Gasto em inteligência artificial pressiona inflação dos EUA

O gasto com inteligência artificial cresce rapidamente nos Estados Unidos e dificulta o combate à inflação. Por meses, líderes da indústria de tecnologia defenderam que a IA teria um forte efeito deflacionário.

Esses executivos afirmaram que o avanço da robótica reduziria drasticamente os custos de produção e os preços. No entanto, a economia ainda não apresenta esses resultados no curto prazo.

A adoção corporativa também avança mais lentamente que o previsto. Enquanto isso, empresas direcionam bilhões de dólares à construção de centros de dados e outras infraestruturas digitais.

Esses desembolsos aumentam a demanda por energia, equipamentos e componentes avançados. Como resultado, os custos imediatos complicam a condução da política monetária pelo Federal Reserve.

Estimativas da Goldman Sachs Research indicam que os gastos com infraestrutura chegarão a US$ 581 bilhões em 2026. O montante equivale a aproximadamente 1,8% do produto interno bruto dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, pesquisas oficiais citadas pela CNBC mostram que menos de 20% das empresas usam ativamente a tecnologia. Esse dado revela uma diferença entre o investimento em infraestrutura e a aplicação prática da IA.

Investimentos em IA elevam custos antes da produtividade

Analistas lembram que ondas tecnológicas anteriores levaram décadas para gerar avanços relevantes nos indicadores gerais de produtividade. Por isso, os benefícios econômicos da IA podem demorar para aparecer nas estatísticas.

Contudo, o setor continua ampliando seus investimentos enquanto espera ganhos futuros de eficiência. A distância operacional entre empresas pioneiras e companhias médias também segue crescendo.

Além do ritmo desigual de adoção, grandes organizações enfrentam barreiras humanas durante a implementação. Mudar hábitos de trabalho e conquistar a confiança dos funcionários em modelos automatizados exige tempo.

Também existem tarefas que as ferramentas atuais ainda não conseguem automatizar. Dessa forma, essas limitações reduzem o impacto direto da tecnologia sobre a produtividade.

Ainda assim, as empresas mantêm projetos de expansão e automação. Esse movimento concentra os custos no presente, enquanto os possíveis benefícios permanecem associados ao longo prazo.

Energia e componentes aumentam a pressão sobre preços

A corrida para construir instalações de processamento em larga escala elevou consideravelmente a demanda por energia nos Estados Unidos. Com isso, as tarifas residenciais de eletricidade subiram 10,1% nos últimos dois anos.

Essa alta superou o índice geral de preços e pressionou o orçamento de milhões de consumidores. Em paralelo, a escassez de componentes avançados provocou fortes aumentos nos preços de acessórios e memórias especializadas.

Projeções financeiras apontam aumentos de até 400% em determinados insumos, na comparação com períodos anteriores. Já os custos de programas de informática cresceram mais de 17% no último ano.

Nesse cenário, o investimento em IA afeta diferentes partes da cadeia de suprimentos. A pressão alcança desde a geração de eletricidade até a fabricação de equipamentos necessários aos centros de dados.

Federal Reserve avalia impacto sobre juros e inflação

A pressão sobre os preços divide opiniões no Comitê Federal de Mercado Aberto, o FOMC. Alguns dirigentes defendem novos cortes nas taxas de juros para apoiar a atividade econômica.

Outros integrantes consideram necessária uma política mais restritiva diante da persistência da inflação. Na reunião mais recente, o Federal Reserve manteve as taxas entre 3,5% e 3,75%.

O intervalo corresponde à meta para a taxa dos fundos federais. Apesar da pressão atual, as autoridades reconhecem que o investimento corporativo em IA pode sustentar um crescimento econômico maior no futuro.

No entanto, analistas ainda enfrentam dificuldades para medir os efeitos positivos sobre a oferta e a produtividade. Essa defasagem aumenta a incerteza em torno das próximas decisões de política monetária.

Portanto, o banco central precisa avaliar quando a tecnologia começará a elevar a eficiência geral da economia. Essa análise também deve separar pressões temporárias de mudanças duradouras na estrutura de custos.

Até que os ganhos de produtividade se materializem, a infraestrutura continuará exigindo energia, equipamentos e componentes. Nesse período, o setor privado seguirá consolidando seus processos de automação e adoção tecnológica.