Fundador do Incognito é condenado a 30 anos nos EUA

O marketplace clandestino Incognito ganhou destaque global após seu fundador, Rui-Siang Lin, receber condenação federal de 30 anos nos Estados Unidos. A sentença foi definida depois que autoridades confirmaram que a plataforma movimentou mais de US$ 105 milhões em vendas de drogas pagas com criptomoedas. A decisão judicial foi anunciada pelo Departamento de Justiça dos EUA, que reforçou a gravidade do caso ao considerar o esquema uma das maiores operações de narcóticos na darknet entre 2020 e 2024.

A juíza Colleen McMahon destacou que o crime representou o episódio mais grave de tráfico que avaliou em quase três décadas. Lin, conhecido na darknet pelo codinome Pharoah, admitiu culpa por operar organização criminosa contínua, lavar dinheiro e participar de conspiração de narcóticos. Além da pena, a Justiça determinou a apreensão de mais de US$ 105 milhões ligados ao marketplace.

Como funcionava o sistema cripto do marketplace

O caso ganhou detalhes adicionais quando o Departamento de Justiça afirmou que o Incognito operava um sistema interno chamado Incognito Bank. Essa estrutura funcionava como uma carteira custodial em que usuários depositavam Bitcoin ou Monero antes de realizar compras. Investigadores confirmaram que mais de 640 mil transações passaram pela plataforma, envolvendo mais de 400 mil contas registradas.

Além disso, cada venda gerava taxa de 5 por cento, o que permitiu que Lin acumulasse mais de US$ 6 milhões. O marketplace facilitou a venda de quantidades expressivas de substâncias ilícitas, incluindo mais de mil quilos de cocaína e metanfetamina, além de centenas de quilos de outros entorpecentes. Entre esses produtos, comprimidos contaminados com fentanil foram associados a pelo menos uma morte por overdose.

Em março de 2024, Lin encerrou a operação em um golpe de saída e reteve pelo menos US$ 1 milhão em depósitos. Ele também ameaçou divulgar registros de transações caso vendedores não pagassem valores adicionais. A investigação revelou que ferramentas supostamente voltadas à segurança, como criptografia e exclusão automática de mensagens, nunca funcionaram de fato e que dados foram armazenados durante toda a atividade do marketplace. A ação das autoridades foi motivada pela clara violação das leis de narcóticos, confirmada em mais detalhes no relatório divulgado.

Falhas que revelaram o operador do mercado clandestino

No entanto, apesar da complexidade do esquema, Lin cometeu erros que facilitaram sua identificação. Ele registrou domínios ligados ao marketplace utilizando seu nome, telefone e endereço reais. Em outro caso, parte do pagamento de um domínio foi feita com 0,00501 Bitcoin provenientes de uma conta de exchange vinculada a seus documentos pessoais.

Por conseguinte, a investigação também apontou que Lin mantinha um perfil no GitHub com seu nome e armazenava no Gmail pessoal um diagrama operacional do Incognito. Anteriormente, em maio de 2024, autoridades prenderam o operador no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, durante escala de viagem para Singapura. O caso envolveu diversas agências, incluindo FBI, DEA, Departamento de Segurança Interna e autoridades aduaneiras, o que reforçou o peso da operação.

Segundo o procurador Jay Clayton, nenhum recurso tecnológico, incluindo descentralização ou blockchain, concede permissão para administrar rede de distribuição de narcóticos.

Condenação ocorre durante mudanças na fiscalização cripto

A sentença também reflete, de fato, ajustes recentes nas diretrizes do Departamento de Justiça em relação ao uso de criptomoedas em atividades ilícitas. Embora a equipe nacional dedicada à fiscalização cripto tenha sido desmantelada em 2025, casos relacionados a terrorismo e tráfico seguem como prioridade. Assim, o processo envolvendo o Incognito manteve relevância dentro dos critérios de investigação federal.

Além disso, outras ações recentes reforçam a repressão aos crimes da darknet, incluindo a apreensão de US$ 400 milhões relacionada ao mixer Helix. As autoridades continuam focadas em operações que envolvem narcóticos, mesmo diante de mudanças regulatórias.

Portanto, a condenação de Lin fortalece a pressão sobre operadores e usuários de mercados clandestinos, deixando claro, principalmente, que o uso de criptomoedas em esquemas de narcóticos permanece entre as áreas mais monitoradas pelo governo norte-americano.