Gemini corta 30% da equipe e amplia perdas
O mercado de criptomoedas segue em fase de ajustes, com empresas buscando reduzir custos e ganhar eficiência. Nesse contexto, a Gemini, corretora de criptomoedas fundada pelos irmãos Winklevoss, intensificou cortes de pessoal ao longo de 2025, enquanto concorrentes aceleram o uso de inteligência artificial para otimizar operações.
A exchange reduziu cerca de 30% de sua força de trabalho desde o início do ano, com aproximadamente 445 desligamentos. O número supera estimativas anteriores próximas de 25%, indicando um ajuste mais profundo do que o inicialmente sinalizado.
Além disso, os cortes teriam se concentrado principalmente nos Estados Unidos. A decisão ocorre em meio a pressões financeiras persistentes, mesmo com alguma melhora pontual nas receitas no fim do período.
Resultados ainda pressionam a estratégia
Apesar do avanço na receita, a Gemini continua enfrentando desafios relevantes. Em 2025, a empresa teria acumulado prejuízo líquido de cerca de US$ 585 milhões. Parte desse valor inclui perdas não realizadas associadas à valorização de ativos digitais.
No quarto trimestre, os dados indicam sinais mistos. A receita alcançou aproximadamente US$ 60 milhões, acima da projeção de US$ 50,6 milhões, o que sugere crescimento anual próximo de 40%.
Por outro lado, o prejuízo trimestral teria avançado para US$ 140,8 milhões, ante US$ 27 milhões no mesmo período do ano anterior. Assim, o aumento de receitas não foi suficiente para compensar a elevação das despesas.
Reestruturação e mudanças internas
A empresa também promoveu ajustes estruturais. O texto original indica encerramento de operações em regiões como Reino Unido, União Europeia e Austrália. No entanto, esse movimento deve ser interpretado com cautela, podendo refletir reestruturações específicas ou mudanças operacionais nesses mercados.
Além disso, houve saída de executivos-chave, incluindo posições de operações, finanças e jurídico. Essas mudanças reforçam o momento de transição e reorganização interna.
Ao mesmo tempo, a Gemini passou a ampliar investimentos em automação. A adoção de ferramentas de inteligência artificial busca aumentar a eficiência e reduzir custos no longo prazo.
IA avança e redefine operações no setor
Esse movimento não ocorre de forma isolada. A Crypto.com também realizou cortes recentes, reduzindo cerca de 12% de sua equipe, o equivalente a aproximadamente 180 funcionários.
Segundo a empresa, a decisão está ligada à implementação de inteligência artificial em escala mais ampla. Dessa forma, funções consideradas menos estratégicas tendem a ser substituídas por soluções automatizadas.
Além disso, este foi o terceiro ciclo de demissões da Crypto.com desde 2022. Em fases anteriores, a empresa reduziu 5% da equipe em meio a incertezas macroeconômicas e, posteriormente, cerca de 20% após o colapso da FTX em 2023, amplamente coberto pela CoinDesk.
Tendência já vista em ciclos anteriores
O cenário atual segue um padrão observado em ciclos anteriores do mercado cripto. Em 2022, a própria Gemini já havia promovido rodadas de demissões, incluindo cortes de 10% e 7% em momentos distintos.
Naquele período, a empresa citou desafios macroeconômicos e impactos de eventos relevantes, como a falência da Genesis, que afetou recursos vinculados ao programa Gemini Earn.
Além disso, outras exchanges também adotaram medidas semelhantes. Empresas como Coinbase, Huobi e Crypto.com reduziram cerca de 20% de suas equipes, enquanto Blockchain.com e OSL chegaram a cortar aproximadamente 30%.
Em síntese, os novos cortes e o avanço da inteligência artificial reforçam uma mudança estrutural no setor. As empresas buscam operações mais enxutas enquanto tentam equilibrar crescimento e sustentabilidade em um mercado ainda volátil, conforme apontou a cobertura original.