Federal Reserve: Christopher Waller admite alta em setembro

O governador do Federal Reserve, Christopher Waller, sinalizou na quinta-feira que pode apoiar uma nova alta de juros em setembro. A decisão dependerá, sobretudo, dos dados de inflação de agosto. Caso os números superem as expectativas, o dirigente considera elevar novamente a taxa.

Ao mesmo tempo, Waller prefere aguardar novos sinais sobre o avanço da desinflação. Ele integra o grupo de membros votantes do Comitê Federal de Mercado Aberto, o FOMC. Se a melhora continuar, o governador apoiará a manutenção dos juros na reunião de setembro.

Dados de inflação orientam decisão do Federal Reserve

Durante uma entrevista à Reuters NEXT Newsmaker, Waller afirmou que os indicadores recentes mostram uma trajetória favorável para a inflação. Segundo o dirigente, os dados avançam em direção à meta de 2% do banco central. Portanto, a continuidade desse movimento sustentaria uma pausa no ciclo de aperto monetário.

O governador destacou, principalmente, a desaceleração do núcleo da inflação. A taxa anualizada do indicador em três meses recuou para 3,05% até julho. Em fevereiro, a mesma medida estava em 4,76%.

Para Waller, esse ritmo mais moderado permite que o Federal Reserve aguarde antes de apertar novamente sua política monetária. Contudo, ele ressaltou que a política atual permanece apenas ligeiramente restritiva. Assim, uma surpresa negativa nos preços ainda poderia justificar outra elevação.

Waller afirmou que apoiará a manutenção da taxa no nível atual se houver progresso contínuo em direção à meta de 2%. Por outro lado, uma inflação mais forte que o esperado poderia alterar sua posição. Nesse cenário, o FOMC voltaria a discutir um aumento dos juros em setembro.

Mercados reagem à sinalização sobre os juros

Os mercados financeiros reagiram rapidamente às declarações de Waller. Após o governador demonstrar abertura para manter os juros, operadores reduziram as expectativas de alta em setembro. Como resultado, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos caíram, enquanto o dólar perdeu força.

As expectativas sobre os juros também influenciaram o mercado de ativos digitais ao longo do ano. O Bitcoin, por exemplo, caiu abaixo de US$ 78.000 após a divulgação do índice PCE de julho. O indicador de preços das despesas de consumo pessoal permaneceu acima da meta de 2% do banco central.

Em contrapartida, o Bitcoin recuperou impulso quando o Federal Reserve manteve a taxa entre 3,50% e 3,75% em julho. Dessa forma, dados de inflação e decisões monetárias continuam relevantes para o comportamento do ativo. Ainda assim, outros fatores de mercado também podem influenciar suas oscilações.

Nesse contexto, o FOMC desempenha uma função central na política monetária dos Estados Unidos. O comitê estabelece a meta para os juros e orienta as operações de mercado aberto. Essas decisões buscam conciliar a estabilidade de preços com o objetivo de pleno emprego.

Preços de energia permanecem entre os riscos

Waller apontou os preços do petróleo e da energia como riscos para a trajetória da inflação. Embora o núcleo do índice tenha desacelerado, custos maiores de energia ainda podem pressionar outros preços. Consequentemente, despesas de transporte e produção também podem aumentar.

Esses fatores podem dificultar o esforço do Federal Reserve para levar a inflação de volta à meta de 2%. Ainda assim, o tom de Waller indica uma abordagem cautelosa e gradual. Os formuladores de política monetária demonstram mais confiança no alívio das pressões inflacionárias, mas permanecem vigilantes.

Caso os próximos dados mostrem novas pressões sobre os preços, Waller poderá apoiar outra alta em setembro. Se a desinflação avançar, o banco central poderá manter os juros e aguardar novos indicadores. Até a reunião, as expectativas sobre o Federal Reserve continuarão no foco dos mercados tradicionais e digitais.