Extradição de Chen Zhi acende alerta sobre 23 mil BTC
Bitcoin voltou ao centro das discussões globais após o Camboja extraditar Chen Zhi para a China. A ação reacendeu preocupações sobre o futuro dos mais de 23 mil BTC associados a ele em registros on-chain. A extradição ocorreu após meses de cooperação entre autoridades cambojanas e chinesas, e encerrou a permanência de Chen no país, após sua cidadania ser revogada em dezembro de 2025. A Reuters relatou que outros dois cidadãos chineses, Xu Ji Liang e Shao Ji Hui, também foram entregues a Pequim, embora sem detalhes oficiais sobre as acusações.
Ativos digitais sob disputa internacional
O caso ganhou nova dimensão quando Alex Thorn, chefe de pesquisas da Galaxy Digital, destacou a imobilidade dos fundos ligados a Chen. Ele afirmou, em uma análise publicada após autoridades dos EUA terem apreendido 127 mil BTC em outubro de 2025, que Chen ainda manteria mais de US$ 2 bilhões em Bitcoin. Thorn explicou que sua equipe identificou 23.191 BTC distribuídos entre 7.234 BTC vinculados ao Prince Group/LuBian e outros 15.957 BTC transferidos de endereços sancionados pelo OFAC logo após a revelação de documentos judiciais.
Segundo Thorn, nenhuma dessas carteiras registrou movimentações após a prisão e a extradição, o que amplia o impasse sobre sua custódia.
No entanto, a situação se complica porque os EUA possuem uma acusação formal contra Chen, enquanto a China agora controla sua custódia. Isso reduz a possibilidade de apreensão direta dos ativos por parte das autoridades americanas. Além disso, a falta de movimentação dos Bitcoins fortalece a percepção de que os ativos permanecerão congelados on-chain até que alguma jurisdição consiga avançar sobre o caso.
Investigação expõe falhas técnicas antigas
Outro ponto relevante envolve o problema conhecido como Milk Sad, relacionado a carteiras LuBian com baixa entropia. Esse detalhe reacendeu suspeitas sobre a segurança de um grande cluster de carteiras de mineração comprometidas em 2020. Assim, analistas passaram a considerar que o caso poderia envolver uma complexidade maior do que a inicialmente avaliada.
Um relatório da Galaxy Research publicado em outubro descreveu a apreensão de 127.271 BTC pelo DOJ como a maior já registrada. O documento afirmava que o foco estava em Chen, acusado de liderar um conglomerado que operava golpes pig-butchering, centros de trabalho forçado e plataformas ilegais de jogos de azar. O relatório apontou ainda que os endereços listados pela corte coincidiam com carteiras de baixa entropia identificadas por especialistas, embora grande parte dos Bitcoins confiscados estivesse ligada ao explorador de Lubian.com.
A discussão técnica e jurídica é fundamental para entender o destino dos 23.191 BTC que seguem parados. Portanto, a análise sobre quem terá autoridade para intervir nos ativos continua aberta. Enquanto observadores monitoram qualquer movimentação on-chain.
No momento da apuração, o Bitcoin era negociado a US$ 90.374. Analistas avaliavam se a imobilidade das carteiras associadas a Chen poderia influenciar o comportamento do mercado. Especialmente em um período de alto interesse institucional.

Fonte do gráfico: BTCUSDT em TradingView
A extradição, somada à manutenção de mais de 23 mil BTC sem movimentação, reforça o peso judicial e financeiro do caso. Além disso, o histórico de falhas técnicas, as apreensões anteriores e os rastreamentos on-chain formam um conjunto de elementos que agora influencia autoridades e agentes de mercado. Assim, o cenário permanece indefinido, enquanto investidores acompanham de perto qualquer sinal de mudança.