstrado. Ainda assim, à medida que os requisitos técnicos diminuem, o tema tende a ganhar importância crescente nos próximos anos.