FTX: Netflix divulga trailer da série The Altruists

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A Netflix divulgou em 8 de outubro o trailer de The Altruists, série dramática de oito episódios sobre o escândalo da FTX. A produção estreia em 19 de novembro e acompanha Sam Bankman-Fried e Caroline Ellison. A plataforma apresenta os dois como jovens idealistas cujos planos para transformar as finanças terminaram em crimes bilionários.

Anthony Boyle interpreta Bankman-Fried, ex-CEO da FTX, enquanto Julia Garner vive Ellison, ex-chefe da Alameda Research. A empresa de trading mantinha vínculos estreitos com a corretora. Além disso, a Netflix disponibilizará todos os episódios na data da estreia.

Série retrata relação entre Bankman-Fried e Ellison

O trailer apresenta a relação dos dois executivos antes do colapso das empresas. Em uma cena, a personagem de Ellison afirma que mentir não é ruim quando existe uma boa causa. Em seguida, outra fala sustenta que apostar tudo sempre representa a estratégia matematicamente ideal.

As cenas associam a disposição dos personagens ao risco às crenças que alegavam defender. Durante o julgamento criminal de Bankman-Fried, em 2023, Ellison explicou como ele interpretava o altruísmo eficaz. Segundo o depoimento, ele acreditava que restrições contra mentir e roubar não se aplicavam necessariamente nessa visão.

O altruísmo eficaz busca produzir o maior benefício possível, inclusive por meio da obtenção de recursos para doações. Contudo, Graham Moore, criador e coprodutor executivo da série, afirmou que a trama acompanha pessoas inicialmente movidas por intenções filantrópicas. Depois, elas teriam convencido a si mesmas a cometer crimes.

Roteiristas destacam escalada das decisões

Moore descreveu uma escalada de desonestidade que começa com uma pequena mentira e cresce ao longo do tempo. Por sua vez, a coprodutora executiva Jacqueline Hoyt disse que o casal se incentivou a criar uma empresa capaz de transformar as finanças. Porém, a relação também contribuiu para a destruição do negócio.

Alex Lawther interpreta Sam Trabucco, ex-cochefe da Alameda Research. Já Matt Rife vive Ryan Salame, enquanto Karan Soni interpreta Nishad Singh. Eugene Young assume o papel de Gary Wang.

Paul Reiser e Robin Weigert interpretam Joe Bankman e Barbara Fried, pais de Bankman-Fried. Além disso, Jennifer Grey vive Sarah Fisher Ellison, mãe de Caroline Ellison. Terry Chen interpreta Changpeng Zhao, fundador da Binance.

A produtora Higher Ground, fundada por Barack Obama e Michelle Obama, participa da produção. Moore e Hoyt atuam como coprodutores executivos, corroteiristas e co-showrunners. Enquanto isso, James Ponsoldt dirigiu o primeiro episódio.

A série se inspira em reportagens da New York Magazine. Nesse contexto, Moore afirmou que o drama explora interações privadas ausentes dos registros públicos. A abordagem combina os acontecimentos conhecidos com a dramatização das relações entre os envolvidos.

Processo detalhou uso de recursos de clientes

Após o colapso e a recuperação judicial da FTX, em novembro de 2022, autoridades norte-americanas processaram criminalmente Bankman-Fried e outros executivos. Ellison se declarou culpada e cooperou com os promotores. Posteriormente, ela testemunhou contra o ex-colega e ex-namorado.

Em sua nota sobre a sentença, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou que Bankman-Fried roubou mais de US$ 8 bilhões de clientes. O órgão também apontou fraudes superiores a US$ 1,7 bilhão contra investidores da FTX. Além disso, os prejuízos atribuídos a fraudes contra credores da Alameda superaram US$ 1,3 bilhão.

De acordo com documentos judiciais, depósitos de clientes financiaram investimentos, doações políticas e imóveis. Os recursos ainda pagaram empréstimos da Alameda Research. Ao mesmo tempo, Bankman-Fried afirmava publicamente que os fundos estavam seguros e separados dos recursos empresariais.

Promotores apontaram alterações nos sistemas

Os promotores afirmaram que Bankman-Fried direcionou recursos de clientes à empresa de trading. Nesse contexto, ele teria ordenado que colegas alterassem os sistemas da FTX. Desse modo, a Alameda passou a retirar criptomoedas de forma praticamente ilimitada.

As autoridades também descreveram demonstrações financeiras falsas enviadas aos credores. Por outro lado, investidores receberam números inflados de receita e lucro. Os promotores ainda citaram documentos retrodatados usados para ocultar a conduta.

O júri condenou Bankman-Fried por sete acusações de fraude e conspiração. Na sequência, o juiz Lewis Kaplan aplicou uma pena de 25 anos de prisão. A decisão incluiu três anos de liberdade supervisionada e mais de US$ 11 bilhões em confisco.

O Departamento de Justiça afirmou que Kaplan autorizou o uso dos valores recuperados para indenizar as vítimas. Em 4 de agosto, um mandado do Segundo Circuito formalizou o julgamento de junho que manteve a sentença. Com isso, permaneceu válida a decisão aplicada ao ex-CEO da FTX.

Bankman-Fried busca revisão na Suprema Corte

O tribunal de apelação rejeitou o argumento de que possíveis reembolsos aos clientes enfraqueceriam o caso de fraude. Segundo os juízes, a fraude ocorreu quando o dinheiro seguiu para a Alameda sem autorização. Portanto, a possibilidade de devolução posterior não alterava essa conclusão.

Em 10 de setembro, os advogados de Bankman-Fried solicitaram que a Suprema Corte dos Estados Unidos revisasse o caso. A defesa contestou limitações às provas sobre os ativos da FTX e os potenciais reembolsos. O pedido também questiona o confisco de cerca de US$ 11,02 bilhões com base na cláusula constitucional sobre multas excessivas.

Separadamente, Bankman-Fried pediu perdão presidencial a Donald Trump. Para Ellison, registros federais citados em dezembro de 2025 indicavam libertação em 21 de janeiro de 2026. Antes disso, ela passou ao confinamento comunitário em outubro de 2025, após receber pena de dois anos em setembro de 2024.

Em dezembro de 2025, a SEC informou que Ellison aceitou uma proibição de dez anos para atuar como diretora ou executiva. A agência declarou que ela, Wang e Singh concordaram com liminares permanentes contra violações antifraude. Eles também aceitaram restrições de cinco anos para condutas específicas, sujeitas à aprovação judicial.

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