FTX: EUA recuperam US$ 800 mil para credores

O governo dos Estados Unidos recuperou US$ 800 mil ligados à Alameda Research e destinou o valor ao ressarcimento de credores da FTX. Assim, o montante reforça o conjunto de ativos reconquistados desde a falência do grupo e amplia a recomposição patrimonial dos usuários afetados.

Até o início de 2026, a massa falida da FTX já havia distribuído cerca de US$ 7,6 bilhões a credores. Além disso, em alguns casos, os pagamentos superaram 100% dos valores reconhecidos nos planos de reembolso aprovados. Para viabilizar os repasses, a administração judicial intensificou a liquidação de ativos. Entre as movimentações recentes, houve cerca de US$ 16 milhões a US$ 17 milhões em Solana mantidos em carteiras ligadas à Alameda.

Recuperação de ativos avança no caso FTX

A recuperação dos US$ 800 mil ilustra uma das disputas mais persistentes no caso FTX. Afinal, há sobreposição de reivindicações sobre os ativos apreendidos. Além da própria massa falida, existem pleitos de credores individuais e de liquidantes de Antígua ligados à estrutura do grupo.

Na prática, diferentes partes ainda disputam parcelas dos recursos recuperados ao longo do processo. Nesse sentido, a frente criminal e a frente civil se cruzam com frequência. Um mesmo ativo, portanto, pode interessar a mais de um grupo envolvido no caso.

FTX e Alameda Research entraram com pedido de falência em 11 de novembro de 2022, depois da revelação do uso sistemático de fundos de clientes. Desde então, a busca por ativos se tornou uma frente central da reestruturação. Na esfera criminal, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos conduz apreensões de bens ligados à fraude.

Disputa entre credores e autoridades segue aberta

Nesse arranjo, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos atua na frente criminal. Ao mesmo tempo, a massa falida conduz a frente civil, com venda de participações, tokens e outros ativos. A administração também organiza a análise e o pagamento das reivindicações.

Contudo, essas frentes não operam de forma totalmente separada. Quando um ativo apreendido também interessa à administração da falência, surgem disputas sobre a destinação final dos recursos. Por isso, a recuperação dos US$ 800 mil tem relevância além do valor absoluto. O caso sinaliza avanço na recomposição patrimonial disponível aos credores.

Vendas de Solana mantêm pressão no mercado

Outro ponto relevante envolve o impacto das liquidações sobre o mercado de criptomoedas. A venda de tokens SOL pela massa falida da Alameda cria pressão periódica de oferta sobre o ativo. Quando um volume entre US$ 16 milhões e US$ 17 milhões em Solana chega ao mercado, operadores consideram que a FTX ainda detém posição relevante.

Além disso, a possibilidade de novas vendas influencia a leitura de risco no curto prazo. Dessa forma, cada movimentação de carteiras ligadas à Alameda tende a receber atenção de investidores e analistas. Esse fluxo vendedor, portanto, não afeta apenas a recuperação dos credores. Ele também pode interferir no comportamento de preço da Solana.

Embora o foco principal do processo seja o ressarcimento, a liquidação de tokens mostra que o colapso da FTX ainda produz efeitos fora do ambiente judicial. Enquanto a administração converte ativos em caixa, o mercado absorve volumes relevantes em etapas sucessivas. Como resultado, a volatilidade pode aumentar em determinados períodos.

Condenação de Sam Bankman-Fried mantém caso em evidência

O ex-executivo Sam Bankman-Fried foi condenado a 25 anos de prisão em março de 2024. Ele também recebeu ordem de perdimento superior a US$ 11 bilhões. Assim, a sentença consolidou a dimensão criminal do colapso da FTX, enquanto os desdobramentos patrimoniais continuam no processo de recuperação.

A nova recuperação de US$ 800 mil se soma a um esforço mais amplo de recomposição financeira após a quebra da empresa. Nesse meio tempo, a massa falida já distribuiu cerca de US$ 7,6 bilhões e segue liquidando ativos, como os tokens Solana ligados à Alameda. Ainda assim, permanecem disputas entre credores, representantes de Antígua e autoridades dos Estados Unidos sobre a destinação final dos recursos apreendidos.