Foresight Ventures: IA muda comércio até 2026
Um relatório da Foresight Ventures indica que, até 2026, o comércio digital impulsionado por IA pode alcançar um ponto de inflexão relevante. Segundo a análise, grandes empresas de tecnologia já avançam além da fase experimental, com foco em sistemas capazes de executar pagamentos de forma autônoma por meio de agentes inteligentes.
Nos últimos meses, empresas como Coinbase, Google, Stripe e Microsoft apresentaram iniciativas voltadas a esse cenário. Assim, cresce a percepção de que sistemas tradicionais de pagamento não atendem plenamente às demandas de transações realizadas por máquinas. Além disso, a evolução da IA reforça a necessidade de uma infraestrutura mais eficiente e adaptável.
Pagamentos automatizados ganham tração com agentes de IA
De acordo com o relatório, o chamado comércio agentic começa a sair do campo conceitual. Por exemplo, o protocolo x402, associado à Coinbase, já teria processado milhões de transações na rede Base, embora os números devam ser interpretados com cautela. Ao mesmo tempo, o Google lançou o Universal Commerce Protocol com apoio de dezenas de parceiros.
Além disso, a Stripe desenvolveu o Machine Payments Protocol em parceria com a Tempo. Enquanto isso, a Microsoft projeta que agentes de IA possam alcançar até 1,3 bilhão de usuários até 2028. Dessa forma, o mercado passa a considerar a automação financeira como uma tendência consistente, ainda que em evolução.
Entretanto, há desafios estruturais importantes. Os sistemas atuais foram projetados para interação humana. Em contrapartida, agentes de IA exigem aprovações rápidas, pagamentos programáveis e suporte a microtransações em larga escala. Por isso, a infraestrutura existente apresenta limitações claras.
Desafios técnicos exigem novos modelos de pagamento
Com efeito, velocidade e baixo custo tornam-se fatores centrais. Enquanto cartões tradicionais oferecem ampla aceitação, suas taxas dificultam o uso em transações frequentes entre máquinas. Por outro lado, soluções baseadas em stablecoins tendem a apresentar custos mais baixos, o que as torna mais adequadas para esse tipo de operação.
Segundo Alice Li, parceira da Foresight Ventures, os dois modelos atendem necessidades distintas. Enquanto cartões funcionam bem para consumidores, agentes de IA demandam trilhos financeiros diferentes. Assim, esses sistemas não são diretamente intercambiáveis.
Arquitetura divide o comércio em duas camadas
A pesquisa aponta uma mudança estrutural relevante. O comércio baseado em IA passa a operar em duas camadas. Em primeiro lugar, a orquestração define como agentes identificam serviços, tomam decisões e iniciam pagamentos. Em segundo lugar, a liquidação determina como os valores são efetivamente transferidos.
Atualmente, essas camadas evoluem de forma paralela. Empresas como OpenAI, Stripe e Google lideram iniciativas na orquestração. Enquanto isso, a disputa na liquidação se intensifica, sobretudo entre soluções tradicionais e baseadas em blockchain.
Liquidação se torna campo estratégico
Na camada de liquidação, a Ethereum Foundation desenvolve padrões como o ERC-8183, voltados ao uso de contratos inteligentes e sistemas de custódia para transações entre agentes de IA. Dessa maneira, a tecnologia blockchain ganha espaço nesse novo contexto.
Atualmente, diferentes abordagens competem por adoção. Sistemas baseados em cartões, como os de Stripe, Visa e Mastercard, já operam em escala, mas apresentam custos elevados. Em contrapartida, soluções com stablecoins, incluindo iniciativas ligadas à Coinbase e à Circle, sugerem maior eficiência operacional.
Portanto, a escolha da infraestrutura de liquidação pode influenciar os líderes desse mercado emergente. Afinal, eficiência e escalabilidade tendem a ser decisivas para a adoção.
Fragmentação ainda limita expansão global
Apesar dos avanços, a adoção permanece em estágio inicial. O mercado segue fragmentado, com empresas desenvolvendo padrões próprios. Consequentemente, a falta de interoperabilidade dificulta a expansão global.
Empresas asiáticas, como ByteDance e Alibaba, investem em ecossistemas fechados. Enquanto isso, companhias ocidentais seguem caminhos independentes. Assim, a ausência de padronização cria barreiras para integração entre sistemas.
Infraestrutura surge como principal oportunidade
Segundo o relatório, a maior oportunidade está na infraestrutura, e não nas plataformas visíveis ao usuário. Com o avanço dos agentes de IA, será necessário integrar múltiplos sistemas de pagamento. Isso inclui tanto redes de cartões quanto soluções com stablecoins operando de forma simultânea.
Esse modelo multitrilhos tende a ser essencial. Dessa forma, empresas poderão escalar operações em diferentes regiões e contextos. Além disso, a expansão para aplicações do mundo real pode impulsionar novos casos de uso, como análise de dados e serviços digitais.
IA impacta modelos de monetização digital
Outro efeito relevante envolve os modelos de monetização. Atualmente, publicidade e assinaturas dominam o ambiente digital. No entanto, esses formatos dependem do comportamento humano.
Em contraste, agentes de IA não interagem com anúncios. Em vez disso, realizam pagamentos diretos por tarefa. Assim, modelos de cobrança por uso tendem a ganhar espaço em relação às assinaturas tradicionais, o que pode transformar a economia digital.
Em suma, a Foresight Ventures projeta dois caminhos paralelos. Pagamentos voltados ao consumidor devem continuar baseados em cartões. Por outro lado, transações entre agentes de IA tendem a migrar para stablecoins. Nesse contexto, o controle da infraestrutura multitrilhos surge como fator estratégico central.