Fedi abre código no aniversário do bloco gênesis
A Fedi, inovadora do Bitcoin que utiliza o protocolo Fedimint, tornou todo o seu ecossistema totalmente aberto em 3 de janeiro, data que marca o aniversário do bloco gênesis do Bitcoin. A empresa confirmou que seus softwares agora seguem a licença Affero General Public License (AGPL). Além disso, a mudança reforça a promessa feita no lançamento do projeto em 2024.
A adoção da AGPL exige que obras derivadas permaneçam abertas para auditoria pública. Assim, comunidades que utilizam a plataforma ganham mais segurança, já que não há risco de dependência de fornecedor ou de aprimoramentos fechados. No entanto, a Fedi destaca que essa transição fortalece a transparência e incentiva melhorias colaborativas.
O anúncio foi sincronizado com uma das datas mais simbólicas do Bitcoin. Em 3 de janeiro de 2009, Satoshi Nakamoto minerou o bloco gênesis, inaugurando a rede descentralizada. Portanto, a escolha reforça a visão de estimular soluções comunitárias e modelos de propriedade coletiva.
Novo ciclo de desenvolvimento aberto da empresa
Desde sua criação, a Fedi apresentou a proposta de ampliar autonomia tecnológica para grupos sociais. A plataforma permite que comunidades criem redes financeiras próprias com recursos como mensagens criptografadas, pagamentos com Bitcoin e integração de Mini Apps. Além disso, a estrutura é baseada no protocolo Fedimint, que utiliza um modelo federado para custódia compartilhada.
Esse modelo distribui responsabilidades entre operadores independentes. Portanto, nenhum guardião tem controle total dos fundos. A abordagem reduz riscos de censura e reforça a privacidade. De acordo com a empresa, a licença AGPL garante acesso público às melhorias mesmo quando aplicadas em serviços hospedados, mantendo o alinhamento entre desenvolvedores e usuários.
A decisão de abrir completamente o código já era mencionada por executivos da empresa em eventos recentes. Em uma apresentação no BitcoinMENA, o CEO Obi Nwosu afirmou que o desenvolvimento aberto é essencial para expandir ferramentas comunitárias focadas em Bitcoin. Além disso, a mudança acompanha um movimento crescente em projetos que buscam transparência total.
Evolução do Fedimint e inspiração no e-cash
O Fedimint se inspira no modelo de e-cash criado por David Chaum nos anos 1980. A tecnologia permitia transações privadas sem que a autoridade emissora tivesse acesso às identidades. No entanto, o sistema dependia de controle centralizado, o que gerava riscos de censura. Com o Bitcoin, esse cenário mudou. A validação distribuída resolveu o problema do duplo gasto e eliminou a necessidade de uma entidade emissora.
Ainda assim, o Bitcoin traz outras características, como transparência total nas transações. Assim, o Fedimint busca unir benefícios dos dois modelos. Ele usa o Bitcoin como reserva e distribui a custódia entre operadores independentes, reduzindo pontos de falha e aumentando a privacidade.
A decisão de abrir o código torna mais acessível a criação de infraestruturas financeiras comunitárias. Portanto, grupos locais ganham autonomia para desenvolver soluções sem depender de bancos ou plataformas centralizadas.