Fold Holdings vende Bitcoin, zera dívida e preserva 1.492 BTC

A Fold Holdings, Inc. (NASDAQ: FLD) atua em serviços financeiros focados em Bitcoin. A companhia anunciou uma reestruturação de capital para eliminar dívida garantida, reforçar o balanço e financiar a próxima fase de crescimento. Para isso, monetizou cerca de US$ 45 milhões em Bitcoin a um preço médio aproximado de US$ 71 mil por unidade.

Desse total, a empresa usou US$ 20 milhões para quitar uma dívida lastreada em Bitcoin. Além disso, direcionou os US$ 25 milhões restantes para iniciativas de expansão em plataformas voltadas ao consumidor e ao segmento corporativo. Assim, a Fold busca acelerar lançamentos de produtos e ampliar sua capacidade operacional sem recorrer, neste momento, a capital dilutivo.

Dívida garantida sai do balanço

Após a operação, a Fold passou a operar sem dívida garantida. Ao mesmo tempo, preservou uma tesouraria de aproximadamente 1.492 BTC, avaliada em cerca de US$ 95 milhões nos preços atuais. Dessa forma, a empresa mantém exposição relevante ao ativo, ainda que tenha realizado uma venda parcial para reorganizar sua estrutura de capital.

O mercado reagiu com força ao anúncio. As ações da Fold chegaram a US$ 1,50 no início do pregão, com alta superior a 130% no dia. No entanto, o papel perdeu força ao longo da sessão e recuou para abaixo de US$ 1, embora ainda sustentasse valorização de cerca de 30%.

A operação integra uma reestruturação mais ampla do passivo. A companhia também quitou aproximadamente US$ 66,3 milhões em notas conversíveis. A Fold montou essa posição em março de 2025, quando adicionou 475 BTC à tesouraria por meio desses mesmos instrumentos. Como resultado, a operação liberou 521 BTC antes bloqueados como garantia e ampliou a flexibilidade da administração sobre as reservas.

“Reduzimos o risco de financiamento, fortalecemos nosso balanço e garantimos que a volatilidade de curto prazo do mercado não atrapalhe a execução do nosso roteiro”, afirmou Will Reeves, presidente do conselho e CEO da Fold. “À medida que nos aproximamos de vários lançamentos de produtos, acreditamos que a Fold está entrando em um dos períodos de crescimento mais importantes de sua história.”

Cartão com recompensas em Bitcoin sustenta estratégia

Segundo a companhia, seu principal produto, o cartão de crédito com recompensas em Bitcoin, segue no centro da tese de crescimento. Ao eliminar a dívida, a Fold também retira de sua estrutura os pagamentos mensais de juros em caixa. Nesse sentido, a administração ganha mais margem para ampliar a base de portadores do cartão e negociar novas relações de financiamento alinhadas à economia do programa.

Além disso, a empresa informou que mantém uma linha de crédito rotativa de US$ 45 milhões garantida por colateral em Bitcoin. Também preserva uma estrutura de compra de ações de US$ 250 milhões voltada à futura acumulação de Bitcoin. Esses instrumentos refletem a estratégia de tesouraria corporativa adotada desde que a Fold chegou à bolsa, em 19 de fevereiro de 2025, após a fusão com a SPAC FTAC Emerald Acquisition Corp.

Receita cresce antes de nova fase

A reestruturação ocorre em meio a avanço operacional. No ano fiscal de 2025, a receita da Fold alcançou US$ 31,8 milhões, alta de 34% em relação ao ano anterior. Além disso, o volume transacionado chegou a quase US$ 960 milhões no período, o que reforça a leitura de expansão da operação.

Desde o lançamento, em 2019, a companhia afirma ter processado mais de US$ 2 bilhões em transações totais. Também distribuiu mais de US$ 45 milhões em recompensas em Bitcoin aos usuários. Portanto, a empresa tenta combinar crescimento comercial com uma estratégia de tesouraria fortemente ligada ao desempenho do ativo.

Para a administração, a combinação entre balanço sem dívida garantida, operação com geração de receita e tesouraria exposta ao Bitcoin cria uma estrutura de capital mais adequada ao ambiente atual. Ao mesmo tempo, produtos financeiros nativos de Bitcoin ganham tração entre consumidores e parceiros institucionais de financiamento.

“Ao longo do último ano, construímos um dos roteiros de produtos mais fortes da nossa história”, disse Will Reeves. “Maior liquidez e menor endividamento garantem que temos os recursos e a flexibilidade para executar nossos planos neste momento decisivo para a Fold.”

Na prática, os dados divulgados pela empresa mostram uma troca de risco financeiro por liquidez operacional. A Fold vendeu cerca de US$ 45 milhões em Bitcoin, quitou US$ 20 milhões em dívida garantida e direcionou US$ 25 milhões ao crescimento. Ainda assim, preservou 1.492 BTC em tesouraria e liberou 521 BTC antes travados como colateral.