FCA alerta clubes do Reino Unido sobre patrocínio cripto
A FCA alertou clubes de futebol do Reino Unido sobre patrocínios com empresas de criptomoedas não autorizadas. Segundo a reguladora, esses acordos podem expor torcedores e equipes a riscos financeiros, jurídicos e reputacionais.
A Financial Conduct Authority (FCA), reguladora financeira do Reino Unido, enviou um alerta formal a clubes da Premier League e de outras divisões inglesas. Segundo o órgão, empresas de criptomoedas e plataformas de negociação sem autorização usam a visibilidade dos clubes a fim de alcançar milhões de torcedores.
Regulador vê risco em marcas não autorizadas
De acordo com a FCA, várias empresas sem autorização, inclusive negócios ligados ao mercado de criptomoedas e plataformas de trading, estariam oferecendo serviços financeiros no Reino Unido sem a permissão legal exigida. Assim, a reguladora entende que essa conduta pode violar a legislação britânica de serviços financeiros.
Lucy Castledine, diretora de investimentos ao consumidor da FCA, afirmou que milhões de torcedores confiam no escudo e na imagem de seus clubes. Por isso, segundo ela, as equipes não devem permitir que empresas sem autorização explorem essa confiança para promover produtos ou serviços de risco.
Além disso, a FCA reforçou que a presença de um logotipo em uniforme, estádio ou campanha publicitária não prova que a empresa seja segura, confiável ou atue legalmente. Em outras palavras, esse espaço apenas indica que houve pagamento pelo patrocínio.
Como orientação prática, a autoridade recomendou o uso do Firm Checker, ferramenta mantida pela própria FCA. O sistema permite verificar se uma empresa que oferece serviços financeiros tem registro e autorização. Conforme o órgão, se a companhia não aparecer nessa lista, o consumidor pode ter pouca ou nenhuma proteção caso algo dê errado.
Regulador do Reino Unido alerta clubes da Premier League sobre acordos de patrocínio com empresas de criptomoedas.
Reuters UK no X
Diligência deve continuar durante os contratos
A FCA deixou claro que o risco não recai apenas sobre os torcedores. Os clubes que fecharem acordos com empresas de serviços financeiros não autorizadas também podem enfrentar consequências relevantes. Entre os pontos citados pela reguladora estão possível responsabilidade jurídica, exposição a práticas de lavagem de dinheiro e danos à reputação das instituições esportivas.
Por essa razão, o órgão afirmou esperar que todos os clubes de futebol do Reino Unido façam diligência adequada antes de assinar qualquer contrato de patrocínio com empresas do setor financeiro. Ademais, essa verificação não deve ocorrer apenas na assinatura. Segundo a FCA, o acompanhamento precisa continuar ao longo de toda a parceria comercial.
Nos casos em que já identificou preocupações, a autoridade disse ter falado diretamente com os clubes envolvidos. Além disso, sinalizou que poderá adotar novas medidas sempre que considerar necessário.
A reguladora informou ainda que trabalha com o governo britânico, a Premier League e o Independent Football Regulator para tratar o tema em todo o futebol profissional. Dessa forma, o aviso deixa de ser pontual e passa a indicar uma supervisão mais ampla sobre patrocínios ligados a serviços financeiros e ativos digitais.
Receita comercial ajuda a explicar acordos
A ministra dos Esportes, Stephanie Peacock, também comentou o tema. Ela reconheceu que a receita de patrocínio é essencial para os clubes, mas afirmou que os torcedores merecem garantias de que as empresas associadas às equipes sejam responsáveis e seguras.
O alerta da FCA surge em um momento no qual o patrocínio se consolidou como uma das principais fontes de receita para grandes clubes europeus. Dados da Deloitte mostram que o Manchester City gerou 408 milhões de euros em receita comercial em 2025. Ao mesmo tempo, o clube registrou 332 milhões de euros com direitos de transmissão no mesmo período.
Esses números ajudam a explicar por que acordos com empresas de criptomoedas e plataformas do setor se tornaram financeiramente atraentes. Quanto maior o peso da receita comercial, maior também o interesse de marcas em ganhar visibilidade por meio de camisas, placas em estádios e campanhas digitais.
Supervisão amplia responsabilidade dos clubes
Na visão da reguladora, justamente esse potencial de exposição tem sido explorado por empresas sem autorização. Assim, essas companhias conseguem alcançar milhões de pessoas sem cumprir os padrões regulatórios exigidos no Reino Unido.
Na prática, os clubes já não podem tratar esses contratos apenas como decisões comerciais. Afinal, a análise regulatória passou a integrar a responsabilidade institucional de cada equipe, sobretudo quando o patrocinador atua com serviços financeiros ou produtos ligados ao mercado de criptomoedas.
Com isso, a FCA reforçou dois pontos centrais. Primeiro, a confiança do torcedor não deve servir a empresas não autorizadas. Segundo, os clubes podem enfrentar consequências legais, financeiras e reputacionais se ignorarem esse risco. A autoridade também reiterou a orientação para consulta ao Firm Checker e confirmou contato direto com equipes nas quais identificou preocupações.