FTX vendeu ativos que hoje valeriam US$ 100 bi

A falência da FTX permanece como um dos episódios mais impactantes do mercado de criptomoedas. No entanto, além das perdas diretas de clientes e investidores, uma análise recente sugere um efeito ainda mais amplo: a liquidação de ativos que, hoje, poderiam somar mais de US$ 100 bilhões.

Levantamento compartilhado pelo perfil Crypto Rover no X indica que a exchange não apenas colapsou. Ao mesmo tempo, abriu mão de participações estratégicas em empresas de tecnologia, inteligência artificial e ativos digitais que se valorizaram significativamente após 2022.

A análise mostra como decisões tomadas durante o processo de falência limitaram o potencial financeiro da empresa no longo prazo.

Participação em IA lidera perdas potenciais

Anthropic concentra maior impacto estimado

O caso mais relevante envolve a Anthropic, empresa de inteligência artificial que registrou forte valorização nos últimos anos. A FTX investiu cerca de US$ 500 milhões por uma participação de 8% na companhia. Contudo, após o colapso, vendeu essa fatia por aproximadamente US$ 880 milhões.

Com a valorização recente da Anthropic, estimativas indicam que essa mesma participação poderia hoje alcançar cerca de US$ 88 bilhões. Embora participações em startups possam sofrer diluição, a diferença evidencia o impacto direto do momento da liquidação.

Assim, o episódio reforça como decisões tomadas sob pressão financeira podem comprometer ganhos exponenciais no setor de tecnologia.

Exposição a empresas ampliou perdas

Robinhood e Cursor entram na conta

Além da Anthropic, a FTX também detinha cerca de 7,6% da Robinhood. A posição foi adquirida por US$ 648 milhões e, posteriormente, chegou a ser avaliada em aproximadamente US$ 10 bilhões em momentos de alta do mercado.

Outro caso envolve a Cursor, empresa ligada à inteligência artificial. A exchange adquiriu cerca de 5% por apenas US$ 200 mil, mas vendeu a participação pelo mesmo valor em 2023.

Relatos de mercado indicam que a SpaceX possui uma opção de compra envolvendo a Cursor em uma avaliação elevada. Nesse cenário, a fatia original poderia representar bilhões de dólares. Ainda que tais projeções dependam de condições específicas, o contraste com o valor realizado é significativo.

Criptomoedas reforçam o portfólio perdido

SUI e outros ativos ganharam destaque

No setor cripto, o impacto também foi relevante. Um dos principais exemplos envolve o token SUI. A FTX adquiriu cerca de 888 milhões de unidades por meio de um investimento de US$ 100 milhões na Mysten Labs.

Após a falência, essa posição foi liquidada por aproximadamente US$ 96 milhões. Entretanto, no pico de valorização em 2024, o mesmo volume poderia alcançar cerca de US$ 4,8 bilhões.

Além disso, a análise inclui exposição a ativos como Solana (SOL) e Aptos (APT). Dessa forma, o valor estimado não depende de um único investimento, mas sim de um portfólio diversificado que se valorizou ao longo do tempo.

Esse movimento reforça a importância de acompanhar o mercado de criptomoedas, especialmente em ciclos de alta volatilidade e inovação.

Liquidação antecipada limitou ganhos

Falência forçou venda no pior momento

Embora nem todos os investimentos se convertessem necessariamente em ganhos realizados, fatores como bloqueios de tokens e condições de mercado precisam ser considerados. Ainda assim, o ponto central permanece evidente.

O processo de falência obrigou a FTX a liquidar ativos antes dos períodos mais intensos de valorização. Como resultado, a empresa não apenas entrou em colapso, mas também se desfez de posições estratégicas em tecnologia e cripto.

Em outras palavras, a combinação entre timing desfavorável e pressão judicial ajudou a transformar um portfólio promissor em perdas estruturais. O episódio ilustra, portanto, como crises financeiras podem comprometer oportunidades de longo prazo em setores emergentes.